Ponte volta a acreditar que escapa da queda

Mantendo a sua tradição de lutas inglórias, a Ponte Preta ressurgiu das cinzas. Antes da penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, no final de semana, o time campineiro era o único que poderia ser rebaixado antecipadamente para a Série B em 2 004. Mas o empate com o Flamengo, em 1 a 1, e os tropeços dos concorrentes a colocaram numa situação menos desesperadora. Para se livrar do descenso o clube centenário precisa de uma simples vitória sobre o Fortaleza, na última rodada, em Campinas.Mas o que parece fácil, está longe de ser realidade. O time passou todo o campeonato com enormes dificuldades para vencer diante de sua torcida. No próximo domingo vai ser completada a marca de 154 dias sem vitória no estádio Moisés Lucarelli, desde o dia 13 de julho, quando venceu por 1 a 0, o Bahia, coincidentemente agora o mais sério candidato ao rebaixamento. São 11 jogos sem vencer em casa. E são nove jogos sem vitória no Brasileiro, desde o dia 11 de outubro, quando vencer o arqui-rival, o Guarani, por 3 a 1, no estádio Brinco de Ouro.A Ponte ainda é penúltima colocada, com 47 pontos, mas chegaria aos 50 pontos em caso de vitória sobre os cearenses. Para o técnico Abel Braga, a situação é injusta "porque somente na última rodada é que seguramos a lanterna. Até então, nos mantivemos num patamar regular, na margem da proposta da diretoria que era ficar entre o 15º e 20º lugar".O clima de pessimismo que dominou o estádio na semana passada acaba de ser substituída por um fio de esperança de se manter na elite nacional. Os torcedores prometem lotar o Majestoso, aproveitando a promoção no preço dos ingressos colocados a R$ 5.Os jogadores, remanescentes de uma grande dissidência na temporada, também estão empolgados e prontos para disputar a vaga com o Fortaleza como se fosse uma decisão de título. "Para nossas carreiras será mesmo mais do que uma decisão. Imagine se a gente cai como é que fica ruim para todos", diz o experiente zagueiro Gerson, que voltará ao time após cumprir suspensão automática.Na sexta-feira, após a viagem da delegação para o Rio de Janeiro, o presidente Sérgio Carnielli reapareceu no clube depois de longo período de ausência provocado por vários problemas de ordem particular e pessoal. Este ano ele enfrentou problemas financeiros com sua empresa do ramo ótico e também esteve envolvido na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara dos Deputados que investigado o escândalo do Banestado, por evasão de divisas do país. Também ficou doente e se separou da esposa. "Infelizmente fui obrigado a me distanciar, mas vamos tirar a Ponte desta difícil situação", disse o presidente, que não poupou os 21 desertores que, segundo ele, "desrespeitaram o clube", bem como chamou de "oportunistas" procuradores e empresários que se aprove itaram da situação caótica do clube. Causou estranheza a declaração de que "a maioria dos salários está em ordem", contradizendo o que dizem os jogadores.De qualquer forma, existe a promessa de que algum dinheiro vai sair nesta semana para animar o elenco. Mas a semana promete também ser tensa, gerada pela expectativa de continuar entre os grandes times do Brasil. O futuro do clube, é claro, será decidido na última rodada, com muita emoção, bem ao estilo do time e do já calejado torcedor ponte-pretano.

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