Polícia vai indiciar Soldado e vereador de Francisco Morato

Torcedores poderão ficar até três anos proibidos de entrar nos estádios após confusão no Mané Garrincha

GONÇALO JUNIOR E PAULO FAVERO, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2013 | 07h30

BRASÍLIA - O delegado Marco Antônio de Almeida, do 5.º DP de Brasília e responsável pela investigação da briga de domingo, disse terça, depois de o Estado revelar a identidade de um dos participantes da confusão no Estádio Mané Garrincha, que vai indiciar Leandro Silva de Oliveira, conhecido como Soldado. "Ele foi reconhecido formalmente por uma policial militar como sendo um dos agressores. A imagem é muito nítida e não deixa margem de dúvidas acerca da conduta do Leandro naquele evento e ele vai ser indiciado", afirmou à Rádio Estadão.

Ainda segundo o delegado, as imagens do circuito de segurança do estádio serão analisadas para a identificação de outros envolvidos. A polícia pretende também ouvir testemunhas. Oliveira e o vereador de Francisco Morato Raimundo César Faustino (PT), conhecido como Capá e identificado nas fotos pelo jornal Lance!, vão ser indiciados por terem infringido o artigo 41 do Estatuto do Torcedor e podem ficar até três anos proibidos de entrar nos estádios do País.

Paralelamente, a Federação Paulista de Futebol já baixou uma resolução que proíbe a entrada dos dois nos estádios paulistas por 90 dias.

O envolvimento do político na briga também poderá lhe trazer complicações na esfera parlamentar. O vereador Claudemir Correa Leite (PSB), presidente da Câmara Municipal de Francisco Morato, afirmou que não será omisso em relação à participação de Capá no confronto. "Esse episódio afetou a Câmara de maneira negativa, mas só podemos agir dentro da lei. Não seremos omissos."

Nesta quarta-feira, o presidente vai se reunir com o departamento jurídico da Câmara para decidir quais medidas serão tomadas, de acordo com o Regimento e a Lei Orgânica. "Temos de prezar pelo que é certo." O vereador divulgou uma nota na qual divide responsabilidades. "Errei chutando o policial por julgar injusta a atitude dele, mas os dirigentes erraram mais. Primeiro, a diretoria do Vasco, que vende o jogo para o Distrito Federal e com valores absurdos. Erro dos setores de segurança, que não obtêm conhecimento das informações para a prevenção de conflitos."

GAVIÕES

A torcida do Corinthians também está na mira da Justiça. Roberto Senise Lisboa, promotor de Justiça do Consumidor do Ministério Público Estadual, garante que vai pedir novamente a extinção da uniformizada. "Vamos entrar com um inquérito civil para analisar a conduta das organizadas. Já existe uma ação em trâmite pedindo a sua dissolução e vamos entrar com uma outra ação civil por causa dos novos fatos pedindo a extinção", afirmou o promotor, que cobrará uma multa de R$ 30 mil da Gaviões, como prevê o Estatuto do Torcedor.

Por meio de nota oficial, a facção do Corinthians diz que a "diretoria está à disposição para colaborar com as investigações e, caso seja comprovado o envolvimento de algum associado, o mesmo sofrerá as punições cabíveis."

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