Polícia investigará morte de torcedor

A polícia cearense abriu inquérito para investigar as circunstâncias da morte do torcedor Bruno Ribeiro Mendes, de 16 anos. Ele morreu nesta quarta-feira ao despencar do setor onde ficam as cadeiras superiores no Estádio Castelão. O acidente aconteceu no intervalo do jogo entre Fortaleza e Atlético-MG, válido pela Série A do Campeonato Brasileiro. De acordo com amigos do torcedor, Bruno havia ingerido bebida alcoólica e estava pendurado nas grades de proteção da arquibancada quando se desequilibrou e caiu de cabeça de uma altura de aproximadamente 10 metros. Uma equipe médica tentou ainda reanimá-lo, mas em vão. Fanático pelo time cearense, Bruno integrava a Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF). Foi ao Castelão acompanhado por um grupo de 15 torcedores. A maioria morava, assim como ele, no Bairro Bom Jardim. Robson Freitas, de 17 anos, confirma que ele e Bruno haviam bebido. "Talvez por isso ele tenha caído", comenta Robson. Emocionado, um outro amigo, Diego Mota, recolheu a bandeira do clube e foi embora antes do final da partida. O carro do IML saiu do estádio sob os aplausos do público. Outro amigo, Antônio Oliveira, chama a atenção para o fato de a grade de proteção ser muito baixa. O alambrado onde Bruno estava pendurado tem, conforme a administração do estádio, 1,10m de altura e atende às normas brasileiras. Por isso, o administrador Antero Correia Lima descarta qualquer modificação. Para o presidente do Fortaleza, Ribamar Bezerra, o que aconteceu foi uma fatalidade. "O torcedor tem que se preocupar mais com a sua segurança", alerta o dirigente tricolor. Na Rua Martins de Carvalho, onde Bruno morava, a quinta-feira foi de tristeza. No quarto dele, bandeiras e recortes de jornais com fotos dos jogadores do Fortaleza enfeitam as paredes. A mãe de Bruno, Francisca Maria Ribeiro Mendes, disse que o marido dela tentou inúmeras vezes tirá-lo do que chama de "fanatismo do futebol". "Mas não adiantou. A gente não dava dinheiro, mas ele sempre arranjava um jeito de ir aos jogos. Compramos até um computador para ver se ele se interessava por outros assuntos, mas isso só fez piorar a situação", conta Francisca Mendes. A família do estudante tem direito a uma indenização de R$ 25 mil da Excelsior Seguros, empresa seguradora da Confederação Brasileira de Futebol. O seguro-torcedor, criado com a sanção do Estatuto do Torcedor em 2003, garante o pagamento da quantia por parte da entidade organizadora.

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