Edison Temoteo
Edison Temoteo

Polícia suspeita que ataque a torcedor do São Paulo foi acerto de contas

Espancamento de rapaz na estação Luz tem semelhanças com morte de santista ocorrida em fevereiro

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2014 | 05h00

SÃO PAULO - A Polícia suspeita que o são-paulino Charles Lemos dos Santos, vítima de um ataque com barras de ferro e um cabo de enxada na madrugada de quinta-feira, foi alvo de um acerto de contas entre torcidas organizadas. A ação contra o torcedor foi parecida com a sofrida pelo santista Márcio Barreto de Toledo, morto dia 24 de fevereiro. Após o jogo entre São Paulo e Penapolense, no Morumbi, por volta das 2h20, Charles estava com mais dois amigos na frente da estação Luz, no centro, esperando a volta da circulação dos trens, prevista para 4h40, quando foi surpreendido por um grupo de dez pessoas que desceram de dois veículos.

Aos gritos de "vocês vão morrer", os agressores atacaram o trio. Os dois amigos de Charles conseguiram escapar, mas ele acabou cercado e espancado. Com vários ferimentos na cabeça, foi levado ao Hospital das Clínicas em estado grave. Até o fim da tarde de quinta-feira, o quadro o torcedor era estável. Charles, de 25 anos, é sócio da torcida organizada Independente e vestia uma camiseta da facção no momento do ataque.

De acordo com as vítimas, não foi possível reconhecer os agressores, que não vestiam camisas de outros clubes. As placas dos veículos também não foram anotadas – um dos automóveis era um Volkswagen, modelo Polo, preto.

RIXA

No dia 24 de fevereiro, Márcio Toledo, de 34 anos, integrante da Torcida Jovem, do Santos, morreu após ser espancado no Jardim Aricanduva, depois de assistir ao clássico entre Santos e São Paulo, no Morumbi. Câmeras de segurança registraram o momento em que são-paulinos, dentro de dois carros, ficam de tocaia à espera de um grupo de santistas e, em seguida, partem para o ataque com barras de ferro na mão. Márcio estava em um ponto de ônibus quando foi atacado.

"O modus operandi dos dois crimes foi o mesmo. É provável que haja algum tipo de ligação", disse ao Estado o delegado Arariboia Fusita Tavares, do 3.º DP. Opinião semelhante tem o delegado do 21.º DP, Moisés Teodoro Messi Filho. Ele é o responsável pelas investigações sobre a morte de Márcio. "Nenhuma hipótese pode ser descartada. O grande problema é que praticamente toda semana é registrada uma briga de torcida em São Paulo", afirmou. Ele ainda não conseguiu identificar os responsáveis por atacar Márcio e reclama da falta de colaboração das torcidas. "Sem testemunha fica difícil chegar a alguma conclusão. Nem os torcedores que conseguiram escapar prestaram queixa à Polícia."

O Boletim de Ocorrência do ataque a Charles foi registrado no 2.º DP (Bom Retiro) como lesão corporal e rixa. Mas, como o ataque ocorreu na área do 3.º DP (Campos Elísios), o caso foi transferido. Tavares, no entanto, pretende encaminhar nesta sexta a investigação para o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

O caso deve ficar com a delegada Margarete Barreto. Ela comanda a Operação Hooligans, que investiga a invasão ao CT do Corinthians no dia 1.º de fevereiro e prendeu três membros de torcidas organizadas. O trio já foi solto por ordem da Justiça. Mais de cem vândalos participaram da invasão.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.