Pré-Olímpico sacrificará férias dos jogadores

Os jogadores que forem convocados para a disputa do Pré-Olímpico em janeiro, no Chile, não terão férias. O técnico Ricardo Gomes faz questão de ter alguns dias de trabalho em Teresópolis antes de embarcar para a competição. "O Pré-Olímpico começa dia 8 de janeiro.Se eu não tiver um tempo para trabalhar no Brasil, vai ser muito complicado. A competição será dificílima e precisaremos estar bem preparados para lutar pela vaga", afirmou o treinador, que já alertou o grupo que trouxe para o México sobre a possibilidade de passar o final do ano trabalhando. Os jogadores seriam dispensados para passar o Natal e o Ano Novo em casa, voltariam em seguida para a concentração. "Eles sabem que os que forem para o Chile vão ter de abrir mão das férias para ralar. E todos entenderam numa boa. Afinal de contas, não é nenhum sacrifício para um garoto de 20 anos que está na Seleção e tem a chance de ir para uma Olimpíada." Ricardo Gomes conta com a compreensão dos clubes para poder reunir o time em dezembro. Ele argumenta que seria a retribuição por não pedir amistosos para o período de disputa do Campeonato Brasileiro, que tem sua última rodada marcada para o dia 14 de dezembro. "Os clubes me matam se eu marcar alguns amistosos até o fim do ano. Não quero confusão nem atrapalhar ninguém, mas vou precisar de uns dias em dezembro para ir acertando o time antes da viagem para o Chile." Para Kaká e Júlio Baptista, por exemplo, será o segundo ano seguido sem férias decentes. Em janeiro, os dois estiveram na Seleção que Ricardo Gomes levou para disputar o Torneio do Catar. Dos 22 jogadores que o treinador convocou para aquela competição, apenas quatro vieram ao México - os outros dois são os cruzeirenses Maicon e Luisão. Os outros 18 eram os goleiros Rubinho (Corinthians) e Diego (Palmeiras), os laterais Ângelo (Corinthians), Michel (Atlético-MG) e Fabinho (Paraná), os zagueiros Júlio Santos (São Paulo), Adriano (Grêmio) e Renato (Juventude), os meio-campistas Fernando (Siena, ex-Juventude e Grêmio), Andrezinho (Flamengo), Léo Lima (Vasco), Paulinho (Atlético-MG), Fabrício (Corinthians), Jair (Bahia) e Marcinho (São Caetano) e os atacantes Souza (Vasco), Nenê (Santos) e Robert (ex-São Caetano). O técnico quer tempo para trabalhar para poder implantar o esquema que aprecia e não ser obrigado a montar um sistema de "emergência". O ponto principal que Ricardo Gomes quer atacar é condicionar o time a se movimentar muito na frente, para não ter de depender de um homem de área como Adriano. Ele cita como exemplo a vitória por 4 a 2 sobre a Alemanha na disputa do terceiro lugar do Torneio do Catar. "Estávamos perdendo por 2 a 0 e viramos quando não tínhamos nenhum atacante contundente em campo. Jogamos na base da movimentação com Kaká, Paulinho, Andrezinho e Nenê." Foi o último jogo da competição, por isso o grupo já estava mais entrosado e tinha assimilado as suas idéias - nas quatro partidas anteriores, o Brasil havia empatado com a Noruega (1 a 1) e Egito (1 a 1) e vencido a República Checa (2 a 0) e a China (3 a 2). "O meu time ideal não depende de um atacante do tipo ´torre´. Prefiro uma formação rápida, com jogadores técnicos, em que todo mundo tenha chance de finalizar. Mas para a equipe se movimentar com sincronia é preciso um tempo de treinamento que nem sempre a gente tem, por isso às vezes é preciso ter um homem como referência na frente."

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