Laurent Gillieron/EFE
Laurent Gillieron/EFE

Por 'arquibancada limpa', final da Copa proíbe bandeiras políticas

Autoridades russas fazem lista de símbolos políticos autorizados a entrar no estádio no jogo entre França e Croácia

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2018 | 09h49

O que a bandeira independentista da Catalunha, símbolos fascistas croatas, a bandeira negra do Estado Islâmico ou a bandeira do Kosovo tem em comum? Nenhum deles poderá entrar no estádio de Moscou, neste domingo, para a final da Copa do Mundo.

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As autoridades russas distribuíram em todas as entradas do estádio listas com bandeiras e símbolos que precisam ser impedidos de entrar no local. A ordem já havia sido estabelecida desde o início da Copa. Mas, com todos os olhos do mundo na final deste fim de semana, a ordem é a de ter “um estádio limpo” de símbolos políticos.

A escolha do que pode ou não pode entrar, porém, não deixa de ser controverso. Se há um consenso internacional contra a presença de um símbolo do grupo terrorista EI, a posição é menos clara quando o assunto são bandeiras regionais. Um representante de uma embaixada estrangeira em Moscou confirmou ao Estado que a ordem prevê que não se entre no estádio com bandeiras de “estados não reconhecidos ou parcialmente reconhecidos”. 

O resultado é que o Kosovo, que já foi alvo de polêmicas na Copa diante do gol da Suíça, não pode ver sua bandeira dentro de um estádio russo. O Kosovo, porém, foi reconhecido pela Uefa para participar de seus campeonatos em 2016, ainda que dezenas de países pelo mundo ainda não reconheçam sua independência.

 

Um dos principais governos contrários à separação do Kosovo do território da Sérvia é justamente o Kremlin. Outra bandeira negada no estádio é a da Catalunha independente, ainda que a Uefa também tenha tolerado a prática em todos os jogos do Barcelona, no Camp Nou. 

Uma atenção especial, porém, foi tomada em relação à torcida croata. Parte dela é conhecida por sua simpatia a movimentos fascistas. O temor das autoridades é de que, em uma eventual vitória da seleção de Zagreb, símbolos fascistas sejam mostrados.

Para bloquear tal iniciativa, a segurança do estádio de Moscou recebeu ontem uma lista de duas páginas com todas as bandeiras proibidas e que poderiam estar de posse de torcedores radicais croatas. Algumas delas trazem a letra “U”, numa referência à Ustasa, o movimento revolucionário croata fundado nos anos 30 e que promoveu o assassinato de centenas de judeus, sérvios e dissidentes políticos.

A lista completa de bandeiras croatas proibidas pelas autoridades contém doze casos, além de uma dezenas de estilos de suásticas e símbolos neonazistas.

 

 

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