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Por R$ 105 milhões, empresa arremata Brinco de Ouro

Compradores querem ocupar a área o mais rápido possível

Lucas Sampaio, especial para O ESTADO DE S. PAULO

30 Março 2015 | 18h49

Estádio do único Campeão Brasileiro do interior, o Brinco de Ouro da Princesa, maior patrimônio do Guarani Futebol Clube, foi arrematado em leilão nesta segunda-feira, 30, por R$ 105 milhões. A proposta foi feita durante audiência pública no Fórum Trabalhista de Campinas, pela Maxion Empreendimentos Imobiliários, de Porto Alegre (RS), que se comprometeu a pagar 30% do valor à vista (R$ 31,5 milhões) e parcelar os R$ 73,5 milhões restantes em 12 vezes de R$ 6,125 milhões.

Campeão Brasileiro de 1978 sob o comando do atacante Careca, o Guarani afirmou que vai recorrer da decisão. A primeira medida, segundo o departamento de comunicação e marketing do clube paulista, será ingressar com embargos à arrematação. O presidente Horley Senna não foi encontrado para comentar a decisão.

A Prefeitura de Campinas também afirmou que vai recorrer, caso o estádio seja arrematado. Das cinco matrículas que fazem parte da área leiloada (83 mil metros quadrados ao todo), três pertencem ao Guarani (52 mil m2) e duas à administração municipal (os 31 mil metros quadrados restantes). 

Presente à audiência, o secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura de Campinas, Mário Orlando Galves de Carvalho afirmou que parte das matrículas do imóvel são de domínio do município, "que pretende usar todos os meio legais para defendê-las”. 

O leilão foi realizado porque o Guarani possui cerca de R$ 70 milhões em dívidas trabalhistas em fase de execução (quando não cabem mais recursos). Contando as ações trabalhistas em curso, o clube estima que a dívida seja de R$ 130 milhões. Com as dívidas tributárias e fiscais, esse valor sobe para aproximadamente R$ 250 milhões.

O Estado não conseguiu contato com o advogado Dárcio Vieira Marques, que apresentou a proposta em nome da Maxion. Com sede na avenida Sertório, número 3.612, na capital gaúcha, a empresa foi aberta em 19 de dezembro de 1996 e possui situação cadastral ativa, segundo a Receita Federal.

A proposta foi aceita pela diretora do Fórum Trabalhista, juíza Ana Claudia Torres Vianna. "É o fim de uma longa etapa, em que os trabalhadores terão seus débitos satisfeitos e o Guarani seguirá adiante”, afirmou a juíza titular da 6ª Vara Trabalhista.

A magistrada ressaltou que eventuais recursos terão tramitação prioritária, já que somente após o julgamento em segunda instância será expedido o mandado para que a empresa vencedora do leilão tome posse do estádio.

HISTÓRIA
O estádio, que fica em uma área nobre de Campinas e segundo o Guarani está avaliado em quase R$ 400 milhões, recebeu a seleção da Nigéria durante a Copa do Mundo de 2014, mas ficou embargado durante boa parte do ano passado, sem receber jogos do bugre, por problemas estruturais.

Inaugurado em 31 de maio de 1953, com vitória do Guarani sobre o Palmeiras (3 a 1), o Brinco de Ouro da Princesa recebeu uma partida da seleção brasileira (vitória por 2 a 1 contra a Bulgária, em 5 de maio de 1990, diante de 51.720 pagantes) e foi o palco decisivo das duas finais de Campeonato Brasileiro disputadas pelo clube.

Na primeira, em 13 de agosto de 1978, o Guarani derrotou o Palmeiras por 1 a 0, gol de Careca, e se sagrou o primeiro e único campeão brasileiro do interior, diante de 27.086 torcedores (três dias antes, havia vencido a primeira partida da decisão, também por 1 a 0, diante de 99.829 pessoas no Morumbi).

Na segunda, em 25 de fevereiro de 1987, as 37.370 pessoas presentes no estádio viram o bi-campeonato escapar após o mesmo Careca, agora no São Paulo, marcar o gol de empate da equipe rival no último minuto do segundo tempo da prorrogação. Com dois empates (1 a 1 no primeiro jogo, diante de 81.060 pessoas no Morumbi, e 3 a 3 no Brinco de Ouro), a decisão foi para os pênaltis e, apesar de Careca ter desperdiçado sua cobrança, o São Paulo venceu por 4 a 3.

O maior público registrado foi de 52.002 pagantes no estádio, na derrota do Guarani por 3 a 2 para o Flamengo, em 14 de abril de 1982, pela semifinal do Campeonato Brasileiro daquele ano. Seu nome foi surgiu graças a uma matéria publicada no jornal Correio Popular, de Campinas. Ao visualizar o formato circular da maquete do futuro estádio, o jornalista João Caetano Monteiro Filho escreveu que ele seria um "brinco de ouro para a princesa", em alusão à alcunha da cidade, conhecida como a "Princesa D'Oeste". O apelido se popularizou e se tornou o nome oficial do estádio do Guarani.

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