Ponte chega à decisão graças a dedicação e um pouco de sorte

Time campineiro volta à decisão de um Paulistão na base do empenho do técnico Sérgio e do apoio geral

Milton Pazzi Jr., estadao.com.br

24 de abril de 2008 | 12h11

Ao chegar à final do Campeonato Paulista de 2008, a Ponte Preta confirmou uma velha máxima de que, para se ter sucesso, é preciso organização, conhecimento e comprometimento. Palavras que cada vez mais soam como chavões no mundo do futebol, mas ainda aplicáveis. Este último ponto, principalmente, é o que mais se aplica no caso do time campineiro, como ponto-chave entre as pessoas que acompanham o time.Veja também: Serviço: para quem vai à final Ponte Preta x Palmeiras Galeria de fotos da venda de ingressos Multidão corre atrás de ingressos na Ponte Preta Polícia Militar apresenta esquema de segurança para a finalNisto, foi fundamental a presença do técnico Sérgio Guedes, apontado como o principal personagem do sucesso ponte-pretano. Identificado com o clube, onde foi goleiro nos anos 80, e efetivado como técnico do time no fim do ano passado, ele promoveu uma reformulação no grupo, que fez uma campanha ruim do último Brasileirão da Série B, quando terminou em 11.º lugar. Daquela equipe titular, aliás, apenas o goleiro Aranha segue, que chegou a ficar algumas partidas no banco de reservas, dando lugar a Dênis. Os outros dez jogadores são novos.Nos bastidores, Sérgio conseguiu criar nos jogadores a consciência de que era importante se dedicar à Ponte Preta, que o time tem tradição e exposição na mídia suficiente para projetar o jogador. Conseguiu, com isso e espontaneamente, convencer os torcedores a apoiar o time em todos os jogos como há tempos não acontecia. Prova é que a média de público da Ponte neste campeonato é a maior de todos os times do interior, com cerca de 8 mil pagantes nos jogos. OS REFORÇOS PARA 2008  Laterais Eduardo Arroz, Raulen, Vicente e Fabinho Zagueiros César e Jean Volantes Deda e Bilica Meio-campistas Elias, Renato, Giuliano e Renan Atacantes  Marcelo Soares, Leandro, Danilo Neco e  Luís Ricardo Com isso, pôde, aos poucos, mexer também na formação da equipe, que há seis anos vinha jogando mais defensivamente, com quatro marcadores no meio. TIME EFICIENTECom a bola rolando, todos reconhecem que a tabela do campeonato ajudou. É que dos primeiros oito jogos, seis foram disputados no Estádio Moisés Lucarelli, e o time conseguiu seis vitórias, sendo uma fora. Isso trouxe confiança. E os pontos necessários para a classificação, já que a vantagem acumulada não impediu o time de chegar à fase final mesmo com a fase ruim bem no meio da competição, quando ficou cinco partidas sem vitórias.Desde o início do Paulistão, seguindo a mudança tática, o time passou a ter dois criadores no meio, com dois volantes, em quase todas as suas partidas - geralmente Renato e Elias, hoje machucado e já negociado com o Corinthians. O resultado disso é o melhor ataque do campeonato, junto com o adversário Palmeiras, com 39 gols marcados (somando as semifinais). Curiosamente, o artilheiro é Renato, com oito gols, mas que ajudou a diversificar as opções com quatro destes sendo de falta.REFORMULAÇÃOO conhecimento Sérgio já tinha do grupo. Era técnico do sub-20 no ano passado, quando foi efetivado no fim de novembro. E por ter ser considerado criterioso, procurou ser detalhista nas contratações, que vieram praticamente sem custo. Tanto que os jogadores que chegaram, em sua maioria, eram desconhecidos. A folha salarial hoje é baixa em comparação a anos anteriores, cerca de R$ 10 mil de média por jogador. O maior salário é do zagueiro e capitão César, estima-se em R$ 25 mil mensais.Já a organização está presente fora do campo. Depois de anos de crises e problemas, o presidente Sérgio Carnielli conseguiu que a presença de um ex-técnico como José Luiz Carbone no cargo de coordenador técnico servisse para fazer a ligação do trabalho administrativo com o técnico, evitando desgastes. Estrutura comum a vários outros clubes do interior paulista, mas que deu certo no time campineiro. Para fechar com perfeição, só falta o título estadual, que o time busca há 107 anos. A CAMPANHA DA PONTE NO PAULISTÃO Primeira fase 16/1 - Ponte Preta 4 x 2 Ituano - V 19/1 - Paulista 1 x 2 Ponte Preta - V 23/1 - Ponte Preta 3 x 2 Mirassol -  V 26/1 - Ponte Preta 3 x 0 São Caetano - V 30/1 - Bragantino 3 x 1 Ponte Preta - D 2/2 - Ponte Preta 0 x 0 São Paulo - E 7/2 - Ponte Preta 5 x 2 Juventus -  V 10/2 - Ponte Preta 1 x 0 Rio Preto -  V 16/2 - Guaratinguetá 0 x 3 Ponte Preta -  V 20/2 - Grêmio Barueri 2 x 0 Ponte Preta - D 24/2 - Ponte Preta 0 x 1 Corinthians - D 2/3 - Ponte Preta 1 x 1 Portuguesa - E 8/3 - Marília 0 x 0 Ponte Preta - E 12/3 - Palmeiras 2 x 1 Ponte Preta -  D 16/3 - Ponte Preta 4 x 2 Guarani -  V 22/3 - Sertãozinho 0 x 2 Ponte Preta -  V 26/3 - Rio Claro 1 x 1 Ponte Preta - E 29/3 - Ponte Preta 3 x 2 Noroeste -  V 6/4 - Santos 2 x 2 Ponte Preta - E Semifinais 12/4 - Ponte Preta 1 x 0 Guaratinguetá -  V 19/4 - Guaratinguetá 1 x 2 Ponte Preta -  V 

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