Poucos clubes no futebol brasileiro buscam sucesso além dos resultados

Times se dividem entre os que querem se manter na elite, os que apresentam algum plano mais bem elaborados e os candidatos a melhorar o cenário, que são minoria

Robson Morelli - O Estado de S.Paulo

O futebol brasileiro avança no cenário mundial a passos lentos. É assim desde que nos propusemos a encontrar caminhos após a derrota por 7 a 1 na Copa para a Alemanha, em 2014, no Mineirão. Talvez aquela partida tenha sido um divisor de águas, embora o empobrecimento já vinha de antes comparado ao que se jogava e praticava na Europa.

Há, no entanto, profissionais trabalhando para mudar esse cenário. São treinadores e alguns poucos gestores que superaram a sedução da fama e de aparecer para ganhar ‘likes’.

Apesar de ainda não ter engrenado na edição atual do campeonato, o atual campeão brasileiro, Atlético Mineiro, mostrou que busca a excelência em seu projeto. Foto: Pedro Souza / Atlético

Há três tipos de futebol praticado no Brasileirão, cuja liderança é do Corinthians. 

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Nos 20 clubes, há aqueles que entram em campo unicamente para se manter na primeira divisão. Não há compromisso ou comprometimento com nenhum sistema de jogo, legado, melhora do elenco, modernidade ou algo parecido que enche as discussões das mesas redondas diariamente. 

O que importa é somar aqueles míseros pontos necessários para continuar na elite, garantir as cotas de TV, alimentar com migalhas os patrocinadores e vender jogadores.

O segundo grupo é formado por aquelas equipes que tentam alinhar os resultados de campo com alguma estrutura de futebol bem jogado. Tentam se valer de esquemas táticos mais bem elaborados e se dar bem no entrosamento e na qualidade dos atletas. Buscam boas infraestruturas no clube.

Esse segundo pelotão é maioria no futebol brasileiro. Não perde de vista a pontuação nem a parte intermediária da tabela, com modestas intenções (não declaradas) de brigar pelas primeiras colocações. Pode acontecer, e por uma série de motivos. Nesta temporada, por exemplo e por ora, porque os badalados Palmeiras, Flamengo, Atlético-MG ainda não responderam.

O Grupo 2 tem os mesmos objetivos do Grupo 1: não correr risco de descenso e se colocar nas competições sul-americanas do ano seguinte, como Libertadores. A Sul-americana aparece para como prêmio de consolação, mas vale assim mesmo. É o famoso “melhor do que nada”. O treinador desse time até pode contribuir para a evolução do futebol, mas entre aprimorar essa condição e se ver livre dos riscos da queda ou de cair em desgraça com o torcedor, vai sempre se agarrar à segunda opção, dando de ombros para a primeira. Nesse momento, se entrega ao discurso mesquinho de que “outros virão para mudar a qualidade do futebol brasileiro depois de mim”. É incapaz de enxergar que o futebol nacional é uma fratura exposta há anos.

Sobra então para o primeiro grupo, dos clubes apontados para ganhar títulos, encher de alegria o torcedor, jogar bem, bonito e eficiente. Revelar jogadores. Ter técnicos modernos. Provar maneiras diferentes de atuar, beber de outras águas, valorizar elencos e ganhar elogios dentro e fora do Brasil. São poucos, mas eles existem.

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Times se dividem entre os que querem se manter na elite, os que apresentam algum plano mais bem elaborados e os candidatos a melhorar o cenário, que são minoria

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O futebol brasileiro avança no cenário mundial a passos lentos. É assim desde que nos propusemos a encontrar caminhos após a derrota por 7 a 1 na Copa para a Alemanha, em 2014, no Mineirão. Talvez aquela partida tenha sido um divisor de águas, embora o empobrecimento já vinha de antes comparado ao que se jogava e praticava na Europa.

Há, no entanto, profissionais trabalhando para mudar esse cenário. São treinadores e alguns poucos gestores que superaram a sedução da fama e de aparecer para ganhar ‘likes’.

Apesar de ainda não ter engrenado na edição atual do campeonato, o atual campeão brasileiro, Atlético Mineiro, mostrou que busca a excelência em seu projeto. Foto: Pedro Souza / Atlético

Há três tipos de futebol praticado no Brasileirão, cuja liderança é do Corinthians. 

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O que importa é somar aqueles míseros pontos necessários para continuar na elite, garantir as cotas de TV, alimentar com migalhas os patrocinadores e vender jogadores.

O segundo grupo é formado por aquelas equipes que tentam alinhar os resultados de campo com alguma estrutura de futebol bem jogado. Tentam se valer de esquemas táticos mais bem elaborados e se dar bem no entrosamento e na qualidade dos atletas. Buscam boas infraestruturas no clube.

Esse segundo pelotão é maioria no futebol brasileiro. Não perde de vista a pontuação nem a parte intermediária da tabela, com modestas intenções (não declaradas) de brigar pelas primeiras colocações. Pode acontecer, e por uma série de motivos. Nesta temporada, por exemplo e por ora, porque os badalados Palmeiras, Flamengo, Atlético-MG ainda não responderam.

O Grupo 2 tem os mesmos objetivos do Grupo 1: não correr risco de descenso e se colocar nas competições sul-americanas do ano seguinte, como Libertadores. A Sul-americana aparece para como prêmio de consolação, mas vale assim mesmo. É o famoso “melhor do que nada”. O treinador desse time até pode contribuir para a evolução do futebol, mas entre aprimorar essa condição e se ver livre dos riscos da queda ou de cair em desgraça com o torcedor, vai sempre se agarrar à segunda opção, dando de ombros para a primeira. Nesse momento, se entrega ao discurso mesquinho de que “outros virão para mudar a qualidade do futebol brasileiro depois de mim”. É incapaz de enxergar que o futebol nacional é uma fratura exposta há anos.

Sobra então para o primeiro grupo, dos clubes apontados para ganhar títulos, encher de alegria o torcedor, jogar bem, bonito e eficiente. Revelar jogadores. Ter técnicos modernos. Provar maneiras diferentes de atuar, beber de outras águas, valorizar elencos e ganhar elogios dentro e fora do Brasil. São poucos, mas eles existem.

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