Mônica Reolom/Estadão
Mônica Reolom/Estadão

'Polícia chegou batendo em todo mundo', conta estudante Vinícius Duarte

Jovem diz que apanhou da polícia de cassetete dentro de um hotel na Rua Augusta

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

26 de janeiro de 2014 | 18h13

Atualizado às 23h

SÃO PAULO - O estudante de química industrial da Unifesp, Vinícius Duarte, foi na tarde deste domingo ao 78º DP para registrar um boletim de ocorrência. Ele estava acompanhado do pai e do irmão. Participante da manifestação de sábado, o jovem - cheio de hematomas no rosto - diz que apanhou da polícia de cassetete dentro de um hotel na Rua Augusta, local que alguns manifestantes se abrigaram após os confrontos. "Dentro do hotel estava pacífico e não tinha ninguém com capacidade para oferecer resistência. Mesmo assim a polícia chegou batendo em todo mundo e ainda apontava armas enormes em nossa direção."

Um dos policiais, segundo Vinícius, chegou a afirmar que "o mundo estava desse jeito por causa de pessoas como ele." Ele também relatou que a polícia não deixou ninguém filmar ou fotografar lá dentro e que arrancaram o celular da sua mão quando ele fez um vídeo. Só devolveram o aparelho no Hospital das Clínicas, para onde foi levado de camburão, e com o vídeo deletado. Vinícius, de 26 anos, teve traumatismo no maxilar e três dentes quebrados - sua arcada terá de ser refeita em cirurgia. No nariz, terá que passar por uma plástica. Também está com um coágulo na cabeça.

Ele disse que a confusão começou quando uns meninos começaram a jogar coisas na polícia, perto do Theatro Municipal, e a confusão se instaurou. "Tinha um acordo entre os manifestantes, até mesmo entre os black blocs, de que se a PM ficasse quieta a gente não mexeria com ela". O pai e o irmão de Vinícius afirmam que vão entrar com uma ação contra o Estado. Vinícius é mais comedido: "Que fique bem claro não quero vingança. Eu não culpo os PMs porque não sei como é a mentalidade deles; no fundo tenho pena. Para mim, já seria suficiente se eles refletissem sobre o que fizeram."

OUTRO LADO

O Estado teve acesso ao boletim de ocorrência registrado no sábado, em que constam os 128 detidos na manifestação. Uma parte cita Vinícius. De acordo com o documento, os manifestantes começaram a jogar garrafas e pedras nos PMs e entraram no hotel Linsor, na Rua Augusta. Foi determinado então que a Polícia Militar ingressasse no hotel para deter os indivíduos e levá-los ao 78º DP. Um sargento informou que Vinícius Duarte passou a arremessar pedras contra os PMs no momento em que eles ingressavam no local e uma atingiu o dedo mínimo de outro PM, lesionando a mão dele e "sendo necessário recorrer à utilização de balas de borracha".

Ainda de acordo com o BO, o sargento intercedeu visando deter Vinícius, que deu um soco no policial. "Diante de tais fatos e da resistência oferecida, foi necessário usar força moderada e necessária para vencer a resistência", diz o boletim. Vinícius ainda assim conseguiu se desvencilhar e foi localizado no saguão do hotel, tentou se esconder e foi detido novamente, quando os PMs constataram que ele tinha um corte na boca e por isso foi encaminhado ao HC.

A Secretaria estadual de Segurança Pública divulgou uma nota para falar do caso. Segundo a secretaria, o hotel foi invadido pelos manifestantes e o Choque entrou "por solicitação dos funcionários". Uma recepcionista do hotel é testemunha dos fatos no Boletim de Ocorrência registrado no 78º DP, ainda de acordo com a nota. A Polícia Militar informou que os dois disparos de bala de borracha foram feitos para o chão, sem atingir os manifestantes. A secretaria informa que Vinícius também pode formalizar denúncia na Corregedoria da Polícia Militar, para que o caso seja apurado.

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