Claudio Villa/EFE
Claudio Villa/EFE

Prandelli promete uma equipe ousada contra a seleção brasileira

Técnico da Azzurra não abre mão de escalar meio-campistas habilidosos

O Estado de S. Paulo

19 de março de 2013 | 07h54

FLORENÇA - O tempo da Itália cautelosa, que entrava em campo para marcar forte e tentar o gol num contragolpe, ficou para trás. Sob o comando de Cesare Prandelli o time valoriza meio-campistas habilidosos e busca o ataque. E não será diferente contra o Brasil.

Na coletiva que deu nesta segunda-feira no Centro de Treinamento de Coverciano (perto de Florença), o treinador deixou claro que usará dois sistemas de jogo quinta-feira em Genebra. E ambos são ousados.

O time que começará a partida terá um meio-campo formado por jogadores que sabem o que fazer com a bola e gostam de atacar: De Rossi, Pirlo, Marchisio e Montolivo - que será o mais próximo dos atacantes Osvaldo e Balotelli. No segundo tempo Prandelli colocará a equipe no 4-3-3, com Cerci (jogador do Torino e uma das novidades da lista de convocados) e El Shaarawy abertos nas extremas e um centroavante (Osvaldo ou Balotelli, dependendo da performance de cada um na primeira etapa).

"Quero ver o time com dois jogadores abertos na frente, mas em nenhum momento abandonaremos a ideia de ter um meio-campo com jogadores de grande capacidade técnica", afirmou o treinador.

Chiellini, que pode jogar como zagueiro ou lateral-esquerdo, se apresentou machucado e não deve jogar. A formação mais provável da defesa: Buffon, Maggio, Barzagli, Bonucci e De Sciglio.

Prandelli tirou o mofo da Azzurra e está sendo muito elogiado no país por seu trabalho. A decisão de abrir mão de jogadores que só sabem marcar foi vista com desconfiança no começo, porque contrariava uma tradição italiana. Mas hoje é aplaudida por torcedores e jornalistas, que têm prazer em ver um time mais arejado em campo.

MARCAÇÃO ADIANTADA

O próximo passo do treinador é fazer a equipe aprender a recuperar a bola o mais perto possível da área adversária sem que isso a torne vulnerável a contragolpes.

"A grande diferença que existe entre o Barcelona e a seleção espanhola em relação ao nosso futebol é a capacidade que essas equipes têm de marcar no campo de ataque. Precisamos ter coragem para jogar com a defesa adiantada sem dar chance de contra-ataque ao adversário."

A convocação de Cerci mostra que ele ainda procura um jogador para completar o tridente ofensivo com Balotelli e El Shaarawy quando quiser armar o time no 4-3-3. Ele já testou Diamanti (Bologna) e Candreva (Lazio) pelo lado direito, e agora quer ver em ação o homem do Torino.

"Cerci vem mantendo um bom nível nas últimas temporadas. É um jogador rápido, com qualidade técnica e inteligente", disse o treinador.

Alessio Cerci tem 25 anos, começou na Roma e passou por Brescia, Pisa, Atalanta e Fiorentina antes de chegar ao Torino.

"Agradeço muito a Prandelli por esta oportunidade. Espero que seja um ponto de partida para que eu me firme no grupo. Disputar o Mundial no Brasil seria maravilhoso."

E TOTTI?

Em meio à renovação que está fazendo na seleção, o treinador teve de falar muito ontem sobre um veterano que está em grande forma: Totti, de 36 anos, destaque da Roma na temporada. Ele não joga pela Azzurra desde a final da Copa de 2006, mas muito gente gostaria de vê-lo de volta à seleção.

"Se Totti estiver jogando desse jeito a um mês do Mundial certamente o levarei em conta na hora de fazer a convocação. Foi assim com Di Natale, que levei para a Eurocopa ano passado", disse Prandeli, referindo-se ao atacante de 35 anos da Udinese.

O craque da Roma é o segundo maior artilheiro da história do Campeonato Italiano com 226 gols (11 nesta temporada), atrás de Silvio Piola - que fez 247 entre 1934 e 1954.

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