Política do Palmeiras volta a dar força a Mustafá Contursi no clube

Ex-presidente aumenta poderio com última eleição no Conselho e se reaproxima da atual gestão

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2017 | 07h00

Mustafá Contursi Goffar Majzoub. O nome de origem síria é marcante e poderoso na política do Palmeiras há 50 anos. O longo tempo de clube e o jeito à moda antiga de se relacionar com os apoiadores continuam a dar resultados. A mostra mais recente da força foi há dez dias, quando a ajuda dele conduziu ao Conselho Deliberativo o casal de donos da Crefisa.

"Eu, como jurássico no Palmeiras, sou um mero contador de histórias agora", despistou, em entrevista ao Estado. Apesar da negar a influência, a participação dele levou Leila Pereira a ter a maior votação da história, 248 votos. José Roberto Lamacchia, marido dela e amigo de longa data de Contursi, recebeu 62. Ambos foram decisivos para a chapa do ex-presidente, a Palmeiras Forte, ter emplacado no Conselho 27 integrantes entre os 76 eleitos.

Mustafá, de 75 anos, é discreto e avesso a entrevistas. Ele prefere creditar o sucesso na campanha de Leila e o marido à sua longa vivência no Palmeiras. A carteirinha de sócio está no bolso desde 1951. O título da Copa Rio o motivou a se aproximar do clube, aos 11 anos. O primeiro cargo na diretoria veio em 1965, a vaga no Conselho chegou dois anos depois e o título de conselheiro vitalício foi recebido aos 33 anos.

Todas essas informações o dirigente cita sem vacilar. A memória não falha e todo fim de ano ele faz questão de telefonar para sócios mais antigos para desejar feliz Natal. É uma maneira, também, de garantir votos. "Mustafá tem carisma. Chama todos pelo nome, parece o Paulo Maluf", brinca Wlademir Pescarmona, amigo do dirigente há 30 anos.

Pessoas próximas a Contursi o descrevem como inteligente e hábil politicamente. O ex-presidente Carlos Facchina Nunes é ousado para definir o amigo. "Ele é uma enciclopédia que se dedica 30 horas por dia ao Palmeiras", afirma. Do trio de ferro da capital, o palmeirense é o último "jurássico" na ativa. No Corinthians, Alberto Dualib renunciou em 2007 e se afastou da política. No São Paulo, Juvenal Juvêncio faleceu no fim de 2015.

A atuação de Mustafá nos bastidores também trouxe conflitos. Durante o período em que presidiu o Palmeiras entre 1992 e 2004 (segundo mandato mais longo da história), fez desafetos pelo seu estilo centralizador. Chegar ao comando foi um projeto longo, rascunhado pelo presidente Delfino Facchina ao colocar o então jovem Mustafá na diretoria, na década de 1960.

Antes disso, o futuro dirigente já procurava ser mais atuante no clube, mesmo em funções simples, como em reparos na sede social. Décadas depois virou o principal nome da política do clube. Qualquer postulante à presidência busca ter a sua "bênção". Sem esse apoio, fica difícil sentar na principal cadeira do comando alviverde.

Foi assim com o ex-presidente Paulo Nobre e o atual, Maurício Galiotte, escolhido a pedido do ex-dirigente. "Muitas pessoas me procuram para conselhos. Quem quer me ouvir, estou à disposição", diz Mustafá.

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