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Polícia italiana adverte contra o uso de sacadas como arquibancada

Palestra Itália e estádio de beisebol possuem histórias semelhantes

O Estado de S. Paulo

23 de setembro de 2015 | 09h00

O pequeno Frosinone, que subiu à primeira divisão do Campeonato Italiano no ano passado, talvez tenha que abandonar um costume peculiar nesta temporada. O Estádio Matusa, localizado em cidade homônima ao time, é cercado de edifícios que permitem aos moradores assistirem às partidas de suas sacadas e janelas. A procura pelos camarotes alternativos não é exclusiva dos torcedores locais, mas também de aficionados visitantes. 

Segundo matéria da Gazetta dello Sport, a polícia enviou cartas a dez prédios da região alertando sobre a possibilidade de danos estruturais às varandas e construções devido à quantidade de pessoas que se reúnem ali durante os jogos do Frosinone. 

Além da origem italiana, um clube de São Paulo também compartilhava tal situação nos seus jogos como mandante. Muitos torcedores do Palmeiras eram flagrados nas sacadas do prédios vizinhos ao antigo Palestra Itália durante as transmissões das partidas, piscando as luzes ou balançando bandeiras do time.

Em jornais da capital das décadas de 1950 e 1960, anúncios publicitários de prédios na R. Padre Antônio Tomás e Turiaçu citavam a privilegiada vista às piscinas e à "praça de esportes do Parque Antártica" como atrativo para os compradores. No entanto, a cobertura do novo Palestra Itália, rebatizado de Allianz Parque, acabou com esse conforto. 

Vizinhos bisbilhoteiros não é uma situação exclusiva do futebol. Time tradicional da MLB, liga norte-americana de beisebol, o Chicago Cubs convive com torcedores em telhados próximos ao Wrigley Field desde 1914. Os chamados Rooftops já foram até processados por violação de direitos autorais, a partir do momento que cobravam entradas para espiar jogos com a imagem já negociada a emissoras de televisão.

O caso chegou aos tribunais e, em 2004, o clube fechou um acordo por 20 anos com donos de 11 edifícios, pelo qual recebem 17% do lucro dessas arquibancadas. A prefeitura de Chicago também entrou em cena, preocupada com as condições disponíveis aos torcedores. Após o acerto, esses lugares ficaram mais sofisticados, com construção de estruturas de metal, outdoors publicitários e um deles possui até dois níveis de assentos. 

Quando o time anunciou planos de renovação do estádio, que incluía instalação de telões que obstruiriam a visão dos Rooftops, os donos destes prédios processaram os Cubs por quebra de contrato. 

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