Paulo Whitaker/EFE
Paulo Whitaker/EFE

Pouco renovado, Brasil vai para Copa América com a 'cara' de 2018

Tite testa 44 jogadores após o Mundial, mas seleciona poucos novatos para montar elenco

Ciro Campos, Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2019 | 04h30

Tite foi mantido como técnico da seleção depois da eliminação na Copa de 2018 com o desafio de rejuvenescer o elenco que fracassou diante da Bélgica, mas onze meses depois da derrota na Rússia e às vésperas da estreia na primeira competição do ciclo para o Mundial do Catar, a renovação ainda não foi vista. Dos prováveis titulares para o jogo de abertura da Copa América, contra a Bolívia, sexta-feira, sete jogadores estiveram na Rússia. Ou seja, a seleção brasileira deve iniciar a Copa América com mais cara de 2018 do que em uma versão 2019.

Desde a Copa, Tite convocou 44 jogadores, dos quais 24 não estiveram na Rússia e 11 estrearam na seleção. Mas, de toda essa peneira, poucos nomes ganharam espaço efetivamente. Logo depois da Copa, a comissão técnica estabeleceu um plano com etapas até o Mundial de 2022. A Copa América é a segunda fase desse processo. A primeira, que foi até os amistosos de março, previa “descobrir” jogadores que poderiam disputar a Copa América, mas essas descobertas foram tímidas.

A espinha dorsal da equipe é a mesma que caiu nas quartas de final do Mundial. No gol, Alisson foi mantido. Na defesa, ficaram Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Luís. A “novidade” é Daniel Alves, 36 anos, que só não foi à Rússia porque se machucou. No meio, permaneceram Casemiro e Philippe Coutinho. No ataque, Roberto Firmino, reserva no Mundial, agora é titular.

"Tenho 33 anos, então é mais fácil falar, mas não devemos olhar para a idade. Na seleção tem de jogar os melhores, não adianta convocar um garoto de 17 anos para dar visibilidade se ele não está bem. Agora, se ele é o melhor com 17 anos, tem de estar aqui. Não importa se tem 38 ou 17 anos", disse Filipe Luís.

A renovação comandada por Tite tem Richarlison e David Neres como protagonistas. O primeiro soube aproveitar a oportunidade e conquistou o seu espaço. Já David Neres ficou com a vaga de titular depois da lesão sofrida por Neymar, cortado da lista da Copa América na semana passada.

Outro nome da nova geração é o volante Arthur. O jogador, no entanto, levou uma pancada no joelho direito no amistoso com Honduras, domingo, não participou dos últimos dois treinos e pode não atuar diante da Bolívia. A CBF tem até a noite de amanhã para comunicar à Conmebol um possível corte de Arthur da lista da Copa América.

ANÁLISE - Três novidades após o fracasso na Rússia

Robson Morelli*

A renovação de Tite após a derrota para a Bélgica na Rússia não vai acontecer na Copa América, como o treinador imaginava. Não vai porque Tite não descobriu novos jogadores. Sua comissão tem mapeado todos os brasileiros em ação pelo mundo, mas o técnico continua conservador nas convocações. Fagner e Daniel Alves são os laterais. Marquinhos, Thiago Silva e Miranda disputam vaga na defesa. Filipe Luís está na esquerda. Fernandinho voltou ao meio de campo, ao lado de P. Coutinho. Neymar estava e não está mais. Gabriel Jesus e Firmino continuam. Portanto, nada de novo. 

Para não dizer que não há caras novas, Tite descobriu David Neres, apostou em Richarlison e confirmou Arthur. É pouco, sobretudo no setor defensivo. Digo isso porque a maioria desses atletas já teve sua chance e não deu certo. O que não quer dizer que sejam pernas de pau, mas o time lembra seleções velhas. 

A impressão que tenho é que já vi esse time jogar e, pior, já sei aonde ele vai chegar. Tomara esteja errado, mas hoje, vendo a seleção treinar e ganhar amistosos fracos, não tenho razões para apostar na equipe de Tite, nem mesmo em casa, diante de rivais como Argentina e Uruguai.

* Editor de Esportes

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