Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Polícia reconhece 'clima de guerra' entre as torcidas no Paulistão

PM avalia que novos enfrentamentos podem ocorrer

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2016 | 07h00

A Mancha Alviverde, principal torcida organizada do Palmeiras, declarou guerra à torcida do Corinthians na semana passada. Após essa reação, a expectativa da polícia é de que novos conflitos aconteçam entre as torcidas rivais ainda no Campeonato Paulista. “A gente percebe um clima de animosidade no ar, existe um clima de guerra, mas a Polícia Militar vai fazer de tudo para prevenir situações de violência”, afirma Luiz Gonzaga, tenente-coronel da Polícia Militar e responsável pelo policiamento nos clássicos. “Estamos percebendo que realmente existe alguma coisa no ar”, completa Gonzaga. 

A Secretaria de Segurança Pública divulgou nota informando que o policiamento foi reforçado antes e depois do clássico vencido pelo Palmeiras. A linha verde do Metrô, por exemplo, contou com policiais militares dentro dos vagões na noite de ontem. Antes e depois da partida, 57 pessoas foram detidas. “A PM acompanha a entrada e a saída das torcidas organizadas até o seu destino para evitar que se encontrem”, informou o documento. 

A declaração de guerra da torcida do Palmeiras foi dada como uma resposta à prisão de Deivison Correa, suspeito de ter participado do espancamento de dois diretores da torcida do Corinthians há cerca de um mês. Além da prisão, os policiais cumpriram um mandado de prisão na quadra da uniformizada do time alvinegro. 

Logo após a apreensão, Sérgio Oliveira Pinto, delegado-assistente da Delegacia de Polícia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (Drade), confirma que os ânimos se acirram após a agressão. “Isso aumentou e, muito, a incidência de novos conflitos. Mas a nossa ação repressiva deve fazer isso diminuir”, afirmou. 

 

 

Antes dos conflitos entre si, as torcidas de Palmeiras e Corinthians viveram dias agitados na relação com seus próprios clubes. No mês de março, a torcida do Corinthians entrou em confronto com a PM em três jogos na Arena Corinthians. O motivo, não confirmado pela polícia, seriam faixas de protesto estendidas pela torcida dentro do estádio. No jogo contra o Oeste, as faixas não aparecem e também não houve conflitos. 

Na semana passada, torcedores do Palmeiras invadiram o CT para protestar contra a crise que o clube vivia – eram quase jogos sem vitória naquele momento. A torcida foi denunciada à PM pelo clube e proibida de levar instrumentos e faixas ao estádio. 

RELEMBRE OUTROS CONFLITOS 

Março de 2012

Dois palmeirenses morreram no conflito na avenida Inajar de Souza, na zona norte. De acordo com a Polícia Civil e o MP, os corintianos se armaram para o embate, que vingaria a morte de Douglas Karim da Silva, que teve o corpo jogado no rio Tietê após ser assassinado em 2011.  

Dezembro de 2013

Pancadaria entre torcedores interrompeu o jogo entre Atlético-PR e Vasco pelo Campeonato Brasileiro. Pelo menos três torcedores ficaram gravemente feridos e foram levados a um hospital local. O Vasco perdeu seis mandos de campo; o Atlético Paranaense, nove.

Outubro de 2014

Leonardo da Mata Santos, de 21 anos, morreu após ser atropelado na Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo, no ABC, durante uma briga entre a torcedores palmeirenses e santistas. Outros cinco torcedores também foram atropelados por um santista no mesmo episódio.  

Junho de 2015

Imagens do Metrô mostram a agressão de oito torcedores corintianos contra um palmeirense em um trem da Linha Linha 3-Vermelha. Os corintianos estavam em um protesto na sede do Corinthians, no Parque São Jorge. O palmeirense vestia uma jaqueta da torcida organizada.  

Janeiro de 2016

Confronto entre torcedores do São Paulo e policiais militares e guardas municipais, em Mogi das Cruzes, em jogo da Copa São Paulo de Juniores, deixou torcedores e policiais feridos. O estádio Nogueirão foi depredado e pelo menos dois veículos foram destruídos. 

Fevereiro de 2016

Uma briga entre torcedores de Corinthians e São Paulo bloqueou trecho do Anel Viário Magalhães Teixeira (SP-083), em Valinhos. Ônibus foram depredados e motoristas que trafegavam no local começaram a atravessar o canteiro central para escapar da confusão. 

 

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