Divulgação
Divulgação

Policial admite culpa em Hillsborough: 'Nós abrimos os portões'

Superintendente-chefe se desculpa com familiares após tragédia

O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 22h03

 Após 26 anos do desastre ocorrido em Hillborough, na tragédia que acabou com 96 mortos e mais de 250 feridos em um jogos de futebol na Inglaterra, novas informações foram reveladas. Um dos policiais encarregados pela partida entre Liverpool e Nottingham Forest assumiu que mentiu no inquérito policial em reportagem para a BBC, na última quarta-feira.  David Duckenfield, superintendente-chefe da polícia responsável pela partida no estádio Hillsborough, assumiu pela primeira vez que deu a ordem de abrir os portões ao perceber a chegada de hooligans nas proximidades do estádio.

"Todo mundo sabia a verdade, os fãs e a policia sabiam que nós abrimos os portões. Foi um dos grandes arrependimentos da minha vida", admitiu Duckenfield. 

RELATÓRIO TAYLOR

Em agosto de 1989, um documento detalhando as causas da tragédia foi divulgado, após inquérito conduzido pelo Lorde Taylor de Gosforth. Nas páginas do relatório, havia também uma série de medidas a fim de mudar a concepção dos estádios ingleses. Entre elas estavam o controle de multidões dentro e fora dos estádios, a venda de ingressos numerados, a abolição das gerais e a retirada dos alambrados.

"Nosso objetivo é estabelecer o que de fato ocorreu e determinar normas de segurança", disse Taylor três dias depois das mortes. Nem foi preciso esperar. Na ocasião, três clubes já começaram a retirar os alambrados dos seus estádios: o Tottenham, o Derby County e o Newcastle. As grades do estádio do Sheffield Wednesday, ainda sujas de sangue, também começaram a ser removidas.

 

CULPADOS

A verdade sobre os fatos do dia 15 de abril de 1989 ainda é alvo de contradição. Por 23 anos, até 2012, os torcedores do Liverpool, cidade dos Beatles, foram apontados como os grandes responsáveis pela tragédia. De acordo com o tabloide inglês The Sun, os hooligans havia forçado a entrada no estádio. Além disso, o artigo intitulado "A Verdade", divulgado pouco depois da tragédia, afirmava que os torcedores chegaram a agredir e urinar nos policiais. Na ocasião, apenas os agentes foram escutados.

Um novo documento veio à tona em setembro de 2012. Nele, a versão da polícia e do tabloide foram desmentidas. O documento constatou que mais de 110 dos 164 relatórios foram adulterados. Os torcedores, na verdade, tentaram ajudar os feridos da tragédia. A polícia, despreparada, atuou de forma errada. Além disso, o serviço de ambulâncias não funcionou adequadamente. Estima-se que 41 pessoas poderiam ter sido salvas caso a postura tivesse sido diferente. "As provas mostram conclusivamente que os torcedores do Liverpool não causaram nem contribuíram para a morte de 96 homens, mulheres e crianças", aponta o relatório, que frisa o termo "erros operacionais" dos policiais.

Os novos fatos fizeram o primeiro ministro britânico, David Cameron, pedir desculpas às famílias das vítimas. O The Sun fez o mesmo. Na capa do tabloide, a manchete "A verdade real" se desculpava pela reportagem falsa de 1989. "A grande maioria dos empregados atuais não trabalhava em nosso jornal naquele abril de 1989. Muitos ainda estavam na escola, outros sequer haviam nascido. Sabemos que o povo de Liverpool jamais esquecerá a terrível injustiça cometida por nós."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.