Por negócios, hoteleiros de Salvador torcem por Uruguai

Eles não admitem publicamente, mas muitos empresários e executivos de hotéis de Salvador estão na torcida pelo Uruguai na partida desta quarta-feira, em Belo Horizonte, contra o Brasil, pela semifinal da Copa das Confederações.

TIAGO DÉCIMO, Agência Estado

25 de junho de 2013 | 17h46

O motivo é financeiro: os estabelecimentos ficaram empolgados com o desempenho do setor no último fim de semana, quando a capital baiana recebeu a partida entre Brasil e Itália e esperam repetir a dose no próximo, quando a Arena Fonte Nova recebe a disputa pelo terceiro lugar na competição.

Segundo dados do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Salvador e Litoral Norte, a ocupação média dos hotéis da capital baiana no último fim de semana, mesmo com as manifestações populares, chegou a 99% - volume atípico na cidade, que geralmente vê em junho a pior época da baixa estação no ano. Como comparação, no outro jogo da fase classificatória disputado em Salvador, entre Uruguai e Nigéria, o setor registrou ocupação média de 74% nos estabelecimentos.

Segundo o presidente do sindicato, Silvio Pessoa, as reservas hoteleiras feitas até agora para o fim de semana na capital baiana, sem que se saiba quais as seleções que estarão na cidade, representam 46% do estoque de leitos de Salvador - 39 mil, no total.

A expectativa é que, caso o Brasil perca na semifinal, as atenções dos que acompanham a competição se voltem novamente para a cidade. Nesse caso, o Brasil disputaria o terceiro lugar com o perdedor da partida entre Espanha e Itália, que fazem a outra semifinal.

Apesar de justificável, a torcida contra a seleção nos hotéis é velada. "Por mais que a Copa das Confederações seja muito menos importante que a Copa do Mundo, se eu dissesse uma coisa dessas (que está torcendo contra o Brasil), poderia causar antipatia dos hóspedes, que são quase todos brasileiros", conta o gerente-geral de um hotel de uma rede internacional na cidade, que prefere não ser identificado. "Torcida é torcida, negócios à parte."

O sentimento é comum entre os colegas do ramo. "Agora, que não vale quase nada (a Copa das Confederações), dá para torcer contra, mas na Copa do Mundo vai ser diferente", pondera o proprietário de um pequeno hotel perto do Farol da Barra, que também pediu para não ser identificado. "No ano que vem, para mim, o importante é que a seleção vença, independente de a Salvador ou não."

Apesar da cautela dos hoteleiros, há muitos soteropolitanos que tampouco vão lamentar um revés da seleção contra o Uruguai. O bancário Maurício Nilo, de 28 anos, por exemplo, tem ingressos comprados para a decisão do terceiro lugar e sempre acreditou que veria o time brasileiro duas vezes em Salvador, este ano.

"Quando comprei, não achava que o Brasil fosse ficar na frente da Itália na fase de classificação", lembra o bancário. "Vou torcer para que vença o Uruguai, mas não vou ficar tão triste assim se perder", confessa.

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