Polícia invade sede da Federação Carioca

A Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) está mais uma vez envolvida em um escândalo. Hoje, fiscais do Ministério Público Estadual e policiais da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (Draco) tiveram de entrar à força na sede da entidade, munidos de mandado de busca e apreensão, emitido pelo juiz Geraldo Prado, da 37º Vara Cível do Tribunal de Justiça, a fim de obter documentos que comprovassem irregularidade na federação. Funcionários da Ferj tentaram impedir a operação. Dois deles receberam ordem de prisão. Segundo denúncia feita no MPE, teria havido evasão de renda nos jogos entre Flamengo e Cruzeiro, pela Copa do Brasil, e Flamengo e Vasco, pelo Campeonato Brasileiro, ambos em junho do ano passado no Maracanã. Na oportunidade, foi aberto um inquérito policial no Juizado Criminal Especial (Gecrim) instalado nas dependências do estádio. Um laudo do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) constatou a fraude, já que os números das roletas não coincidiam com o borderô divulgado pela federação. Por volta das 10 horas, dois oficiais de justiça, três agentes e mais o delegado, Ricardo Codeceira, da Draco, chegaram na Ferj para vasculhar o local à procura de documentos que já haviam sido solicitados desde 2003, quando o inquérito foi instaurado. Eles foram recebidos por dois funcionários da entidade, que se negaram a abrir a porta da sede. Após uma espera de 20 minutos, os agentes pularam o muro da Ferj, usaram pedras para arrebentar o cadeado de uma das portas e começaram a procurar pelos documentos. Os funcionários tentaram fugir, mas acabaram presos. Um dos agentes chegou a forçar uma porta, que estava trancada, para poder efetuar a prisão. Tanto os oficiais de justiça quanto os agentes da Draco só deixaram o prédio da Ferj por volta das 18 horas. O delegado Ricardo Codeceira, porém, não quis falar sobre o assunto. "O juiz decretou sigilo na investigação. Estou impossibilitado de falar sobre o assunto", disse. Eles, porém, saíram sem os documentos que queriam buscar. Antes dos oficiais e dos agentes irem embora, surgiu a informação, de dentro da sede da Ferj, de que a demora se devia ao fato de o delegado ter encontrado outros documentos que despertaram seu interesse. Mas, como o mandado versava apenas sobre os papéis das partidas do Flamengo, os oficiais de justiça teriam entrado em contato com o juiz para a obtenção de uma nova autorização. Como Ricardo Codeceira não quis comentar o caso, não foi possível saber se algo foi retirado da Ferj. A alegação da entidade é a de que os documentos não estavam na Ferj porque a administração das rendas dos jogos é de responsabilidade de uma empresa terceirizada. O vice-presidente da Ferj, Rubens Lopes, criticou a atitude dos policiais. "Só tenho a lamentar. Foi uma verdadeira invasão. Eles queriam documentos que deveriam ter sido entregues. Provavelmente, o prazo inspirou", afirmou. Sobre a atitude dos funcionários da Ferj, que barraram a entrada dos oficiais na federação, Lopes disse que houve uma prática normal. "Eles se assustaram com a chegada dos agentes. Hoje em dia, muitos bandidos se disfarçam de policiais para efetuar assaltos", prosseguiu. Até às 19 horas, o presidente da Ferj, Eduardo Viana, não havia sido encontrado para comentar o caso. Ele nem sequer compareceu à sede da federação para conversar com o delegado. Hoje era dia de sorteio dos árbitros para a última rodada da Taça Rio e a presença do dirigente fazia-se necessária. Apenas Rubes Lopes e advogados da entidade acompanharam o trabalho das autoridades.

Agencia Estado,

19 de março de 2004 | 13h42

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