Daniel Leal Olivas/AFP
Daniel Leal Olivas/AFP

Por medo de contaminar o filho, atacante inglês se recusa a treinar

Troy Deeney, do Watford, diz que criança tem dificuldades respiratórias e seria um risco retornar aos treinamentos e voltar para casa depois

AFP, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2020 | 12h48

O atacante Troy Deeney, capitão do time inglês Watford, anunciou nesta terça-feira que vai se recusar a treinar em seu clube por temer levar o novo coronavírus para casa e infectar o filho recém-nascido. "Tínhamos de voltar esta semana. Eu disse que não iria", revelou Deeney em podcast esportivo, mostrando ser um fervoroso opositor à volta do futebol em meio à pandemia do coronavírus. "Meu filho de cinco meses tem dificuldades respiratórias. Não quero voltar para casa e colocá-lo em perigo", justificou o jogador.

Na segunda-feira, os 20 clubes da Premier League inglesa votaram a favor de retomar os treinamentos "em pequenos grupos e respeitando o distanciamento social". O Campeonato Inglês, suspenso desde março devido à pandemia, espera evoluir no futuro próximo para treinos com contato físico, antes de voltar a disputar a competição a partir de meados de junho e concluir a temporada. O futebol inglês segue os caminhos do Alemão, que já fez partidas oficiais sem público. 

Contudo, o vírus continua ativo na Inglaterra, país com o segundo maior número de mortes por COVID-19 no mundo, e testes regulares prometidos aos jogadores não são suficientes para tranquilizar Deeney. "Vamos ser controlados e estaremos em um ambiente muito seguro, mas uma só pessoa pode contaminar o grupo. Não quero levar (o coronavírus) para casa", argumentou o jogador, que vê incoerências na proposta da Premier League.

"Eu não poderei ir ao cabeleireiro antes de meados de julho, mas posso me juntar com 19 pessoas na área para disputar uma bola? Não vejo como isso pode funcionar", criticou. Deeney também lembrou do maior risco que a doença traz para pessoas negras, como ele, asiáticas ou de outras minorias étnicas. Uma pessoa negra (com idade, saúde e condições socioeconômicas iguais) tem um risco duas vezes maior de morrer caso seja infectada pelo coronavírus do que uma pessoa branca, de acordo com o escritório de estatísticas nacionais (ONS).

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