População de Cianorte ignora partida

A cidade paranaense, conhecida como a capital do vestuário, entrou no mapa após o brilhante resultado de 3 a 0 sobre o galácticos do Parque São Jorge. Curioso, porém, é que seus habitantes parecem não estar preocupados com o jogo de volta, quarta-feira. Nas ruas, onde o comércio é a principal atração local - à noite, os casais de namorados saem para ver as vitrines e ficam horas admirando as lojas fechadas -, não se vêem camisas do clube, não há qualquer menção à partida e os torcedores, com raras exceções, não pensam em viajar a São Paulo. "Devem ir umas quatrocentas pessoas, se tanto", arrisca Ricardo Sartori, vice-presidente da Ira do Leão, torcida organizada da equipe com 500 inscritos, segundo ele. "O time é muito novo, tem só três anos, não há ainda torcedor fanático. E também, como o jogo vai ser no meio de semana, não dá para faltar no trabalho", justifica. Ele e outros dirigentes da organizada vão assistir ao confronto pela televisão. Dois telões para transmissão da partida estavam confirmados até hoje. Outras pessoas entrevistadas em Cianorte alegaram temer a violência na capital paulista. "A Gaviões (da Fiel, torcida corintiana) vai perseguir a gente, é melhor ficar aqui mesmo", afirmou o comerciante Leonardo Ribeiro, um dos mais empolgados com a equipe regional. "Mas queria estar lá só para gozar da cara deles depois de passarmos para a outra fase." Preocupação com a violência não é exclusividade dos torcedores. Os dirigentes contrataram 10 seguranças particulares para acompanhar a delegação na viagem e a todo momento perguntavam se era perigosa a região onde ficariam, no centro da cidade. O time ficará hospedado no Hotel Braston e fará seu último treino nesta terça-feira à tarde, no Centro de Treinamento do São Paulo.

Agencia Estado,

05 de abril de 2005 | 10h06

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