Daniel Teixeira|Estadão
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Portuguesa completa 100 anos; relembre a trajetória do clube

Confira jogos, títulos e jogadores da Lusa, que passou por altos e baixos ao longo das décadas

André Carlos Zorzi , O Estado de S.Paulo

Atualizado

  Daniel Teixeira|Estadão

A Associação Portuguesa de Desportos, tradicional clube de São Paulo, comemora seu centenário nesta sexta-feira, 14 de agosto. O Estadão faz uma retrospectiva sobre os principais momentos dos 100 anos de história do time.

Início e ascensão

A Portuguesa foi fundada em 14 de agosto de 1920, e aceita pela Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) em setembro. Sem espaço entre os oito da primeira divisão, o clube foi atrás de uma parceria com o Mackenzie, que vinha em decadência. A fusão foi concretizada em 11 de outubro daquele ano, pouco antes do primeiro jogo da história da equipe, uma derrota por 3 a 0 para o São Bento da capital, em 7 de novembro. O primeiro após o fim da união, já como "Portugueza de Esportes", ocorreu em 22 de abril de 1923, uma derrota por 4 a 1 para o Corinthians.

Os momentos iniciais de destaque viriam somente na década seguinte. No estadual de 1933, venceu o Palestra Itália, que vinha de longa sequência invicta, e terminou na 3ª posição, repetida em 1934.

O bicampeonato paulista em 1935/36

Uma cisão no futebol paulista gerou a divisão dos times em duas federações: a própria APEA e a Liga Paulista de Futebol (LPF). Clubes como Santos, Corinthians, Palestra Itália e São Paulo migraram para a LPF, enquanto a Portuguesa permaneceu na APEA. Em 1935 e 1936, a rubro-verde decidiu o título na última rodada, contra o Ypiranga.

Em uma disputa final de "melhor de três" após terem a mesma pontuação na tabela, as equipes empatavam quando houve pênalti para a Lusa. O adversário abandonou o campo em protesto ("infundado", segundo o Estadão da época) e foi declarada vitória lusitana. No jogo seguinte, o time venceu por 5 a 2 e conquistou seu primeiro título. Na temporada seguinte, uma goleada por 6 a 1 na última rodada garantiu o bicampeonato.

Em 1937, a boa fase foi interrompida quando os associados decidiram se filiar à LPF, e a Portuguesa acabou passando um 'ano sabático', sem jogos oficiais. Três anos depois, em 1940, o clube sagrou-se vice-campeão paulista pela primeira vez.

Consolidação na década de 1950

Durante 13 anos consecutivos, entre 1945 e 1957, a Lusa terminou o Paulistão entre os cinco melhores do Estado. Indício de que a equipe vivia sua melhor fase até então. Foi nesse período, por exemplo, que vieram as históricas goleadas sobre o Corinthians, por 7 a 3, em 1951, e contra o Santos, que seria campeão paulista semanas depois, por 8 a 0, em 1955.

Nomes como Djalma Santos, Julinho Botelho, Muca, Nena, Nininho, Pinga I, Simão, Brandãozinho permanecem até hoje no imaginário da torcida, que também comemorou os títulos do Torneio Rio-São Paulo em 1952, diante do Vasco da Gama, e 1955, diante do Palmeiras.

Foi na década de 1950 que o clube trouxe a 'tri-fita azul' ao Canindé. A condecoração era dada pela Gazeta Esportiva às equipes que voltassem invictas ou representassem bem o Brasil no exterior. Em 1951, a Portuguesa voltou sem derrotas de excursão a Turquia, Espanha e Suécia, com relevante vitória sobre o Atletico de Madrid, na disputa do Troféu San Isidro, por 4 a 3. Em 1953, a viagem foi ao Peru e à Colômbia, e em 1954, à Inglaterra (onde acabou perdendo um jogo, diante do Arsenal, por 7 a 1), França, Bélgica, França e Turquia.

Em 11 de novembro de 1956, foi inaugurada a Ilha da Madeira, como era conhecido o campo em que a Portuguesa jogaria nas décadas seguintes, ainda sem as arquibancadas de concreto, mas no mesmo local de hoje. A estreia foi uma vitória por 2 a 0 sobre um combinado entre os times do São Paulo e Palmeiras.

Na década seguinte, destacam-se o vice-campeonato de 1960, disputando o título com o Santos de Pelé, e o terceiro lugar em 1964, quando chegou à última rodada sendo o único time com chances de tirar o título santista - o que não foi possível após derrota por 3 a 2. Foi nos anos 1960 que surgiu Ivair, o 'Príncipe', outro jogador marcante da história rubro-verde.

Inauguração do Canindé e título dividido em 73

Outro grande momento da história da Portuguesa ocorreu na primeira metade da década de 1970. Em 9 de janeiro de 1972, a Ilha da Madeira deu lugar ao Estádio Independência - nome oficial do Canindé, à época. A alteração para o atual Dr. Oswaldo Teixeira Duarte ocorreria apenas em 1979. A partida de inauguração foi uma derrota por 3 a 1 diante do Benfica, de Portugal.

Em 1973, o time chegou à final do Paulistão contra o Santos. Após empate por 0 a 0, em momento polêmico e até folclórico, o árbitro Armando Marques encerrou a disputa de pênaltis quando a Portuguesa ainda poderia reverter a contagem. Os atletas comandados por Oto Glória saíram rapidamente do estádio e o título foi decidido fora de campo, dividido entre as duas equipes. É o último título da Portuguesa em uma primeira divisão até hoje. Um dos destaques da campanha foi Enéas de Camargo, outro ídolo do clube, que dividia os treinos no Canindé com o Exército, ao qual servia simultaneamente. Ele morreria em 1988, em acidente de carro.

Com nomes como Badeco, Dicá, Calegari, Wilsinho e o goleiro Zecão, o time manteve a base e chegou novamente à final dois anos depois, em 1975, contra o São Paulo. Com duas partidas no Morumbi, a Lusa perdeu a ida por 1 a 0 e devolveu o placar na volta. Nos pênaltis, 3 a 0 para o tricolor.

Primeiras boas campanhas no Brasileiro e mais um vice em 85

A Portuguesa foi presença frequente no Campeonato Brasileiro desde as suas primeiras edições, apesar de não ter tido muito destaque na década de 1970. Em 1984, o time chegou à fase de mata-mata pela primeria vez, disputando as quartas de final. Porém, vieram duas derrotas para o Vasco: 5 a 2 no Pacaembu e 4 a 3 em São Januário.

No Paulistão de 1985, após o título simbólico de campeã do 1º turno, a Portuguesa chegava a uma final depois de 10 anos, novamente contra o São Paulo. Jogadores como Edu Marangon, Jorginho, Luis Müller e Luís Pereira acabaram sendo derrotados nas duas partidas no Morumbi, por 3 a 1 e 2 a 1.

Em 1986, o clube deu rara demonstração de força nos bastidores durante a disputa do nacional. Em situação envolvendo doping de um jogador do Sergipe, o Joinville acabou sendo beneficiado e 'roubando' a vaga do Vasco da Gama na fase seguinte. A CBF, então, buscou uma ação movida pela Lusa na Justiça Comum semanas antes, referente à divisão do valor da venda de ingressos à federação, e excluiu o time do torneio. A diretoria lusitana conseguiu o apoio de outros clubes paulistas, que fizeram pressão contra a CBF, que acabou reintegrando a Lusa ao campeonato. A equipe avançou até as oitavas de final, sendo eliminada pelo América-RJ.

Em 1988, a Lusa foi o melhor paulista no Brasileirão, com a 4ª melhor campanha da 1ª fase. O time, porém, ficou de fora das quartas por conta do regulamento - a vaga pela pontuação geral ficou com o Bahia, que tinha um ponto a mais se tornaria campeão àquele ano.

Os últimos 'anos dourados'

A década de 1990 traz boas lembranças à torcida lusitana. Em 1991, veio o título da Copa São Paulo de Futebol Júnior, com diversas goleadas, inclusive a final, contra o Grêmio, por 4 a 0, e a revelação do craque Dener, que teve a carreira interrompida em 1993, morrendo em acidente de carro quando jogava pelo Vasco.

Em 1995, a equipe liderou os dois turnos da 1ª fase do Paulistão, mas duas derrotas para o Corinthians em um quadrangular custaram a eliminação. O time ficou em 3º na classificação final. No ano seguinte, a posição foi repetida, após um bom 1º turno.

Foi no Brasileirão de 1996, porém, que a Lusa chegou ao seu auge em competições nacionais. Com nomes como Capitão, Rodrigo Fabri, Alex Alves, Clemer, Zé Roberto e Gallo e sob o comando do técnico Candinho, a equipe foi vice-campeã, perdendo a final contra o Grêmio.

A classificação na 1ª fase veio de forma improvável, após goleada por 4 a 1 sobre o Botafogo, em partida que 'não terminou' por excesso de expulsões e lesão do rival, somada a tropeços de Internacional, São Paulo e Sport.

Nas quartas, surpreendeu o Cruzeiro, time de melhor campanha, com um 3 a 0 no Morumbi, perdendo a volta por 1 a 0. Nas semis, venceu o Atlético-MG por 1 a 0 e empatou por 2 a 2 no Mineirão. Na grande final, após vitória por 2 a 0 em São Paulo e derrota pelo mesmo placar no Sul, foi vice-campeã por ter uma campanha inferior ao Grêmio.

Em 1997, o time chegou a liderar o Brasileirão por algumas rodadas, mas após um momento de crise envolvendo o técnico Edinho Nazareth, o time caiu de produção. Disputou a 2ª fase num quadrangular com Juventude, Flamengo e Vasco, mas foi eliminado sem brilho.

Em 1998, outro ano de destaque. A Portuguesa chegou às semifinais do Paulistão, onde enfrentou o Corinthians. No Morumbi, a vitória por 2 a 1 garantia a Lusa na grande final, mas, em lance polêmico, o árbitro argentino Javier Castrilli marcou pênalti duvidoso, alegando mão do zagueiro César na área. O lance foi convertido, eliminando a rubro-verde.

No Brasileirão, nova boa campanha. O time avançou ao mata-mata, e conseguiu superar o Coritiba nas quartas. Na semifinal, precisava vencer o Cruzeiro no último jogo de uma série de três, mas perdeu por 1 a 0 diante de um dos maiores públicos do estádio do Canindé.

Em 1999, a Portuguesa chegou a contratar Zagallo para o Paulistão e o Campeonato Brasileiro, mas o time não conseguiu manter as boas campanhas de anos anteriores e deu início ao seu processo de decadência.

Próximo à virada do milênio, o clube teve investimentos no futebol feminino em parceria com o Centro Universitário Sant'Anna, formando a Lusa Sant'Anna. Além dos títulos do Campeonato Paulista em 1998, 2000 e 2002, a equipe chamou atenção ao se tornar campeã brasileira em 2000, em Uberlândia, vencendo a final contra o Palmeiras. Neste período, a Lusa contou com nomes como Formiga e Dani Alves, além do técnico Wilsinho Riça, que também treinou a seleção.

O primeiro rebaixamento e a decadência

Com dificuldades para se adaptar à Lei Pelé e com pouco destaque nos anos anteriores, a Portuguesa começou 2002 de forma otimista, conquistando seu segundo título da Copa São Paulo na base. No Brasileirão, conquistou apenas um ponto nas últimas sete rodadas e acabou sendo rebaixada, de fato, pela primeira vez em sua história, ao lado de Palmeiras e Botafogo, que subiram nas duas vagas existentes no ano seguinte.

Após duas disputas sem muito brilho na Série B, o time conseguiu avançar de fase e chegar ao quadrangular final em 2005. Uma derrota para o Santa Cruz na última rodada, porém, frustrou o acesso.

Em 2006, o pior ano da história do clube até então. Pela primeira vez, a Lusa foi rebaixada à Série A-2 do Paulistão. No Brasileiro, uma derrota por 6 a 2 no Canindé, diante do Paysandu, mostrou à torcida que nem o velho conhecido Candinho conseguiria evitar a briga na parte de baixo da tabela. O técnico Vagner Benazzi foi contratado na hora do desespero e o time chegou à última rodada precisando vencer o Sport, na Ilha do Retiro, para se manter na segundona. O gol da vitória por 3 a 2 veio já nos acréscimos, em pênalti de Alex Alves.

Idas e vindas à primeira divisão

No ano seguinte, os ventos mudaram de direção: com folga, o clube foi campeão da Série A-2. No Brasileirão, conseguiu o acesso com antecedência. A alegria não durou muito, e o time acabou sendo rebaixado novamente já em 2008. Vieram, então, dois anos de 'bolas na trave': a Portuguesa chegou à última rodada do Paulistão com chances de classificação na última rodada, mas levou a pior em ambas. No Brasileiro, ficou em 5º, de fora das quatro vagas de acesso.

O melhor ficou reservado para 2011. No Paulistão, o técnico Jorginho estreou com eliminação diante do Bangu, na Copa do Brasil, mas deu outra cara à equipe, que conseguiu se classificar à fase final do Paulistão, o que não ocorria desde 1998. No Brasileiro, o time, que trazia nomes como Marco Antônio, Weverton, Edno, Guilherme, Luís Ricardo e Ananias conquistou uma série de goleadas e foi campeão da Série B com apenas três derrotas, invicto no segundo turno.

Em sua nova rotina de altos e baixos, o time do Canindé não soube repor as peças perdidas no ano seguinte e foi rebaixado novamente à série A-2, entrando na zona de rebaixamento somente nos últimos minutos da última rodada. Jorginho saiu e entrou Geninho, que com a ajuda do goleiro Dida e do atacante Bruno Mineiro manteve o time na Série A.

Em 2013, novo título na A-2, desta vez sem tanta euforia. Após uma goleada por 7 a 0 diante do Comercial na fase final, boa parte da torcida protestou durante a entrega da taça, obtida em derrota para o Rio Claro por 1 a 0, no Canindé. Sob o comando do improvisado Coronel Pimenta, o time deu início ao Brasileirão, sem destaque e sofrendo muitos gols nos minutos finais. Já com Guto Ferreira e com o artilheiro Gilberto, a equipe deslanchou, conquistou vitórias e até uma goleada por 4 a 0 sobre o Corinthians, em Campo Grande.

A escalação irregular do meia Héverton, porém, rendeu uma punição de quatro pontos no STJD, que derrubou a Lusa da 12ª para a 17ª posição, decretando mais um rebaixamento.

Queda livre

Poucos times no futebol brasileiro passaram por uma queda tão acentuada e rápida quanto a Portuguesa. Em 2013, o time estava na Série A, e em 2017, deixou de ter uma divisão nacional.

Na Série B de 2014, com passagem de seis técnicos e um elenco inchado, o time foi lanterna e rebaixado com cinco rodadas de antecedência. A competição ficou marcada por um W.O. diante do Joinville, na estreia, por conta de uma desorganização jurídica do clube, ainda buscando reverter o caso Héverton. Em 2015, por outro erro do clube, o Paulistão todo foi disputado fora de casa, culminando em outro rebaixamento. Na Série C, o clube chegou às quartas, mas foi eliminado diante do Vila Nova.

Nos três anos seguintes, o time lutou para não ser rebaixado à A-3 no Paulistão. No Brasileiro, queda na Série C, em 2016, e eliminação na 1ª fase da Série D, em 2017.

Restou ao clube disputar a Copa Paulista, torneio de segundo semestre da FPF que dá uma vaga na Série D e outra na Copa do Brasil, disputada principalmente por clubes que não têm calendário nacional.

Liderada por Marcelinho Paraíba, que viajou à Alemanha e ficou de fora de jogo decisivo na semifinal, e treinada por PC Gusmão, a Portuguesa caiu diante da Ferroviária e se viu, pela primeira vez em décadas, sem uma divisão no Campeonato Brasileiro.

O time ainda teve alguns lampejos de otimismo em momentos recentes, como ao chegar à semifinal da Copa São Paulo em 2018, após eliminar o Palmeiras no Pacaembu, nos pênaltis. Em 2019, o time chegou à A-2 com chances de classificação na última rodada, mas foi derrotada pelo Santo André e ficou de fora da 2ª fase.

O ano do centenário

A Portuguesa começou 2020 vencendo o XV de Piracicaba, em casa. Na sequência, cinco jogos sem vitória puseram um freio no otimismo da torcida. Veio, então, uma série de seis jogos de invencibilidade, incluindo uma virada sobre o Atibaia por 3 a 2, com três gols marcados em cinco minutos. Antes da paralisação do torneio pela pandemia do novo coronavírus, o time estava no grupo dos oito que se classificam à fase final, com 18 pontos, a três rodadas do término da 1ª fase.

Sem a possibilidade de grandes festas diante do isolamento social, o clube apostou na história para celebrar a data marcante, com o podcast Lusa Geração Centenário e o livro Lusa: 100 anos de amor e Luta. No dia do centenário, em 14 de agosto, haverá o lançamento online do documentário Lusitanos

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Recorde atletas da Portuguesa que defenderam a seleção brasileira

Nomes como Djalma Santos, Julinho Botelho, Brandãozinho, Jair da Costa e Zé Maria defenderam o Brasil em Copas do Mundo

André Carlos Zorzi, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2020 | 10h00

A Portuguesa comemora seu centenário na sexta-feira, 14 de agosto. Ao longo de sua história, o time teve importantes jogadores na seleção brasileira, como Djalma Santos e Julinho Botelho, sendo o clube brasileiro fora dos '12 grandes' que mais vezes cedeu atletas ao Brasil em Copas do Mundo, em seis ocasiões. O Estadão recorda a seguir atletas que jogaram pela seleção enquanto defendiam a Lusa.

Primeira convocação

O primeiro jogador da história do clube a ser convocado pela seleção brasileira foi o goleiro Mesquita, em 1922, ainda durante a fusão com o Mackenzie, que chegaria ao fim em 1923. Ele disputou o jogo da Copa Roca, contra a Argentina, e posteriormente outra partida contra o Paraguai.

Importância na década de 1950

Após um hiato lusitano na CBD, Nininho e Simão foram convocados para a disputa do Torneio Sul-Americano de 1949, sediado no Brasil. Com três e cinco gols, respectivamente, os dois ajudaram a equipe a se tornar tricampeã.

Em 1950, José Lázaro Robles, o Pinga, foi convocado para defender o Brasil na primeira edição do Taça Oswaldo Cruz, entre Brasil e Paraguai. Ele marcou dois gols em três partidas, mas não conseguiu disputar a Copa do Mundo àquele ano.

Em 1952, Brandãozinho, Julinho Botelho e Djalma Santos - além do próprio Pinga - ajudaram o Brasil a conquistar o título dos Jogos Pan-Americanos de Santiago, no Chile, o primeiro da seleção brasileira jogando fora do País. Os quatro continuariam sendo parte vital da equipe, fazendo parte de todo o processo eliminatório e da própria Copa do Mundo de 1954, na Suíça. No começo do ano, porém, Pinga transferiu-se para o Vasco antes do Mundial.

Nos anos seguintes, apenas Djalma Santos manteve o vínculo da Lusa com a seleção. Na Copa do Mundo de 1958, ficou na reserva de De Sordi até a grande final contra a Suécia, quando foi acionado após a lesão do companheiro. Vital na vitória por 5 a 2, foi considerado o melhor lateral-direito do torneio, mesmo disputando uma única partida. Djalma ainda esteve no vice do Sul-Americano de 1959, na Argentina, antes de se transferir para o Palmeiras.

Tri da seleção contou com atletas da Lusa

Em maio de 1960, Servílio foi chamado por Vicente Feola para disputar duas partidas da Copa Roca, contra a Argentina, marcando gol decisivo no jogo de volta.

Na Copa do Mundo de 1962, Aimoré Moreira convocou Jair da Costa, que disputou apenas o jogo contra o País de Gales, vencido por 3 a 1. O atleta integrou o elenco campeão do mundial no Chile.

Nos anos seguintes, Ditão, Edílson e Nair, além do goleiro Félix e do atacante Ivair, fizeram suas estreias pelo Brasil enquanto jogavam pela Portuguesa. Nenhum, porém, esteve na Inglaterra em 1966, quando o Brasil foi eliminado logo na 1ª fase da Copa.

O lateral Zé Maria, que faria história no Corinthians na década seguinte, ganhou sua primeira chance quando ainda estava na Lusa, em 1968, assim como Marinho Peres e Leivinha. Zé Maria foi o último atleta da Lusa a ser convocado para uma Copa do Mundo, em 1970, apesar de não ter entrado em campo na campanha do tri, no México.

Enéas de Camargo, destaque na campanha do título lusitano no Paulistão de 1973, recebeu uma chance com a camisa amarela durante a preparação para a Copa de 1974, mas não integrou o elenco que foi à Alemanha. Ele ainda seria lembrado em outras ocasiões nos anos seguintes, sem grande destaque.

Em 1987, Edu Marangon, revelação da base do Canindé, ganhou chances na seleção, disputando inclusive a Copa América daquele ano. Em 1989, o meia Toninho entrou em campo uma única vez com a camisa da CBF enquanto estava na Lusa.

A década de 1990

Em março de 1991, meses após ser eleito o melhor jogador da Copa São Paulo, Dener fez sua estreia pela seleção brasileira, participando do lance do gol de empate em um 3 a 3 contra a Argentina. Nos anos seguintes, Nilson e o veterano goleiro Carlos foram lembrados por Parreira.

Na segunda metade da década de 1990, no embalo da boa fase do clube, que chegou longe no Brasileirão por três anos seguidos,  diversos atletas foram convocados por Zagallo, como os laterais Zé Roberto e Zé Maria, o meia Rodrigo Fabri e o goleiro Clemer. Em 1998, já sob o comando de Luxemburgo, o zagueiro César disputou a Copa Concacaf pelo Brasil. O técnico também contaria com o zagueiro Emerson nos anos seguintes.

Últimos convocados

No novo milênio, já com o clube em decadência, poucos atletas lusitanos chamaram a atenção da seleção brasileira. O goleiro Carlos Germano foi convocado para ser reserva na Copa das Confederações de 2001 enquanto jogava pela Lusa, por exemplo. Na ocasião, jogadores de times que estivessem disputando a Copa do Brasil, Libertadores ou finais de estaduais foram poupados.

Em novembro de 2002, após a saída de Felipão e antes da contratação de Parreira, Zagallo fez um último jogo como técnico do Brasil, em amistoso contra a Coreia do Sul. O atacante Denílson, à época na Espanha, se lesionou. Para seu lugar, foi convocado o jovem Ricardo Oliveira, então com 22 anos de idade.

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Relembre jogos internacionais marcantes da Lusa em seus 100 anos

Clube do Canindé enfrentou adversários como Real Madrid, Inter de Milão, Juventus e Boca Juniors em excursões e torneios amistosos

André Carlos Zorzi, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2020 | 10h00

Ao longo de seus 100 anos de história, completados nesta sexta-feira, 14, a Portuguesa teve diversos jogos internacionais, muitos diante de adversários conhecidos, como Real Madrid, Juventus, Inter de Milão, Benfica e Boca Juniors.

Os primeiros jogos internacionais da Portuguesa ocorreram ainda na década de 1920, diante de adversários como o Vitória de Setubal, de Portugal e o Barracas, da Argentina. Também houve confronto com o 'Peñarol Universitário' - que não tinha ligação com o Peñarol original.

Já o jogo internacional mais recente da Portuguesa ocorreu em julho de 2019, quando o time foi à Bolívia e empatou com o Oriente Petrolero por 0 a 0 em amistoso. Antes, em julho de 2018, o time venceu o River Plate, do Uruguai, em partida no Canindé. O Estadão relembra alguns dos principais jogos internacionais do time abaixo.

Portuguesa 4 x 3 Atlético de Madrid - 1951

A Portuguesa conquistou um de seus mais expressivos resultados internacionais, a conquista do Troféu San Isidro diante do Atlético de Madrid, à época, campeão espanhol das temporadas 1949/50 e 1950/51. A competição festiva ocorria em um feriado em homenagem ao padroeiro da cidade de Madrid, e teve estádio lotado e arbitragem 'ajudando' o time da casa, segundo relatos. Com dois gols de Nininho e dois de Pinga, a Lusa venceu por 4 a 3.

Na mesma excursão, o time superou os principais clubes da Turquia, Fenerbahçe, Galatasaray e Besiktas, e conquistou outras cinco vitórias na Suécia, além de um empate diante do Valência.

Portuguesa 2 x 1 Millonarios - 1953

Em 1953, durante excursão na América do Sul, a Lusa enfrentou o Millonarios, na disputa de um torneio quadrangular na Colômbia, que havia passado por um golpe de estado semanas antes. À época, o time tinha diversos bons jogadores do futebol argentino, inclusive Alfredo Di Stefano. A vitória por 2 a 1, com dois gols de Julinho Botelho, surpreendeu os colombianos.

A Portuguesa também venceu, entre outras equipes, Alianza Lima, Universitário, Independiente de Santa Fé e Barcelona de Guayaquil na mesma excursão, além de um empate contra o Atlético Nacional.

Portuguesa 0 x 1 Real Madrid - 1997

A negociação de jogadores como Zé Roberto e Rodrigo Fabri ao Real Madrid, em 1997, rendeu um amistoso à Portuguesa no estádio da equipe espanhola, valendo o Troféu Santiago Bernabéu. Sem o time titular, o Real Madrid ainda tinha peças conhecidas, como Hierro, Morientes e o sérvio Petkovic. A Lusa teve dificuldades em criar chances, a melhor delas, uma cabeçada de Tuta. Perdeu por 1 a 0, com gol de Canabal, em jogo que deixou a desejar em qualidade.

Portuguesa 3 x 2 Inter de Mião - 1963

Em 1963, a Portuguesa enfrentou campeão e vice-campeão do campeonato italiano de 1962/63, Internazionale (vitória por 3 a 2) e Juventus (empate em 0 a 0). Os jogos foram destaque em excursão contra time de países como Alemanha, Espanha, França, Portugal e Bulgária. Antes, em 1948, a Portuguesa enfrentou outro grande time do futebol italiano, o multicampeão italiano Torino, um ano antes do conhecido acidente de avião que vitimou a equipe. Na ocasião, foi derrotada por 4 a 1.

Portuguesa 1 x 7 Arsenal - 1954

Durante excursão realizada em 1954, a Portuguesa sofreu uma goleada para o Arsenal, da Inglaterra, por 7 a 1. Na mesma excursão, o time venceu o Watford, por 5 a 2, e o Sheffield Wednesday, por 6 a 0. Na Europa, também jogou contra times da Bélgica, França, Turquia e Alemanha, como o Shalcke 04 e o Fortuna Düsseldorf, que venceu por 2 a 1.

Portuguesa 1 x 3 Benfica

Em 9 de janeiro de 1972, a Portuguesa inaugurou o estádio do Canindé diante do Benfica, de Portugal. Com gol de Marinho Peres, o time perdeu por 3 a 1. Nos dias seguintes, foram feitos outros amistosos, como vitória por 2 a 0 sobre o Racing, da Argentina, 1  a 0 sobre o Steaua Bucaresti, da Romênia, e 2 a 0 sobre o Zeljeznicar, da Iugoslávia - jogo que contou com participação de Rivellino, que marcou gol com a camisa da Lusa.

Em 1981, o time venceu o Sporting de Lisboa por 2 a 0 em torneio que marcou a inauguração dos refletores do estádio.

Portuguesa 3 x 4 Boca Juniors

Durante a realização do Torneio Internacional Robeto Gomes Pedrosa, que reuniu os cinco maiores times paulistas, e equipes da Argentina e Uruguai, em 1956, a Portuguesa teve a chance de vencer o Nacional, por 3 a 2, e o Newell's Old Boys, por 2 a 1. Diante do Boca Juniors, derrota disputada por 4 a 3.

Portuguesa em competições da Conmebol

Apesar de seus jogos internacionais mais marcantes terem ocorrido em amistosos ou torneios extraoficiais, a Portuguesa disputou duas competições oficiais da confederação sul-americana.

A primeira foi a Copa Conmebol, em 1997, após adquirir a vaga como vice-campeã brasileira no ano anterior. Jogando com time titular e com a famosa camisa de quatro cores, o time foi goleado por 4 a 1 pelo Atlético-MG na estreia, no Canindé. Na volta, 0 a 0 e a eliminação. Mais tarde, o Galo seria campeão, vencendo todos os seus jogos em casa.

A segunda foi a Copa Sul-Americana de 2013. 16ª colocada no Brasileirão de 2012, a Lusa conseguiu a vaga por conta de critério que envolvia os times eliminados precocemente na Copa do Brasil. Novamente, porém, enfrentou um time brasileiro, o Bahia. Desta vez, com um time cheio de reservas (assim como o rival), perdeu por 2 a 1 no Canindé e empatou a volta por 0 a 0 em Salvador na semana seguinte. Entre os jogos, as equipes se enfrentaram com os times titulares no Canindé, com vitória lusitana por 4 a 2.

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Dida, Zagallo e Dinamite: Lusa apostou em contratações midiáticas

Clube paulista, que chega ao seu centenário, chamou atenção por investir em contratações de peso ao longo da história; relembre algumas das principais

André Carlos Zorzi, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2020 | 10h00

Ao longo de seus 100 anos de história, completados na sexta-feira, 14 de agosto de 2020, a Portuguesa chamou atenção em algumas ocasiões com contratações impactantes, como, o técnico Zagallo, o goleiro Dida e o artilheiro Roberto Dinamite. O Estadão recorda mais detalhes sobre elas.

Zagallo na Portuguesa

Em 29 de dezembro de 1998, o técnico Zagallo foi apresentado oficialmente pela Portuguesa. Na ocasião, o clube vivia um grande momento de sua história: havia sido semifinalista tanto no Paulistão quanto no Campeonato Brasileiro. O treinador, por sua vez, havia sido vice-campeão da Copa do Mundo da França meses antes, com a seleção brasileira.

"O Corinthians ficou 23 anos sem ser campeão e um dia quebrou o tabu. Agora, chegou a vez da Portuguesa [o clube estava sem títulos desde 1973]. Vim para disputar o título e fazer a Portuguesa ser respeitada em todos os sentidos", disse durante a coletiva em que posou para fotos com uma camisa de número 13. O contrato, inicialmente de seis meses, seria pago com a ajuda da patrocinadora Salemco, estimado em R$ 110 mil mensais.

No Campeonato Paulista, foram 16 vitórias, quatro empates e seis derrotas. A Lusa oscilou em diversos momentos: entre vitórias fora de casa contra Guarani (3 a 2) e Corinthians (4 a 2), por exemplo, o time foi goleado pela União Barbarense por 5 a 1 no Canindé. Zagallo foi um dos únicos poupados e aplaudidos pela torcida na saída do jogo, junto a Cesinha e Emerson.

Zagallo chegou à última rodada precisando de um empate diante do Palmeiras, no Palestra Itália, para chegar às semifinais. "Só espero que, desta vez, a Portuguesa não seja prejudicada pelo juiz", reclamava o técnico antes da partida. A Lusa teve três pênaltis, todos convertidos por Hernani, mas não conseguiu parar o alviverde. Derrota por 4 a 3 e eliminação. Mesmo assim, dias depois, o 'Velho Lobo' renovou seu contrato até o fim do ano.

Após uma sequência de sete jogos sem vitória, porém, Zagallo foi demitido na 13ª rodada do Brasileirão, deixando o time na antepenúltima posição, com apenas 12 pontos. "Ocorreram maus resultados por causa da perda de jogadores, o que eu previ há três meses. Sou grato à diretoria da Portuguesa por ter aberto as portas de São Paulo para mim", afirmou o técnico, que havia feito sua primeira e única passagem pelo futebol paulista na carreira.

Dois dias após a saída de Zagallo, sob o comando do interino Juninho Fonseca, a Portuguesa goleou o Juventude, campeão da Copa do Brasil meses antes, por 5 a 0, em Caxias do Sul. O time, porém, não engrenou e terminou o Brasileiro na vice-lanterna - só não foi rebaixado pois o torneio previa a média de pontos com o ano anterior para o descenso.

Roberto Dinamite, ídolo da colônia lusa

Aos 35 anos de idade, Roberto Dinamite foi contratado pela Portuguesa. O empréstimo do atacante ocorreu durante o Campeonato Brasileiro de 1989 e teve o apoio do técnico Antônio Lopes.

No dia de sua recepção no Canindé, em 9 de agosto de 1989, Dinamite almejava marcar ao menos 23 gols com a camisa 10 (o número foi uma de suas exigências) e prometia "muita luta com meus novos companheiros e muitos gols para ajudar a Portuguesa a ganhar o título brasileiro". A maior parte de seus salários, estimados em 80 mil novos cruzeiros à época, seriam pagos pela patrocinadora Hudson.

Sua estreia foi em um amistoso contra a Caldense-MG, em 3 de setembro de 1989, quando marcou os dois gols da vitória lusitana. Ficou em 3º na artilharia do Brasileirão, com nove gols, e ajudou a Portuguesa a passar da 1ª fase e ficar com a 7ª colocação geral.

Parte dos dirigentes da Lusa eram favoráveis a um aumento salarial  para tentar manter Dinamite no clube, mas ele acabou retornando ao Vasco pouco depois do fim do Brasileirão, com uma boa média: 11 gols em 18 jogos.

A volta aos gramados de Dida

Em 25 de maio de 2012, a Portuguesa anunciou a contratação de Dida, então com 38 anos. O goleiro estava sem entrar em campo desde sua dispensa do Milan, cerca de dois anos antes. "O Brasileiro é difícil, o nosso conjunto ainda vai demorar um pouco para se entrosar, mas chego, sim, para ser campeão", sonhava, em sua apresentação.

À época, a Lusa vivia uma crise no gol. Após o afastamento de Weverton, titular na campanha do título da Série B no ano anterior, o técnico Jorginho promoveu Rodrigo Calaça à posição de titular. O jogador não inspirou confiança e foi criticado principalmente após falha que rendeu empate ao Linense, na penúltima rodada do Paulistão. Weverton recebeu a titularidade de volta, mas não impediu a derrota e o rebaixamento à série A-2 em seu último jogo.

Apesar de ter disputado algumas partidas em futebol de areia, Dida estava fora de forma e sua estreia ocorreu apenas um mês depois, em vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo, na 6ª rodada da Série A. Titular absoluto, o arqueiro foi crucial para a permanência da equipe na 1ª divisão, na 16ª colocação, e foi ovacionado pelos torcedores adversários nos jogos contra Corinthians e Cruzeiro, seus ex-clubes. Após o Brasileirão, Dida acertou com o Grêmio e se despediu do Canindé afirmando que "foi uma passagem muito especial".

Outros goleiros de renome tiveram passagens marcantes pela Portuguesa. Em 1988, o clube contratou Waldir Peres, já aos 37 anos de idade. Em dezembro de 1990, o uruguaio Rodolfo Rodriguez, após longas passagens por Nacional e Santos, e um período de três anos no Sporting de Portugal, assinou com a Lusa.

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