Portuguesa-RJ conta com neto de Didi

Em 12 de maio de 2001, o Brasil perdeu um de seus maiores craques de todos os tempos: o meia Valdir Pereira, "o príncipe Etíope", o "Mr. Football", ou, simplesmente, o "mestre Didi". Reverenciado por companheiros e adversários, pela elegância dentro e fora do campo, o inventor da "folha seca" deixou ao menos um dos herdeiros: o neto Hélton Pereira, o Bibi.Um dos destaques da Portuguesa-RJ, que nesta quarta-feira tenta contra o Madureira assegurar uma vaga à semifinal da Taça Rio, segundo turno do Campeonato Carioca, o meia Bibi, aos 30 anos, pode não ter alcançado o sucesso do avô, que chegou a ser bicampeão mundial com a seleção brasileira, em 1958 e 1962, mas não reclama. Com fidalguia e humildade, características sempre presentes em Didi, ele se mostra orgulhoso por poder se dedicar à profissão que escolheu."Vi meu avô jogar em fitas de vídeo e é até um pecado querer me comparar com ele. Mas, conservei seu jeito sereno e tento sempre ajudar meus companheiros dentro e fora das quatro linhas", afirmou Bibi, herdeiro do apelido do pai, Adilson Pereira, filho do primeiro casamento de Didi, que também chegou a jogar por alguns clubes."Respirei futebol desde que nasci e, aos 13 anos, comecei nas divisões de base do Flamengo. No início, tive até problemas de discriminação, por ser neto de quem sou. Falavam que estava ali por ser neto do Didi. Hoje, não existe isso, passou." Mas, justamente quando assinou o primeiro contrato com o Flamengo, no final de 1994, o destino se encarregou de afastar Bibi da possibilidade de estrelato. Na época, Kléber Leite, na presidência do Rubro-Negro, inchou o elenco do clube, com muitas contratações, dentre elas, a dos atacantes Romário, Edmundo e Sávio. Restou ao neto de Didi iniciar uma peregrinação por clubes de menor expressão, como Bragantino, Criciúma, Avaí, até se transferir para o futebol internacional, a exemplo do avô, que atuou pelo Real Madrid e treinou a seleção do Peru.Durante três anos e meio, Bibi jogou no Catar e durante a temporada de 2003 viveu a insólita experiência de atuar na Malásia. A experiência no exterior proporcionou ao atleta a possibilidade de fazer um "pé-de-meia", que deseja aumentar voltando ao mundo árabe, antes da aposentadoria.E, em uma de suas recordações, Bibi ainda lembrou que nem mesmo o fato de ser neto de Didi o ajudou a descobrir o segredo da "folha seca" - chute de efeito criado pelo avô, em que a bola cai repentinamente."Esse foi um segredo que ele levou. Mas, tem coisas que não adianta ensinar ou tentar fazer igual. Ou você nasce com o dom ou não. Tanto que ninguém até hoje conseguiu imitá-lo", frisou o jogador, casado há oito anos com Carla. E já tem herdeiros? Sim, a pequena Natália, de três anos.

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