Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Por novo estatuto, dona da Crefisa acena com mais R$ 50 milhões ao Palmeiras

Patrocinadora defende alteração no mandato para presidente do clube e afirma que adversários têm medo de enfrentá-la

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

17 Maio 2018 | 13h00

A batalha nos bastidores do Palmeiras antes da votação na próxima segunda-feira sobre a alteração do estatuto do clube tem nesta quinta-feira um novo capítulo. Defensora da mudança no tempo de mandato presidencial de dois para três anos, a empresária e patrocinadora do clube, Leila Pereira, dona da Crefisa, promove jantar em São Paulo para cerca de 200 conselheiros convidados e indica a possibilidade de ampliar investimentos em caso de êxito da empreitada.

Anfitrião do jantar, ela colocará na mesa seus argumentos e tentará com eles seduzir os palmeiremses a mudar o prazo de gestão de um presidente do clube. 

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A polêmica interna sobre a alteração do tempo de mandato de presidente do Palmeiras se divide em duas correntes. Uma delas defende que o cargo seja ocupado por três anos com possibilidade de uma reeleição. A outra quer dois anos de mandato com a chance de duas reeleições. As diferentes visões sobre o tema opõem figuras políticas rivais dentro do clube. Entre os defensores do triênio estão o atual presidente, Mauricio Galiotte, e Leila Pereira. Do outro lado está o ex-mandatário Mustafá Contursi.

Em entrevista exclusiva ao Estado, a dona de Crefisa disse estar empenhada em aprovar a mudança por considerá-la mais favorável à governabilidade do Palmeiras. "No Palmeiras quem defende esses dois anos é porque gosta de propagar o caos. Em um ano o presidente entra, se ajeita e no segundo já precisa sentar e negociar cargo com lideranças de grupos políticos", explicou.

Críticos da mudança afirmam que a alteração do estatuto e a adoção do novo sistema já para o vencedor do pleito do fim deste ano configura uma luta para beneficiar a si próprio. Se de fato o mandato de três anos for aprovado, permitirá a Leila concorrer ao cargo já em 2021, fator que na opinião dela contribui para a novidade não ser acolhida.

"Querem me tirar o direito de participar de um processo super democrático. Se não poder ser candidata em 2021, serei na próxima eleição, seja contra quem for. Não tenho medo de concorrer. As pessoas é que têm medo de concorrer com a Leila", afirmou a empresária, eleita conselheira do Palmeiras em fevereiro do ano passado e que lá atrás dizia não querer concorrer a nada dentro da política do clube porque não tinha tempo para isso. "Vou continuar lutando. Ninguém vai me segurar no Palmeiras", completou ela.

A decisão sobre a mudança no estatuto será definida em votação dos 280 conselheiros na segunda-feira. Para angariar apoio ao projeto, nas últimas semanas Leila realizou reuniões e convidou colegas para embarcarem em seu avião particular para ver jogos do time fora de casa, como em Buenos Aires e Curitiba, por exemplo.

"Eu não estou comprando o apoio de ninguém. As pessoas que estão comigo, apoiam o conceito, a ideia, e não a Leila. Sobre as minhas viagens, em que levo conselheiros, sempre fiz isso. Anteriormente a todo esse assunto da alteração do estatuto, sempre viajei. Eu tenho um avião grande e não vou viajar sozinha com meu marido", defendeu-se a empresária.

FUTUROS INVESTIMENTOS

Leila afirmou que a aprovação do mandato de três anos ajudaria a ampliar os investimentos da Crefisa para o Palmeiras. De acordo com a empresária, a mudança, se acompanhada de outros ajustes no estatuto, abre oportunidade para o clube receber mais incentivos pela Lei de Incentivo ao Esporte, que tem como uma das exigências contribuir com entidades esportivas que têm mandatos de presidente com apenas uma reeleição prevista.

"Eu consigo direcionar um valor para os esportes amadores do clube, por exemplo. Posso desembolsar uma quantia ao clube de mais de R$ 50 milhões", disse a empresária. Aliada do atual presidente Mauricio Galiotte, Leila promete renovar o contrato de patrocínio caso o mandatário seja reeleito no fim do ano. "Se o Mauricio entrar, esse contrato está renovado automaticamente. Se não for ele, vou precisar conversar, ver quem é o presidente... O contrato de patrocínio é de um valor exorbitante, que eu proporciono com muito prazer. Tenho o direito de saber se o dinheiro está sendo bem gerido", comentou, mostrando que seu apoio também deve ser encarado como um negócio de sua empresa e não apenas amor pelo seu clube do coração.

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