Polícia paulista arma operação de guerra

Uma operação de guerra foi armada pela Polícia Militar para o clássico entre Corinthians e São Paulo, que será realizado na segunda-feira, no Morumbi. No total, quase 2.500 policiais trabalharão na segurança do evento - um contingente inédito para um jogo de futebol. Tudo por causa das recentes mortes de 3 torcedores em brigas de torcidas. O efetivo será de 510 policiais no estádio ? nos clássicos são usados 320 normalmente ?, além de 1.974 homens do Comando Policial da Capital, Comando Policial Metropolitano, Guarda Civil Metropolitana e Grupamento Aéreo, que atuarão em focos de confrontos entre torcedores, como terminais rodoviários, metrôs e trens.A nova estratégia para evitar brigas entre torcidas foi divulgada nesta sexta-feira, após reunião de Saulo de Castro Abreu, secretário de Segurança Pública, com o coronel Luís Serpa, comandante do Segundo Batalhão de Choque da Polícia Militar, Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol, e outros representantes de Subprefeituras, Ministério Público e Ministério do Esporte. Só com o esquema da PM serão gastos R$ 135 mil.Foi descartada a principal proposta de Fernando Capez, promotor do Ministério Público, que defendia que apenas torcedores do time mandante poderiam entrar nos estádios com a camisa da equipe em dias de clássico. ?Já se tentou judicialmente o fim das torcidas organizadas, mas isso não trouxe mudanças?, explicou Saulo de Castro.As autoridades chegaram a um consenso do que pode ser adotado de imediato: proibição da venda de bebidas alcoólicas na porta do estádio, mapeamento das torcidas na estações de metrô e em outros locais de encontro de torcedores e fiscalização de cambistas.No jogo de segunda-feira, fiscais da Prefeitura trabalharão desde as 8 horas da manhã - a partir será às 20h30 - para evitar o comércio de ambulantes na porta do estádio, principalmente de bebidas alcoólicas.Futuro - A longo prazo, o plano é ambicioso. Estuda-se até o fechamento dos portões dos estádios 45 minutos antes das partidas. ?Isso porque o torcedor quer ficar bebendo até o último gole na porta do estádio e acaba entrando na última hora ou com o jogo no fim do primeiro tempo?, analisou Marco Polo Del Nero, presidente da FPF.Já a venda de ingressos poderá ser feita pela internet, com assentos numerados. Pode ser proibida a venda no dia das partidas e adotadas novas tecnologias, como o uso de chip nos bilhetes, para identificar os torcedores. ?Tecnologia, nós temos. Custa caro? Custa. Mas vamos discutir isso também?, acrescentou Saulo.A intenção é acabar com o anonimato entre os torcedores. ?Precisamos individualizar o comportamento do torcedor. Essa sensação de anonimato e impunidade está entre os principais responsáveis pela violência?, disse Saulo.A Federação Paulista de Futebol ajudará no recadastramento das torcidas organizadas. ?Não queremos chamar o recadastramento de lista negra. Ninguém quer restringir o espetáculo. Ninguém quer que seja enfadonho. Teremos uma estrutura grande e caríssima para tentar fazer com que o futebol volte aos bons tempos?, completou o secretário de Segurança.Haverá uma nova reunião na semana que vem para definir o que mudará na segurança no futebol em 2006. Também está em estudo o projeto-piloto da Comissão da Paz no Esporte, do Ministério do Esporte, que pretende implementar o sistema de banco de dados inteligente usado na Europa.

Agencia Estado,

21 de outubro de 2005 | 20h20

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.