Raphael Ramos/Estadão
Raphael Ramos/Estadão

Poluição atmosférica de Pequim preocupa a seleção para sábado

Queima de palha em fazendas do interior faz qualidade do ar diminuir e comissão técnica se precaver contra possíveis problemas

Raphael Ramos - Enviado especial a Pequim, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2014 | 07h00

O Superclássico das Américas entre Brasil e Argentina deverá ser disputado no sábado sob forte poluição atmosférica. Pequim amanheceu nesta quarta-feira encoberta por uma imensa névoa, que “escondeu” até o estádio Ninho do Pássaro, local da partida, e só deve começar a se dispersar na noite de sábado, com a chegada de uma frente fria, de acordo com o Centro Meteorológico Nacional da China.

Segundo a agência de notícias chinesa Xinhua, a queima de palha em fazendas no interior do país nos últimos dias contribuiu para o aumento da poluição atmosférica em Pequim e o Observatório do Clima chegou a emitir um alerta de grau 2 aconselhando as pessoas a não saírem de casa e os motoristas a tomarem cuidado com a baixa visibilidade nas ruas e estradas. 

A capital chinesa é uma das cidades mais poluídas do mundo e o agravamento da situação colocou o departamento médico da CBF em estado de alerta, além de criar uma preocupação extra com os atletas. 


"O mais importante é monitorar de perto qualquer alteração que possa acontecer. Se alguém tiver algum problema mais sério, a gente está sempre de olho para começar a tratar de imediato alguma alergia de nariz, garganta ou ouvido", disse o médico Rodrigo Lasmar.

A orientação do médico aos jogadores é que eles se exponham o mínimo possível à poluição atmosférica e saíam do hotel onde a seleção está hospedada apenas durante os treinamentos, que são sempre realizados no período da tarde no horário chinês (a diferença para o Brasil é de 11 horas). Pela programação elaborada por Dunga, os atletas têm as manhãs livres, mas até agora nenhum jogador deixou a concentração para passear. 

Ano passado, quando a seleção esteve na capital chinesa para disputar um amistoso contra a Zâmbia, por exemplo, Neymar, Dedé, Marcelo, Pato e Daniel Alves aproveitaram uma folga para fazer compras em um centro comercial de Pequim.

"Uma das orientações dos órgãos que controlam essa questão da poluição é que as pessoas fiquem mais em casa, e isso a gente tem feito. Os atletas só ficam dentro do hotel e saem apenas para treinar. Das 24 horas do dia, eles ficam 22 dentro do hotel", disse Lasmar.

Também foi pedido que os jogadores ingerissem bastante água. "Se você estiver desidratado, os efeitos são ainda piores", explica o médico.

Se o quadro não piorar na quinta e na sexta-feira, Lasmar não vê necessidade de pedir que Dunga diminua a intensidade dos treinamentos. 

"Não chegamos a esse nível. Se começar a ter muitos problemas respiratórios fora do habitual, podemos fazer essa recomendação, mas não tivemos nenhuma queixa até o momento", disse.

Nesta quarta-feira, com 22 dos 23 convocados em campo, Dunga comandou o segundo treino da seleção em Pequim sob ritmo intenso. O único ausente da atividade no Olympic Sports Center Stadium foi o volante Rômulo, do Spartak Moscou, que, sem visto chinês, ainda não havia desembarcado em Pequim.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.