Polícia investiga cheques do Grêmio

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul anda à caça dos responsáveis pelo desvio de três cheques, no valor total de R$ 555.799,00, emitidos pela International Sports Leisure Worldwide (ISL) para o Grêmio em agosto de 2000 e destinados ao pagamento, nunca feito, de multas ao Glasgow Rangers, River Plate e Palmeiras. A investigação já chegou aos receptores do dinheiro, os doleiros Walmor Schaefer, de Blumenau, e Jamel Nasser, de Brasília, mas ainda não esclareceu se as contas deles eram o destino final ou apenas serviam a uma etapa da operação. Os dois estão com prisão temporária de cinco dias decretada pela Justiça e recolhidos ao Presídio Central de Porto Alegre desde segunda-feira.O desvio apareceu quando o síndico da massa falida da ISL, Thomas Bauer, descobriu que os clubes de Glasgow, Buenos Aires e São Paulo não receberam dinheiro do Grêmio e nem se consideravam credores de multas por atraso dos pagamentos das transferências dos jogadores Amato (Glasgow Rangers), Astrada (River Plate) e Paulo Nunes (Palmeiras) ao Olímpico no ano 2000. Como a ISL havia emitido os cheques para esse fim, Bauer passou a cobrar do Grêmio a devolução dos valores.O caso estourou em setembro do ano passado no Olímpico, mas foi tratado com sigilo até vazar para a imprensa em março deste ano. O presidente do Grêmio à época, José Alberto Guerreiro, sustenta que os cheques nunca chegaram ao Olímpico, dando a entender que pode ter ocorrido um golpe planejado por pessoas de fora do clube que conheciam o negócio. O atual diretor jurídico do clube, Celso Rodrigues, concorda, ao repetir, nas entrevistas, que foi "gente de fora" quem endossou os cheques e que isso deve ser tornado público quando as investigações do delegado André Mocciaro chegarem ao fim.Após tomar diversos depoimentos, a polícia chegou aos receptores.Falta esclarecer se o endosso dos cheques, que permitiu que eles fossem depositados nas contas dos doleiros, foi feito por pessoas que representavam o clube ou se foi mesmo uma falsificação de terceiros que enganaram os bancos responsáveis pelo pagamento. E também qual foi o destino do dinheiro depois de passar pelas contas de Schaefer e Nasser.O caso é mais um capítulo do traumático acordo do clube gaúcho com a ISL. No contrato assinado em setembro de 1999 a empresa se comprometia a repassar US$ 45 milhões ao Grêmio durante 15 anos e ficava com o direito à venda dos jogos para a televisão e ao licenciamento de produtos com os símbolos do tricolor. Com parte do dinheiro, o Grêmio chegou a apresentar um time com nomes em alta no futebol sul-americano daquela época, como Anderson Lima, Marinho, Paulo Nunes, Zinho, Astrada, Amato, Marcelinho Paraíba e Fábio Baiano.A multinacional do esporte faliu em março de 2001 e o acordo acabou no mês seguinte, antes de o Grêmio conquistar o campeonato gaúcho e a Copa do Brasil daquele ano, únicos títulos que tem nesta década.

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