Pierre Albouy/Reuters
Pierre Albouy/Reuters

Pós Neymar, Fifa quer reforma de mercado de jogadores

Presidente Gianni Infantino fala em limitar número de atletas nos clubes e em teto salarial

Jamil Chade, correspondente na Suíça, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2017 | 13h38

GENEBRA - Neymar pode não ser o melhor jogador do mundo. Mas sua transferência aponta como um divisor de águas na história do esporte. Diante do gasto com o craque pelo PSG e de um investimento inédito de US$ 4,7 bilhões (R$ 14,7 milhões) de clubes em reforços em apenas uma janela de transferência, a Fifa quer agora propor medidas para barrar o que chama de "corrida desenfreada".

Na avaliação do presidente da entidade, Gianni Infantino, a tendência registrada na última janela de venda de jogadores tem um custo para a imagem do futebol e ameaça minar a magia do esporte. Sua ideia é de desenvolver as novas regras até o final do ano e aprová-las para que possam começar a valer a partir de agosto de 2018, depois da Copa do Mundo.  

"Temos a responsabilidade de lidar com o sistema de transferências", disse Infantino durante o Congresso da Uefa, em Genebra nesta quarta-feira. 

Entre as medidas sob análise está a de limitar o número de jogadores que um clube pode ter em seu elenco. A meta é a de evitar casos como o do Chelsea e outros clubes com mais de 30 jogadores e inflacionando o mercado. Outra proposta que Infantino promete estudar é a de um teto para salário de jogadores e regras claras para empréstimos de atletas. "São questões que nunca foram tratadas de forma significativa", disse. 

Infantino também indicou que quer avaliar a introdução de regras claras para regular a atuação de agentes. Um dos temores na Fifa é de que, de uma forma cada vez mais frequente, jogadores tem sido vendidos para que possam render um percentual para "atravessadores". E não por razões esportivas e nem para o bem de suas carreiras. O impacto no mercado, porém, é o de pressionar na direção de uma inflação. 

Infantino indicou que não foi apenas a transferência de Neymar por 222 milhões de euros (R$ 821 milhões) que levou a cúpula da entidade a se debruçar no assunto. 

O valor movimentado no último verão europeu foi quase 1 bilhão de euros a mais que o montante registrado em 2016. "Isso não reflete necessariamente bem", disse. "O que preocupa é a inflação que essas transferências geram e a corrida desenfreada que causa em outros clubes", disse. "Do ponto de vista de uma percepção geral, isso não parece correto", insistiu. 

Infantino acredita que essa vontade de regular o mercado não vem apenas da Fifa. "Nunca senti essa tendência tão forte como agora. Não se limita apenas aos europeus e precisamos de um marco global", completou. 

Seu discurso foi seguido por um apelo do presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, aos chefes de estado da Europa para que ajudem o esporte a criar mecanismos para controlar o mercado. 

Nesta semana, a chanceler alemã Angela Merkel criticou abertamente os gastos feitos pelo PSG na compra de Neymar. "Tais valores são incompreensíveis. A Uefa e a Fifa precisam reajustar as regras de transferência para garantir maior equilíbrio", disse. "Caso contrário, os valores podem subir ainda mais", disse a alemã. 

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