Cesar Greco|Agência Palmeiras
Cesar Greco|Agência Palmeiras

Prass se anima com Palmeiras e revela frustração com a política

Goleiro aposta que entrosamento pode fazer a diferença

Entrevista com

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2016 | 07h00

No Palmeiras desde dezembro de 2012, Fernando Prass acredita que pela primeira vez desde que chegou ao clube a equipe está preparada desde o início da competição para lutar pelo título do Campeonato Brasileiro. Em entrevista exclusiva ao Estado, disse acreditar que desta vez a equipe pode sonhar alto. Prass falou ainda que o atual momento político é discutido entre os jogadores. “As pessoas que estão julgando casos de corrupção e crimes fiscais são os mesmos que estão sendo julgados por outros crimes. É a raposa tomando conta do galinheiro e parece que tudo é normal”, disse.

Após três semanas sem jogar, o time vai estar entrosado ou sentindo a falta de ritmo de jogo?

Nós reclamávamos que só jogávamos e não tinha tempo para treinar, então não podemos reclamar de falta de ritmo. Aproveitamos muito bem esse período. Começamos a colocar em prática as coisas que só dá para trabalhar nos treinamentos, como jogadas ensaiadas e variações de esquema tático. O Cuca está criando um mecanismo de jogo para as coisas saírem automaticamente. 

Cuca fala que o Palmeiras será campeão brasileiro. Concorda com ele?

Quando ele fala isso quer dizer que o Palmeiras tem totais condições de ser campeão. Ninguém pode cravar que vai ser campeão, mas sim que tem capacidade para fazer isso. E concordo com ele. Acredito muito no Palmeiras pelo que vejo nos treinamentos e também por acompanhar as outras equipes do campeonato.

O que esse Palmeiras tem de diferente para brigar pelo título?

Desde que eu estou aqui, tivemos muitas mudanças de elenco. Foi assim de 2013 para 2014. De 2014 para 2015, então, nem se fala. Então esse é o primeiro ano que a gente tem uma sequência. O time do ano passado é quase o mesmo que está aqui hoje. Do time que deve começar como titular, a única novidade é o Tchê Tchê. Já tem uma base, então não devemos sofrer com entrosamento. Isso pode fazer a diferença a nosso favor. 

Você evitou o rótulo de ídolo. Acha que já pode ser chamado assim?

Difícil falar. É muito subjetivo. Quando você fala de ídolo, fala de Marcos, Ademir da Guia, Leão, Veloso, etc. Sei que a torcida gosta de mim, mas ainda tenho um caminho a percorrer. Quando cheguei aos 100 jogos, falei que não achava uma marca tão expressiva. Estou próximo dos 200 (tem 180). Aí sim, é um número interessante. Enfim, sei que sou querido e fico feliz por isso. 

O País passa por um momento importante na política. Vocês comentam sobre isso no dia a dia?

Muito (risos). Eu tive a oportunidade de passar um dia na Câmara e é impressionante o ambiente lá. Essa coisa de aliança e troca de favores por cargos. A gente vê a oposição fazer tudo para que o governo fique exposto. Agora a coisa virou e quem era vidraça virou pedra e vice-versa. 

O que pensa de tudo isso?

A gente vê o Cunha falando que a Lava Jato era uma afronta e que o País não teria governabilidade porque era uma covardia o que estavam fazendo com ele. Essas pessoas que estão julgando casos de corrupção e crimes fiscais são os mesmos que estão sendo julgados por outros crimes. É a raposa tomando conta do galinheiro e parece que tudo isso é normal.

No elenco tem quem defenda algum posicionamento político?

Esse é o problema. Agora, todo mundo fala “Fora PT”, como se tivessem personificado a frustração política e a corrupção no partido. Não acho que o PT seja o problema ou a solução de nada. Pode entrar PMDB, PSDB ou qualquer outro partido e a corrupção vai continuar. É triste falar isso, mas o brasileiro é um povo corrupto, que gosta de corromper e ser corrompido. 

O que fazer para mudar?

Temos que dar exemplos para nossos filhos, que darão exemplos para os nossos netos e assim por diante. Daqui a uns 50 anos, a gente pode ver uma mudança cultural no País e podemos esperar por melhoras políticas. As mudanças não vão vir dos políticos. Não é de cima para baixo, mas de baixo para cima.

Pensa em ser político um dia?  O deputado ou governador Fernando... 

Não, de jeito nenhum! Não tenho perfil e estômago para essas coisas. Eu ia sair atirando para todos os lados. Não conseguiria engolir algumas coisas que acontecem por lá. 

 

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