Polícia investiga fraude em contratação de amistoso contra Portugal, em 2008

Festa custou R$ 9 milhões aos cofres do governo do Distrito Federal

ESPN

13 de agosto de 2011 | 23h30

Doze policiais civis do Distrito Federal estiveram neste sábado no Rio para investigar fraudes na contratação de um amistoso da seleção brasileira contra Portugal, em novembro de 2008. A partida, vencida pelo Brasil por 6 a 2, aconteceu no Gama, cidade-satélite de Brasília.

A polícia esteve na capital fluminense para fazer uma busca na sede da empresa Ailanto Marketing, no Leblon. A empresa foi a organizadora da festa, que custou R$ 9 milhões ao governo do Distrito Federal.

De acordo com as investigações da polícia, a Ailanto iniciou suas atividades pouco mais de um mês antes da realização do amistoso. A polícia diz ainda que a empresa não possui sequer telefone fixo e tinha um capital social de apenas R$ 800.

A Ailanto é de propriedade do espanhol Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona e parceiro da CBF em uma série de operações. Durante a Copa América na Argentina, Rosell era figura fácil ao lado de Ricardo Teixeira.

Em julho deste ano, o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem relatando um negócio obscuro entre Teixeira, a empresa aérea TAM e Ailanto. Na transação, o presidente da CBF adquiriu um jato particular dando como parte do pagamento uma aeronave que não era sua - pertencia à Cessna, que representa a TAM no Brasil.

As autoridades policiais de Brasília têm provas de que a Ailanto teve permissão de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, para negociar diretamente com o governo local. De acordo com a investigação, a procuradoria do Distrito Federal vetou o gasto público com o jogo. Documento mostrado neste sábado no Jornal Nacional, da TV Globo, mostra que a procuradoria considerou "imprestáveis" os motivos que justificavam o valor do evento.

Só que o então governador José Roberto Arruda ignorou a decisão. Em março de 2010, ele acabou cassado por envolvimento com o escândalo do mensalão do DEM de Brasília.

De acordo com outro documento mostrado pela TV Globo, a polícia afirmou que o amistoso causou um rombo de R$ 9 milhões aos cofres públicos. Segundo a polícia, as despesas de custeio do espetáculo - que eram de responsabilidade da Ailanto Marketing - foram pagas pela Federação Brasiliense de Futebol. O presidente da entidade, à época, era Fábio Simão - que foi também chefe de gabinete de José Roberto Arruda.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.