Estadão
Estadão

Por título, equipes paulistas são obrigadas a mudar de foco

Em dificuldade na corrida ao título nacional e ameaçados de ficar fora do G-4, clubes de São Paulo devem priorizar outros torneios

O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2014 | 07h00

Derrotas na rodada do fim de semana diminuíram as chances de São Paulo, Corinthians e Santos brigarem pelo título do Brasileirão e colocaram em risco a disputa por uma vaga na Libertadores. Diante desse cenário difícil e complicado, os três devem recorrer às Copas do Brasil e Sul-Americana como salvação da temporada.

A dez pontos do líder Cruzeiro e com dez rodadas restantes, o Corinthians já admite deixar de lado o Campeonato Brasileiro e agarrar a Copa do Brasil como a última chance de título. Diante do Atlético-MG, nesta terça-feira, pode carimbar sua passagem à semifinal - venceu o jogo de ida por 2 a 0, no Itaquerão.

Disputar a Libertadores é uma prioridade no clube e o caminho para chegar até ela pelo Brasileiro é arriscado. A equipe tem perdido pontos para adversários da parte de baixo da tabela e tem uma forte concorrência por uma vaga no G-4 com Internacional, São Paulo, Atlético-MG e Grêmio.

“A Copa do Brasil é teoricamente mais fácil de conquistar. Podemos chegar até a semifinal e já largamos na frente do Atlético”, disse o goleiro Cássio.

Levar a Copa do Brasil como prioridade é ainda fundamental para o técnico Mano Menezes se garantir no cargo. Com as eleições presidenciais do clube marcadas para fevereiro, a manutenção do comandante em 2015 está sob suspense, mas a continuidade pode ganhar um argumento importantíssimo com a conquista da taça, a mesma que o treinador levantou pelo clube em 2009.

O São Paulo chegou ao fim de semana com o sonho do heptacampeonato vivo graças às vitórias sobre Grêmio e Atlético-PR, mas o tropeço diante do Atlético-MG mais uma vez expôs as dificuldades de o time enfrentar o líder em igualdade de condições. Tivesse vencido, a distância cairia para quatro pontos, mas o revés não só manteve a distância em sete como permitiu que o Inter roubasse a vice-liderança, com 50 pontos, um a mais do que o Tricolor.

Ainda assim, o clube reluta em abraçar a Copa Sul-Americana e deixar o Brasileiro como “bônus” da temporada - o time está nas oitavas de final e venceu o jogo de ida contra o Huachipato, do Chile, por 1 a 0.

Muricy Ramalho mais de uma vez demonstrou o descontentamento por ter de disputar a competição e só não poupará jogadores porque o elenco está esfacelado por causa de lesões e convocações para seleções. “Essa viagem (ao Chile) vai nos arrebentar, será dificílima”, lamentou o treinador, que aposta no retorno de Ganso e Alvaro Pereira para apresentar um volume de jogo maior.

As reclamações ganham eco em parte da diretoria. O presidente Carlos Miguel Aidar é um feroz crítico do formato da Sul-Americana e já chamou a competição de desinteressante e mal organizada. Já o vice de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, defende que um título internacional valoriza o clube, ainda que a disputa não tenha o mesmo peso da Libertadores. Foi Ataíde quem conversou com Muricy e fez o treinador mudar de ideia e escalar força máxima no jogo contra o Criciúma, na fase nacional. O técnico, até então, queria mandar a campo o time misto mesmo tendo perdido o duelo de ida por 2 a 1.

Outro ponto que torna a Sul-Americana atraente para Ataíde é que, caso chegue à decisão, o Tricolor fará o último jogo em casa e Rogério Ceni teria, assim, a chance de se despedir do futebol com um título - e no Morumbi lotado. Caso contrário, o goleiro se aposentará contra o Sport, possivelmente na Arena Pernambuco.

No Santos, o técnico Enderson Moreira disse na semana passada que ainda não é hora de priorizar uma das competições que o time disputa, mas é clara a sua opção pela Copa do Brasil. A escolha da competição como tábua de salvação da temporada é mais do que justificável. Depois do jogo de volta contra o Botafogo (o Santos ganhou o jogo de ida, no Maracanã, por 3 a 2 e avançará mesmo se perder por 1 a 0 ou 2 a 1), restarão quatro jogos e Robinho, que coloca o time em um patamar superior, estará presente, bem como Aranha, Mena e outros titulares experientes.

O caminho para o G-4 no Brasileirão é bem mais difícil para o Santos porque o Cruzeiro já é o dono de uma das vagas na Libertadores e as três restantes são disputadas arduamente por Internacional, São Paulo, Atlético-MG, Grêmio e Corinthians, que, por enquanto, revezam-se entre os primeiros colocados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.