Por precaução, seleção brasileira viaja de trem na Inglaterra

Delegação nacional evita o aeroporto para fugir de possíveis protestos de torcedores insatisfeitos com saída de Coutinho

Almir Leite, enviado especial a Liverpool, O Estado de S.Paulo

02 Junho 2018 | 07h00

A seleção brasileira fez ontem uma viagem pouco comum para seus padrões. Trocou o avião pelo trem para vencer o percurso entre Londres e Liverpool, onde amanhã faz contra a Croácia o penúltimo amistoso antes da Copa do Mundo. A troca do ar pelos trilhos levou em conta a praticidade, mas também uma preocupação, que se mostrou injustificada, de que Philippe Coutinho fosse alvo de protestos de torcedores nessa sua volta à cidade depois de trocar o Liverpool pelo Barcelona, em janeiro.

O temor era de que um desembarque no aeroporto John Lennon pudesse facilitar xingamentos contra o jogador brasileiro, além do assédio de torcedores a ídolos como Roberto Firmino, um dos artilheiros do Liverpool, além, claro, a Neymar.

Essa foi uma das razões que motivaram a decisão pela viagem de trem, hipótese que já havia sido levantada em abril, logo após a confirmação do amistoso contra os croatas para Liverpool. A ideia foi abandonada e voltou a ser considerada nos últimos dias, quando enfim decidiu-se pelo trem. O tempo total gasto no deslocamento em relação ao avião, um pouco menor, também contou bastante.

Ainda assim, o esquema de segurança foi reforçado e foram tomadas providências como o desembarque na estação Runcorn, duas antes da estação central de Liverpool – 20 minutos de trem, que alcança até 200 km/h, separam as duas. E a chegada noturna, 20h08, também colaborou para a normalidade.

Na cidade, o Estado descobriu que a torcida do Liverpool já superou a perda de Coutinho. Em Anfield Road, não há mais nenhuma menção ao meia. A vez é de Roberto Firmino e, sobretudo, de Salah, exaltados em painéis e exposição de lembrancinhas na loja oficial dos Reds.

A viagem de trem da seleção brasileira teve a duração de 1h40 e os atletas jogaram cartas, liderados por Neymar, leram um pouco e assistiram a filmes. Alguns postaram vídeos e fotos em suas redes sociais.

No desembarque em Runcorn, um grupo de não mais de 15 pessoas estava presente. Alguns gritos tímidos de “Neymar” foram ouvidos e só isso.

Viagens de trem são raras na seleção brasileira. Em 2002, na Copa do Japão e da Coreia do Sul, a delegação usou este tipo de transporte num deslocamento para Hamamatsu (cidade na província de Shizuoka), onde enfrentou a Inglaterra nas quartas de final e venceu por 2 a 1.

Agora, a volta será no meio tradicional. A seleção retorna amanhã para Londres, logo depois do jogo, por avião.

CONTRATO

A comissão técnica da seleção brasileira, na realidade, queria fazer o amistoso contra a Croácia no estádio de Wembley, em Londres. O problema é que a arena não tinha datas disponíveis neste fim de semana. Hoje, por exemplo, a Inglaterra faz uma partida amistosa contra a Nigéria. Isso obrigou a procura de um outro local, desde que de fácil acesso e que a viagem fosse rápida. E a escolha recaiu sobre o Anfield Road, em Liverpool, a no máximo duas horas de Londres por trem expresso.

Até 2022, os amistosos do Brasil serão agendados pela empresa Pitch International, com sede em Londres. O contrato, assinado em agosto de 2012 pelo então presidente da CBF José Maria Marin, depois de uma articulação do seu antecessor, Ricardo Teixeira – renunciou em março daquele ano –, dá à companhia a exclusividade de comercializar, promover e organizar amistosos internacionais da seleção por dez anos.

BRASIL TREINA NO ANFIELD

O Brasil fará hoje à tarde, em Anfield Road, o último treino antes de pegar a Croácia. Neymar ficará no banco e a expectativa é de que Tite confirme que ele entrará no segundo tempo, no dia em que completa três meses da cirurgia a que foi submetido no quinto metatarso do pé direito.

Renato Augusto, com dores no joelho esquerdo, ficou em Londres para continuar fazendo fisioterapia. Douglas Costa, recuperado de lesão na coxa esquerda, treinará hoje, mas não participa da partida amistosa. Fagner, que nada mais sente da lesão na coxa direita, estará no banco.

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