Porta dos fundos: Emerson pode repetir trajetória de ídolos do Corinthians

Jogadores como Rivellino e Marcelinho Carioca tiveram saídas traumáticas do Parque São Jorge

Renan Fernandes, O Estado de S. Paulo

25 de março de 2014 | 14h39

SÃO PAULO - Autor de gols decisivos na conquista do Corinthians da Libertadores de 2012, o irreverente e polêmico Emerson Sheik está próximo de deixar o Parque São Jorge pela porta dos fundos e repetir os passos de outros grandes ídolos da história do clube. Sem marcar desde 31 de junho de 2013, o atacante caiu em desgraça já no fim do trabalho de Tite. A situação piorou quando apareceu nas redes sociais dando um 'selinho' em um amigo.

Sem crédito com Mano, Emerson não foi sequer relacionado para as últimas partidas do Corinthians no Campeonato Paulista e tem sido preterido até pelo garoto Malcom, de 17 anos. O veterano de 35, teve seu nome ligado a diversas equipes como Grêmio, Atlético -PR, Santos e agora Botafogo, mas seu alto salário atrapalha qualquer transferência. O fato é que a cada dia que passa, o jogador se desgasta com a torcida e seus gols contra o Boca Juniors na decisão da Libertadores parecem ter outro peso.

A situação de Sheik não é inédita no Corinthians. Apontado pela Fifa como o sexto maior camisa 10 de todos os tempos do futebol, Roberto Rivellino foi responsabilizado pela derrota por 1 a 0 contra o Palmeiras, na final do Campeonato Paulista de 1974, e por isso enfrentou a ira da torcida corinthiana. Após 474 jogos,  114 gols e nenhum título, o 'Reizinho do Parque' praticamente foi exilado no Rio de Janeiro, onde brilhou com a camisa do Fluminense. Emerson não é Rivellino, mas o atacante começa a sentir o dissabor de ser apontado pelo fracasso do time neste começo de temporada.

ANOS 90

A década de 1990 foi vitoriosa para o Corinthians e também foi marcada por muita confusão. Jogadores como Neto, Rincón e Edilson conquistaram títulos importantes, o carinho do torcedor, mas também caíram em desgraça e deixaram o Parque São Jorge sem tapete vermelho. 

Talvez o nome mais emblemático deste período seja Marcelinho Carioca. Comandante do time que conquistou os Campeonatos Brasileiros de 1998 e 1999, além do Mundial de 2000, o meia teve sério desentendimento com Vanderlei Luxemburgo e Ricardinho e foi afastado do elenco em 2001. Depois, o grupo, liderado pelo próprio Ricardinho, convocou os jornalistas para apoiar a decisão do treinador. O desgaste acabou arranhando a imagem do Pé de Anjo, que deixou o time sem grandes pompas. Ao todo, Marcelinho fez 432 jogos e marcou 206 gols, transformando-se no quinto maior artilheiro da história do Corinthians.

Em 2006, a torcida ainda teve uma relação de amor e ódio com um dos seus últimos grandes ídolos. Rosto da MSI (parceiro liderado pelo iraniano Kia Joorabchian) e do título do Brasileirão de 2005, Carlitos Tevez cativou os fãs com raça, determinação e gols, muitos gols. Mas no fim de sua passagem, o temperamental argentino mandou a torcida se calar ao comemorar um gol contra o Fortaleza. O gesto inflamou alguns corintianos, que deferiram socos e pontapés no carro do jogador quando ele deixava o Morumbi. Encerrava assim a trajetória do 'Apache' pelo Brasil, que , após marcar 46 gols em 78 jogos, rumou para o West Ham, da Inglaterra.

Recentemente, o presidente do Corinthians, Mário Gobbi, disse que o atacante Paolo Guerrero foi atacado por torcedores durante a invasão ao CT Joaquim Grava. A história foi desmentida, mas isso não apaga o fato de que a dupla titular de atacantes do Corinthians na conquista do Mundial de Clubes, contra o Chelsea, Guerrero e Emerson, já não conta com tanto prestígio junto à Fiel.

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