Franck Fife e Francisco Leong/AFP
Griezmann e Cristiano Ronaldo protagonizam grande duelo em decisão Franck Fife e Francisco Leong/AFP

França e Portugal decidem o título da Eurocopa em Saint-Denis

Final marca confronto entre Griezmann e Cristiano Ronaldo, duas das estrelas da competição

Andrei Netto, correspondente em Paris, O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2016 | 07h00

França e Portugal fazem neste domingo a final da Eurocopa 2016 em uma circunstância particular: atletas das duas seleções jogarão em casa. A partida será realizada às 16h no Stade de France, em Saint-Denis, na periferia de Paris – a cidade mais portuguesa da Europa fora de Portugal. Com mais de 750 mil portugueses vivendo em solo francês, a capital foi dividida entre o orgulho do azul, vermelho e branco da equipe de Antoine Griezmann e o verde e vermelho do time de Cristiano Ronaldo. Favorita, a França pode ser tricampeã.

O favoritismo francês se explica pela campanha dos dois times. Exceção feita à semifinal com a Alemanha, vencida por 2 a 0 na quinta-feira, no estádio Velodrome, em Marselha, a equipe de Didier Deschamps não teve dificuldades para passar por adversários de menor expressão, como Romênia, Albânia e Suíça na fase de grupos, além de Irlanda e Islândia – que bateu a Inglaterra – na fase eliminatória. Nesses confrontos os Bleus somaram cinco vitórias e um empate, além do melhor ataque da competição.

Já Portugal teve um percurso atípico para um finalista. Classificado em terceiro da sua chave, que tinha Hungria, Islândia e Áustria como adversários, empatou todos os jogos da fase de grupos, classificando-se em terceiro. Nas oitavas, venceu a Croácia por 1 a 0, voltou a empatar contra a Polônia nas quartas e só venceu sua segunda partida na semifinal contra o País de Gales, quando fez 2 a 0. Em nenhuma ganhou no tempo regulamentar.

Nas estatísticas, a diferença de trajetórias é marcante. De um lado, a França soma 13 gols, marcando em 16,7% das vezes em que chuta a gol. Portugal marcou ao todo oito gols, com taxa de conversão inferior: 9,6% de suas finalizações. Enquanto Griezmann, herói da campanha francesa, é o artilheiro do campeonato, com 6 gols, Cristiano Ronaldo soma 3 – o mesmo que outros dois adversários, Giroud e Payet.

Não bastasse a diferença de campanhas, o histórico dos confrontos entre as duas seleções também é favorável aos verdadeiros donos da casa. Desde 1926, França e Portugal se enfrentaram 24 vezes, com uma vantagem avassaladora: 18 vitórias francesas. Três confrontos são considerados históricos: as semifinais da Euro de 1984 e de 2000 e a semifinal da Copa do Mundo de 2006. Em todas, a vantagem foi dos Bleus, graças aos gols dos ídolos Michel Platini e Zinedine Zidane.

As comparações estatísticas e o histórico dos confrontos, entretanto, escondem que as duas equipes jogam de forma parecida, com ênfase na troca de passes e triangulações, na marcação sob pressão e na rápida criação de jogadas ofensivas. A equipe do técnico Fernando Santos foi a segunda em número de passes em toda a competição, 3,1 mil, perdendo apenas para a Alemanha, que ultrapassou os 4 mil passes. A França de Deschamps vem logo atrás, em terceiro, com 2,8 mil passes.

Números à parte, na sexta-feira, jogadores das duas equipes ressaltaram, como de praxe, a dureza do confronto. Para o volante francês Blaise Matuidi, sua geração – a primeira bem-sucedida desde a equipe de Zidane e Thierry Henry –, a final da Euro 2016 é o jogo de suas vidas. "Jamais há um favorito para uma final. Portugal fez uma grande competição, e nós também. Eles têm grandes jogadores, e nós também", ressaltou. "É 50% a 50%."

Do lado português, Cristiano Ronaldo, hoje com 31 anos, tem a chance de sua vida de fechar a ferida da derrota na decisão da Euro 2004, quando a Portugal de Luiz Felipe Scolari, jogando em casa, perdeu para a Grécia por 1 a 0, em uma zebra histórica. Para o ídolo do Real Madrid, a equipe de Deschamps é "um pouco mais favorita", mas isso não significa que o título esteja decidido. "A França tem uma equipa fantástica", entende Ronaldo. "Mas é uma final, onde tudo é possível."

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Franceses têm chance de entrar para galeria dos supercampeões europeus

Depois de dez anos de frustrações e vexames, que incluíram uma greve de jogadores em plena Copa do Mundo da África do Sul, em 2010, a seleção da França volta na <a href="http://esportes.estadao.com.br/classificacao/futebol/eurocopa/2016">Euro 2016</a> ao rol das grandes do futebol mundial com a chance de entrar para a história. Caso vença Portugal neste domingo, no Stade de France, a equipe de Didier Deschamps alcançará o tricampeonato da Europa, igualando-se em número de títulos aos dois maiores vencedores do torneio de nações: Alemanha e Espanha.</p>

Andrei Netto, O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2016 | 07h00

A competição também afirma uma nova geração de jogadores, a primeira a dar certo com a camisa azul desde que ídolos como Zinedine Zidane, Thierry Henry e Didier Deschamps deixaram os gramados. Dez anos depois de chegar à final da Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, e perder nos pênaltis para a Itália, a França encerra um longo jejum de frustrações. E mais uma vez o reencontro entre a torcida e a equipe se dá em casa, onde os Bleus se mostram difíceis de serem batidos – uma lição que a Seleção Brasileira aprendeu no 3 a 0 de 1998.

Sem um ídolo indiscutível, da envergadura de Platini ou Zidane, a equipe de Deschamps deixou de lado nomes experientes, como Ribéry e Benzema, e apostou tudo na renovação. Atletas como Pogba, Payet e Giroud se afirmaram na equipe, mas nenhum fez uma competição tão consistente quanto Antoine Griezmann, atacante do Atlético de Madrid. Depois de superar dois traumas em seis meses – sua irmã sobreviveu ao atentado de 13 de novembro de 2015 na casa de shows Bataclan, e seu clube perdeu uma final de Champions League depois que ele próprio desperdiçou um pênalti – o jovem de 25 anos, admirador do futebol sul-americano, ganhou status de ídolo na França e já é tido como um dos candidatos à Bola de Ouro de 2016.

Renovada, a equipe de Deschamps tem agora como desafio confirmar o favoritismo. Para Joachim Löw, técnico da Alemanha, eliminada na quinta-feira, não restam muitas dúvidas de qual é a melhor equipe na final da Euro 2016. "Creio que a França vencerá Portugal, que não mostrou grande coisa até aqui", disse Löw, sem esconder uma pitada de amargura – e de arrogância. "Ainda que nós tenhamos sido melhores."

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