Posse de bola teve pouca influência na primeira fase

Equipes com domínio do jogo venceram tanto nas três primeiras rodadas quanto as que ficaram menos no controle

José Roberto de Toledo - Coordenador do Estadão Dados, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2014 | 05h00

Uma construção adversativa comum no "futebolês" - "o time A mandou no jogo, mas perdeu" - não faz sentido. Não há "mas". Mais correto seria "mandou e perdeu". Porque não há absolutamente nenhuma correlação entre "mandar no jogo" e ganhar a partida, pelo menos nesta Copa do Mundo no Brasil.

Nos 48 jogos da primeira fase, o número de vitórias dos times que tiveram 54% ou mais de posse de bola - ou seja, mandaram no jogo - foi rigorosamente igual ao número de vitórias das seleções que jogaram "na retranca" (tiveram 46% ou menos de posse de bola): 16 cada uma. Outros 9 jogos terminaram empatados e em 7 partidas nenhum time chegou a mandar no jogo.

Implica dizer que não há vantagem estratégica em dominar a posse de bola como fazem as vitoriosas Argentina (61% do tempo de cada partida com a posse da bola, em média) e Alemanha (59%). Tanto é assim que essa foi a tática usada pelas eliminadas Espanha e Costa do Marfim: ambas as seleções dominaram seus jogos por 56% do tempo, em média. E foram mais cedo para casa.

Jogar a maior parte do tempo em seu próprio campo, "explorando os contra-ataques", tampouco é uma desvantagem. Seleção mais bem colocada na fase de grupos, a Holanda (9 pontos, 7 gols de saldo e 10 gols marcados) foi a 28ª em posse de bola: comandou o jogo por apenas 44% do tempo a cada partida, em média. O mesmo fizeram as classificadas seleções dos EUA (42%), Grécia (44%), Costa Rica (45%), Colômbia (45%) e Uruguai (46%).

Controle

A desvinculação com o resultado não significa que os jogos de quem controla a bola sejam iguais aos de quem espera o adversário em seu campo. Os dominadores correm muito mais com a bola nos pés do que atrás dela. Tome-se a Alemanha, por exemplo. Ninguém corre mais com a bola do que os alemães: 48 quilômetros por partida, 10 quilômetros a mais do que costumam correr sem ter a posse da bola. Já os uruguaios correm apenas 30 quilômetros dominando a bola - e 38 quilômetros tentando recuperá-la.

A maior posse de bola implica maior quantidade de passes curtos e médios. E isso não quer dizer sucesso. Nenhuma seleção passou mais à curta distância do que a espanhola.

Quem joga no contra-ataque costuma ter uma maior taxa de passes longos, como é o caso da Holanda e seus 87 lançamentos por partida. E isso não significa atacar pouco. Os "retranqueiros" holandeses foram a terceira seleção no ranking de chutes certos: 11 por partida. E os maiores artilheiros - média de 3,3 gols por jogo.

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