Por todo o País, mortes após brigas de torcidas mancham o futebol

Apenas nos últimos anos, foram registradas tragédias em clássicos paulista, carioca, mineiro, paranaense e até alagoano

Fábio Hecico, O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2014 | 12h09

SÃO PAULO - A morte do santista Márcio Barreto de Toledo, de 34 anos, agredido por são-paulinos na noite deste domingo, serve apenas para provar que a violência está longe de ser banida do futebol. Há uma semana, jogadores corintianos e palmeirenses se reuniram para a organização do "clássico da paz", mas houve briga nas intermediações do Pacaembu. Sete dias depois, a capital registra mais um homicídio em confusão entre torcedores. Brigas e mortes estão virando cada vez mais comuns em jogos entre rivais. 

Nos últimos três anos, os encontros entre palmeirenses e corintianos, por exemplo, foram manchados de sangue. Em brigas marcadas pelo internet, mães choraram a perda de três jovens. A começar por Douglas Silva, de 27 anos, que após um jogo do time no Pacaembu, cruzou com arquirrivais no bairro da Casa Verde e acabou atirado no Rio Tietê, morto de forma brutal.

A triste revanche corintiana veio um ano depois, em guerra campal na Avenida Inajar de Souza, na zona norte de São Paulo. Num confronto violento, sobrou para André Alves Lezo, de 21 anos, baleado, e Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira, de 19 anos, atingido na cabeça com uma barra de ferro. Cerca de 300 torcedores brigaram naquele dia.

ORURO

Semana semana, a polícia apreendeu alguns corintianos acusados de invasão ao CT do clube. Com esses torcedores, foram encontradas bombas e rojões. Artilharia pesada. Devido aos artifícios, o boliviano Kevin Spada acabou morto num jogo entre Corinthians e San Jose em Oruro, na Libertadores. Ele tinha 14 anos e foi atingido por um sinalizador atirado pela torcida do Corinthians. 12 torcedores foram presos em Oruro, na Bolivia, mas todos já foram soltos.

Outro clássico que acabou em morte foi entre Guarani e Ponte Preta em 2012. O bugrino Anderson Ferreira, de 28 anos, teve morte cerebral após ser espancado com golpes de barras de ferro e pedaços de madeira.

NO RIO

A violência no futebol não é exclusividade dos torcedores paulistas. No Rio, a rivalidade entre Flamengo e Vasco também terminou em tragédia. O flamenguista Germano Soares da Silva, de 44 anos, foi morto após briga na Praça XV em 2011. Menos de 12 meses depois, foi a vez do rubro-negro Bruno de Santana Saturnino, de 31 anos, não resistir aos golpes desferidos por enfurecidos vascaínos após uma derrota para o Botafogo. A revanche veio com emboscada ao cruzmaltino Diego Martins Leal, de 30 anos, antes de um clássico no Engenhão. Anderson Ferreira Ribeiro, de 19 anos, foi outro cruzmaltino assassinado antes de um jogo. Ele levou um tiro na coxa e não resistiu aos ferimentos.

PELO BRASIL

Em Belo Horizonte, cruzeirenses e atleticanos costumam engrossar a estatística de vítimas da ignorância das torcidas organizadas. Integrante da Máfia Azul, do Cruzeiro, Otávio Fernandes, de 19 anos, foi agredido até a morte por três membros da torcida rival em 2010. Um ano antes, o atleticano Lucas Batista Marcelino, 20 anos, não sobreviveu após levar um tiro no pescoço. A polícia mineira ainda investiga a morte de um garoto com calça da Máfia Azul no início do mês em Esmeraldina, região metropolitana de BH. Ele foi baleado.

No fim de 2013, um torcedor do Vitória de apenas 14 anos acabou morto por fãs do Bahia em briga no Largo do Tanque, no Bairro da Liberdade, área central de Salvador. O encontro entre os tricolores da organizada Imbatíveis e os rivais da Bamor ainda registrou dois feridos gravemente.

Em Curitiba, o paranista Diego Henrique Raab, de 16 anos, da Fúria Independente, levou um tiro no rosto disparado por integrantes da Fanáticos, do Atlético-PR. O crime aconteceu em 2012. Ano passado, após o Atletiba, as torcidas se enfrentaram em vários pontos da cidade.

A selvageria de torcedores chegou a Maceió em dezembro de 2013. Rodrigo de Oliveira Santos, 23 anos, membro da Mancha Azul, torcida do CSA, foi baleado por um suposto rival da torcida do CRB.

FÚRIA NO BRASILEIRÃO

No Brasileiro passado, as torcidas aprontaram muito também, e em cenas horríveis. Corintianos e vascaínos se digladiaram nas arquibancadas do Mané Garrincha. São-paulinos e flamenguistas se pegaram no estádio. Na rodada final, foi a vez de os vascaínos encararem os torcedores do Atlético-PR em Joinville. As cenas foram fortes, com pisões e chutes na cabeça de torcedores desacordados. Por sorte, ninguém morreu, apesar de quatro torcedores serem levados ao hospital em estado grave.

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