Polícia indicia 41 torcedores por morte de cruzeirense em Minas

Otávio Fernandes, de 19 anos, foi assassinado com pancadas no ano passado em Belo Horizonte

MARCELO PORTELA, Agência Estado

07 de janeiro de 2011 | 18h00

Uma briga generalizada que terminou com o assassinato de um cruzeirense levou a Polícia Civil mineira a indiciar nesta sexta-feira 41 torcedores do Atlético-MG. Entre os indiciados estão Roberto Augusto Pereira, o 'Bocão', e William Palumbo, conhecido como 'Ferrugem', respectivamente presidente e vice da Galoucura, principal torcida organizada da equipe alvinegra.

Segundo o chefe da Divisão de Crimes contra a Vida (DCcV) da polícia, delegado Wagner Pinto, os torcedores foram indiciados por homicídio, tentativa de homicídio e lesão corporal, dependendo do envolvimento de cada um deles na pancadaria generalizada. De acordo com o policial, os diretores da Galoucura, porém, estão em todos os crimes. "No contexto geral, através das provas testemunhais e periciais, foi confirmado que eles (Bocão e Ferrugem) participaram insuflando o grupo e agredindo também", acusou.

A briga ocorreu em 27 de novembro, em frente a um espaço de eventos em área nobre de Belo Horizonte onde era realizado o 3.º Brasil MMA Fight, torneio de luta livre que tinha a participação de um integrante da torcida atleticana. Torcedores do Cruzeiro estiveram no local e teve início uma briga generalizada. Em meio à confusão, Otávio Fernandes, de 19 anos, que torcia para a equipe celeste, foi morto com vários chutes e golpes de barra de ferro e placas de trânsito, principalmente na cabeça.

A agressão foi filmada por câmeras de segurança, mas a polícia afirma que o material gravado foi apenas uma parte das investigações. Wagner Pinto explica, inclusive, que o início da confusão, não gravado, foi o que levou a polícia a indiciar torcedores por lesão corporal e tentativa de homicídio. "As imagens são parciais. Mostram só o fim da agressão. Temos mais de 80 depoimentos e provas periciais", observou o delegado. "No conjunto da prova, foi apurado que o grupo comandado por Ferrugem e Bocão iniciaram as agressões e que um elemento A dá um soco no olho do elemento B e para por aí. Não necessariamente da vítima que morreu, porque são várias vítimas", acrescentou.

Em dezembro, a Justiça decretou a prisão temporária por 30 dias de nove integrantes da Galoucura, incluindo Ferrugem e Bocão. Dois suspeitos continuam foragidos. Nesta sexta, além do indiciamento, a polícia pediu a conversão das prisões temporárias em prisões preventivas, o que pode fazer com que os acusados fiquem atrás das grades até o julgamento.

O advogado Dino Miraglia, que representa parte da direção da Galoucura e parte dos demais acusados, afirma não acreditar que seus clientes continuem na prisão. Segundo o advogado, não há prova da participação deles nas agressões, pois eles não aparecem nas imagens.

"A polícia não identificou nem as sete pessoas que aparecem nas imagens. É tudo baseado em depoimento dos integrantes da Máfia Azul (torcida organizada do Cruzeiro), que são inimigos e têm ficha criminal maior que meus clientes", declarou.

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