Paulo Liebert/Estadão
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Por que não eu?

Em meu delírio, reivindico o direito de escalar a seleção brasileira na Copa América

Ugo Giorgetti, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2019 | 05h15

É uma vergonha que o Campeonato Brasileiro seja interrompido para a realização dessa insignificante Copa América, que não interessa a ninguém. Desinteresse, aliás, expresso pela ausência e silêncio tumular que cercaram os jogadores ao se apresentarem no local de treinamento. A época dessa Copa não poderia ser mais infeliz, já que o Brasileiro é uma grata surpresa, com vários jogos interessantes, revelação de novos jogadores e treinadores, e um consequente aumento de público, o mais numeroso em anos.

Para nossa sorte foram convocados apenas três jogadores que atuam no Brasil, o que significa que nossos jogadores pelo menos estão protegidos de contusões indesejáveis que prejudicariam a competição depois de terminada a Copa. Dos três convocados, aliás, só um corre risco, uma vez que os dois outros certamente se limitarão a assistir o torneio confinados ao banco de reservas. Talvez essa estatística mostre uma das causas do desinteresse do Brasil real pela seleção.

Para ver mais uma vez rostos que nos recordam derrotas mais do que inesquecíveis, contra Alemanha e Holanda, por exemplo, não há necessidade de escolher uma equipe técnica ou o que quer que seja. Não seriam necessárias nem mesmo as habituais viagens de observação dos jogadores. Era só ler o noticiário dos jornais europeus e chamar automaticamente quem consta nas escalações das equipes. Simples assim. 

Claro que esse procedimento é também uma rendição mais do que costumeira ao que um dia se costumava chamar de primeiro mundo, rendição total, e, pior, aceita com satisfação e com um sorriso obsequioso. Para os jogadores que um dia tiveram a ventura de ser convocados, não há nada mais agradável. Tem assegurado não só um momento na seleção, mas toda uma carreira. Não importa se percam e joguem mal, isso não mais influi em suas vidas, pois têm o futuro assegurado, adquiriram o privilégio de serem vitalícios.

Há jogadores nessa convocação cuja carreira já está além da meia-idade, no entanto estão lá. A seleção, através de seus dirigentes e de sua comissão, parece que adotou o conhecido sistema da Academia Brasileira de Letras ou do Supremo Tribunal Federal. Ou seja, de lá só se sai para a eternidade. Os jogadores que atuaram ou atuam na Europa são tratados como nunca foram nossos craques maiores. Com uma deferência que jamais se dedicou a um Newton Santos, a um Gylmar dos Santos Neves ou um Gerson, todos esses sujeitos a críticas algumas bem severas.

Vamos ver no que vai dar essa Copa América, a competição dos humilhados e ofendidos da terra e que, por isso mesmo, podemos até ganhar. Somos todos treinadores aqui no Brasil. Todos os que vivem o futebol têm direito à sua opinião no que diz respeito à seleção. Ainda mais porque diante de nós desfilam nossos craques, os que estão aqui, aqueles que nos acostumamos a seguir, a amar e odiar quando necessário. A maioria dos torcedores não tem como divulgar sua opinião nos grandes jornais. Eu tenho.  

Por isso, em nome dos torcedores brasileiros, concordem comigo ou não, reivindico o direito que todos temos de, por um momento, ser treinador do Brasil e, imperialmente, colocar em campo meu time. No auge do meu delírio, meu time para a Copa América seria: Fábio (Cruzeiro), Fagner (Corinthians), Dedé (Cruzeiro), Geromel (Grêmio) e Renan Lodi (Athletico-PR), Bruno Henrique (Palmeiras), Pituca (Santos), Luan (Grêmio), Dudu (Palmeiras), Pedro (Fluminense) e Bruno Henrique (Flamengo). Como treinadores: eu, evidentemente, ou Renato Gaúcho, Fernando Diniz ou Odair Hellman. E olhem que não consegui escalar gente como Vanderlei (Santos), Scarpa (Palmeiras), Everton (Grêmio), Fábio Santos (Atlético-MG), etc. Falta alguém de fora?

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