Celso Júnior/AE - 30/11/2009
Celso Júnior/AE - 30/11/2009

Polícia analisa provas na investigação do jogo do Brasil

Computadores, documentos contábeis, CDs e outras provas foram colhidas na empresa Ailanto Marketing

Vannildo Mendes, Agência Estado

15 de agosto de 2011 | 19h02

BRASÍLIA - A Polícia Civil de Brasília começou nesta segunda-feira a analisar computadores, documentos contábeis, CDs e outras provas colhidas na empresa Ailanto Marketing, do Rio de Janeiro, suspeita de participar de uma fraude que teria causado prejuízo de R$ 9 milhões aos cofres do governo do Distrito Federal, por ocasião do amistoso entre Brasil e Portugal, em novembro de 2008. O ex-governador José Roberto Arruda, que assinou o contrato com a empresa, sem licitação, para promover o evento, é acusado de improbidade e crime contra administração pública.

A apreensão dos documentos foi feita com ordem judicial, no último sábado, durante a Operação Balder II. Com a análise das provas, que deve durar 30 dias, a polícia quer fazer o rastreamento do dinheiro que teria sido desviado e definir as responsabilidades. Apura também se pede a inclusão do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, como co-responsável pela suposta fraude, uma vez que ele, conforme as investigações, teria direcionado a cessão dos direitos do jogo em favor da Ailanto.

A empresa, de propriedade de Alexandre Rosell i Feliu (conhecido como Sandro Rosell, ele é ex-presidente da Nike no Brasil e atual presidente do Barcelona) e de Vanessa Almeida Precht, iniciou suas atividades, conforme as investigações, pouco mais de um mês antes do amistoso, com um capital social de apenas R$ 800,00, sem dispor sequer de um telefone fixo. Na época, Arruda jogava todas as fichas para emplacar Brasília como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, o que acabou acontecendo, embora a cidade não tenha tradição em futebol.

O amistoso, vencido pelo Brasil pelo placar de 6 a 2, marcou a inauguração da reforma do estádio Bezerrão, na cidade satélite do Gama, no Distrito Federal. Arruda, segundo a polícia, ignorou até um relatório da Procuraria do Distrito Federal, que considerou "imprestáveis" os motivos que justificaram o valor do espetáculo. As despesas com o jogo, que eram de responsabilidade da Ailanto, foram pagas pela Federação Brasiliense de Futebol.

"Ele demonstrou interesse direto e pessoal na rápida tramitação do processo de contratação e na consequente liberação do dinheiro", anotou o delegado Flamarion Vidal Araújo, ao falar sobre o ex-governador no relatório em que pede à Justiça a busca e apreensão dos documentos. "Chamou a atenção a assinatura do termo de compromisso entre Arruda e a Ailanto antes mesmo da autuação do processo de contratação", acrescentou.

A CBF informou, por meio da assessoria, que os jogos da seleção brasileira não são negociados diretamente pela CBF, mas por uma empresa da Arábia Saudita, que mantém contrato que lhe assegura esse direito há mais de seis anos. Explicou também que a contabilidade da CBF é transparente e que a entidade está com suas obrigações em dia com a Receita e os órgãos fiscais do País. Ainda segundo a assessoria, se houve alguma irregularidade, ela deve ser cobrada do governo do DF.

O advogado de Arruda, Edson Smaniotto, afirmou que foi justamente o contrário. "Ele só fechou o contrato com a Ailanto por exigência das normas da CBF, que é uma entidade privada e detém exclusividade sobre a seleção. Ou assinava o contrato, ou não teria o jogo", disse. Segundo advogado, não há como fazer licitação para promover um jogo da seleção brasileira e isso vale para todos os governos estaduais.

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