Portuguesa não tem nem conta bancária

A dívida da Portuguesa está em torno de R$ 70 milhões. A maioria por conta de impostos, quatro meses de salários atrasados dos funcionários e integrantes do departamento de futebol amador, além de mais de 400 processos trabalhistas. Com possíveis acordos na justiça, a cifra pode diminuir entre 30 e 40%. Seria menos pesada, se conseguir refinanciamento para pagar em 20 anos. "Comparando com Flamengo, Corinthians e Vasco, nossa dívida não é tão grande", acredita Virgílio dos Anjos Martins. Para amenizar um pouco a crise, o Clube dos 13 está dando uma ajuda e arrumou empréstimo no Bradesco para os salários atrasados, já que a Lusa não tem conta em banco. "Vamos pagar quatro meses, inclusive outubro", revela, no máximo até esta terça-feira. "Não fosse a burocracia, já teríamos feito o acerto." Embora considere uma proeza arrumar dinheiro, Virgílio tem opositores. Há no clube quem diga que tem parcela de responsabilidade na crise, por suas negociações na área de marketing em 2004. O dirigente teria ignorado a colaboração de Marco Antônio Teixeira Duarte, o vice-presidente de marketing, que se licenciou do cargo por se sentir preterido. O time jogou o ano inteiro sem patrocínio. Em 2003 tinha três. Sua tradicional festa junina rendeu apenas R$ 40 mil, contra R$ 210 mil da edição anterior. Enquanto todos os clubes grandes têm participação de empresa de informática que utilizou sua imagem em apoios para mouse, dirigentes do Canindé não aceitaram acordo financeiro. E era o mesmo valor oferecido para Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Vasco..."Nosso Departamento de Marketing é nulo, nem vem ao clube", rebate Virgílio. "Nosso vice financeiro é uma lastima, vários grupos queriam investir no clube e ele não firmou nada", contra-ataca Marco Antônio. Virgílio espera continuar na diretoria, mas admite que tem interesse de rever contratos, principalmente com a Ability, que banca o futebol. O acordo atual fica em vigor até 2005 e o dirigente quer incluir as categorias de base. A Lusa deve já R$ 1 milhão ao grupo por empréstimos.

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