Michael Buholzer/AFP
Michael Buholzer/AFP

Por US$ 2 mi, Platini desistiu da presidência da Fifa em 2011

Ex-jogador e Blatter devem ser afastados nos próximos dias

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2015 | 19h55

Michel Platini desistiu de concorrer à presidência da Fifa, em 2011, poucas semanas depois de receber cerca de US 2 milhões de Joseph Blatter.  Ambos devem ser afastados do futebol nos próximos dias, numa reviravolta importante na eleição na entidade, marcada para fevereiro de 2016. 

Na última sexta-feira,  o Ministério Público da Suíça promoveu uma operação nos escritórios da Fifa, obrigando funcionários a se sentar no chão, fechando todas as saídas dos estacionamentos e lacrando os escritórios de Blatter, investigado por corrupção. Um processo já foi aberto e, sob suspeita, fontes indicam que ele "não terminaria a semana". 

Platini, até então considerado como franco favorito para as eleições, também passou a ser implicado, justamente pelo recebimento dos recursos. Oficialmente, ele alega que o dinheiro era um pagamento por um trabalho realizado entre 1999 e 2002. Mas fontes da Fifa que estavam naquele momento na entidade confirmaram ao Estado que Platini aparecia em Zurique apenas dois ou três dias por mês. Agora, investigações foram abertas e mesmo nas casas de apostas de Londres, o francês já não é mais o favorito para vencer as eleições de fevereiro na Fifa. 

A suspeita da Justiça era de que o dinheiro foi uma compensação dada por Blatter para que Platini não apresentasse sua candidatura contra ele em 2011. Os dois cartolas negam qualquer crime. Mas, há quatro anos, a desistência do francês foi considerada como uma "surpresa". Ele havia recebido o apoio de Mohamed Bin Hammam, chefe na época da Confederação Asiática de Futebol. Mas, em maio daquele ano, Platini assinou uma carta conjunta da Uefa dando apoio à Blatter

Na prática, a nova etapa da polícia deixou a Fifa e o futebol internacional sem governo. Jerome Valcke, secretário-geral da entidade, foi afastado na semana passada e um dos principais vice-presidentes, Jeff Webb, está preso. 

Hoje, o comando real está nas mãos de Domenico Scala, responsável pela reforma da entidade e, acima de tudo, pela Auditoria da Fifa. Outro no comando do futebol é Cornel Borbely, investigador independente e com o poder nesta semana de colocar um fim ao reinado de Blatter e aos sonhos de poder de Platini. 

Se Blatter cair nesta semana, quem assume oficialmente é Issa Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol e que desde os anos 80 manda na região. Na Fifa, porém, ele seria apenas uma "rainha da Inglaterra", sem poder e nem prestígio. 

Na Uefa, Platini pode também ser obrigado a deixar o cargo.

FBI

Não é apenas na Fifa que os advogados mandam. Diante do caos instalado no futebol mundial, os dirigentes esportivos e empresas estão sendo obrigados a negociar com o FBI a realização da Copa América de 2016, nos EUA. O Estado apurou com exclusividade que tanto a Conmebol como a Concacaf mantiveram reuniões com a polícia americana, na esperança de garantir o evento. Enquanto isso, em Zurique, Joseph Blatter ameaça ser suspenso nos próximos dias. 

O torneio hemisférico está no centro do escândalo mundial de corrupção no futebol, já que empresas que detinham os direitos para a Copa América foram pegas pagando subornos a dirigentes de toda a região, entre eles José Maria Marin. 

Na semana passada, tanto o presidente da Conmebol, Juan Napout, como o presidente da US Soccer, Sunil Gulati, estiveram reunidos em Zurique para tentar encontrar uma solução para o evento que deve ocorrer nos EUA. 

Mas, segundo fontes, a real negociação ocorre com o FBI, que quer ver todos os contratos e ter garantias de que nenhum dos acordos foi assinado mediante o pagamento de propinas. Contratos como de empresas como a Pitch e outras foram examinados e a Justiça tentará definir as condições do torneio nos próximos meses.  

Napout apenas insiste que a Conmebol "ainda quer a realização" do torneio. "Mas não depende de nós", admitiu. 

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