Daniel Teixeira
Daniel Teixeira

'Precisamos reconquistar nosso espaço no cenário mundial', diz Branco

Um dos heróis do tetra conduz nova fase da seleção olímpica, que joga nesta quinta diante da Colômbia

Entrevista com

Branco - coordenador das categorias de base da seleção brasileira

Ciro Campos e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2019 | 11h40

A seleção olímpica, formada por atletas com menos de 23 anos, enfrenta a Colômbia nesta quinta-feira, no Pacaembu, em amistoso de preparação para o torneio Pré-Olímpico, que acontece em janeiro e dará vaga para a Olimpíada de Tóquio. É o pontapé inicial para a defesa do título olímpico. Para o ex-jogador Branco, coordenador das seleções de base da CBF, o País tem uma oportunidade de resgatar seu prestígio nas competições de base, arranhado depois que a equipe sub-20 ficou fora dos Mundiais de 2013, 2017 e 2019.

“Nós defendemos o título olímpico, mas temos de reconquistar nosso espaço no mundo”, diz um dos heróis da conquista do tetracampeonato mundial com a seleção brasileira em 1994 em entrevista ao Estado.

Para garantir um time forte, Branco revela que vai viajar à Europa, ao lado do técnico André Jardine, para tentar liberar jogadores importantes do elenco junto aos clubes europeus. A equipe possui nomes como Paulinho ( Bayer Leverkusen), Renan Lodi (Atlético de Madri), Douglas Luiz (Aston Vila) e Guilherme Arana (Atalanta). Jogadores que atuam no Brasil, como Pedrinho (Corinthians) e Antony (São Paulo) também estão no elenco.

Branco revela que a comissão técnica vem realizando um monitoramento cuidadoso de atletas que não passaram categorias de base da seleção brasileira. “Temos dez jogadores que nunca haviam sido convocados. Isso é um muito importante”, diz o coordenador. Matheus Cunha, do RB Leipzig, da Alemanha, é um deles e será titular do ataque nesta quinta-feira. Ele ficou entre os dez candidatos ao Prêmio Puskás deste ano. Bruno Tabata, do Portimonense, de Portugal, e Mauro Júnior, do Heracles Almelo, da Holanda, são outros convocados que arrumaram a mala e deixaram o Brasil antes mesmo de brilharem por aqui.

Como resgatar os bons resultados da seleção brasileira na base, considerando que a equipe sub-20, por exemplo, ficou fora dos últimos Mundiais?

A seleção sub-23 defende o título olímpico, isso não é fácil. Hoje, o time que está aqui poderia jogar em muitos lugares do mundo. Muitas seleções do mundo não têm o plantel da sub-23 brasileira. Tenho certeza que muitos jogadores estarão na Copa do Mundo do Catar. O Brasil precisa retomar no sentido das conquistas em todas as categorias. Estamos falando da sub-15, sub-17 e sub-20, que possuem competições oficiais. Nós criamos as sub-16 e sub-18, que são determinantes no sentido de dar rodagem aos atletas. Temos oportunidade de fazer sub-17 no Brasil, o que significa uma grande responsabilidade. Nossa última conquista no Mundial sub-17, curiosamente, foi na minha gestão, em Helsinque, em 2003, contra a Espanha.

Como é a relação com o Tite?

A relação e a integração são espetaculares. A entidade tem essa mentalidade. Nós damos expediente todos os dias na CBF, incluindo todas as categorias. O Tite está todo dia com a gente. O relacionamento é muito próximo. Nós vivemos futebol todos os dias em uma grande troca de informações. Vou dar um exemplo. Nós chamamos o professor Parreira e o professor Américo Faria para uma reunião na Granja. Participaram todos os técnicos, todos os observadores técnicos e o Tite. Da sub-15. O Parreira disse que em 50 anos nunca tinha visto uma reunião como aquela na Granja. Foi importantíssimo. Perfil, metolodogia de trabalho, elenco... foi um momento ímpar que mostra a relação dentro da CBF.

Como monitorar os casos de atletas que podem jogar ou já jogaram por outras seleções, como o Lyanco e Luis Felipe?

A gente monitora com cuidado e estamos atentos a todos os jogadores que têm potencial para atuar na seleção. Quer um exemplo desse trabalho? Hoje, temos dez jogadores que nunca foram convocados para as seleções nas categorias inferiores. Foram sete no torneio de Toulon e mais três para esses amistosos. São atletas com 22 e 23 anos que nunca passaram pelas seleções. Onde eles estavam? Esse é um dado que poucas vezes foi divulgado.

Você vai contar com os jogadores acima dos 23 anos que estão na seleção principal?

Hoje, nós temos uma grande integração entre todas as seleções. Temos o Ivan que foi campeão no Torneio de Toulon, por exemplo, e está na seleção principal. O Gabriel Jesus está na principal e está na seleção olímpica.

Você espera contar com ele, por exemplo?

A prioridade é montar uma seleção fortíssima. No momento, a prioridade é o time olímpico. Nós já conhecemos o Vinicius Junior. Será que o Real Madrid vai liberar? O Real tem jogadores de todos os países no mundo. A gente já conhece muitos jogadores. O Lucão, goleiro do Vasco, tem 18 anos. Estamos dando oportunidade para ele ganhar maturidade.

 

Como você espera conseguir a liberação desses atletas junto aos clubes europeus?

Tudo é relacionamento. Logo após os amistosos, eu e o André Jardine vamos à Europa conversar com os clubes para mostrar a importância de uma convocação para a seleção brasileira para esses atletas. A seleção valoriza. Todos querem essa oportunidade. Provavelmente teremos alguns desfalques no Pré-Olímpico, pois não é uma data-Fifa, mas tudo é questão de relacionamento, de sentar e conversar. Cada um vai olhar o seu lado. Por isso, é muito importante que tenhamos várias opções. Já estamos fazendo esse monitoramento. 

Quais posições estão reforçadas?

Isso vai depender do trabalho no campo. As posições estão abertas. Ainda não definimos.

Como você avalia essa geração?

O Brasil não para de formar bons jogadores. Eles precisam ser lapidados. São joias. O Brasil não pode perder sua essência. Estamos perdendo o drible e a individualidade, aquele poder que quebrar as linhas de marcação com uma jogadora que ninguém conseguiu previr. Não podemos criar robôs. Antes, os europeus vinham aprender aqui. Agora, acontece o contrário. Precisamos trazer essa metolodogia de resgate da nossa essência de volta aos clubes. É preciso diminuir o campo de treinamento para as categorias de base, por exemplo. Um menino do sub-11 não tem condições físicas de jogar como lateral. Não podemos dar treinos táticos e físicos para um menino de 12 ou 13 anos. É preciso deixar ele driblar e ser livre dentro do campo. Nossa essência fez com que a gente ganhasse 13 títulos.

Nesse contexto, eles ganham quando saem para jogar na Europa muito cedo?

Ganham na disciplina tática, mas não ganham na individualidade.

 

INGRESSOS

Os ingressos para os amistosos da seleção olímpica no estádio do Pacaembu, em São Paulo, estão sendo vendidos no site Futebol Card (www.futebolcard.com.br). Os valores das entradas variam de R$20 a R$50, com meia-entrada garantida por lei. Além da venda individual, os torcedores interessados também poderão comprar um pacote de inclui a partida diante da Colômbia, próximo amistoso. A compra pode ser feita através deste link: https://www.futebolcard.com/information?event=6425.

Valores dos ingressos por setor:

Vendas a partir do 26/08

Cadeira Coberta: R$50

Cadeira Descoberta: R$45

Vendas a partir do 30/08

Cadeira Laranja: R$40

Arquibancada: R$30

Tobogã: R$20

Brasil x Colômbia

Data: 5/9/2019

Horário: 21h30

Estádio Pacaembu

Ingressos: https://www.futebolcard.com/information?event=6423

Brasil x Chile

Data: 9/9/2019

Horário: 20h

Estádio Pacaembu

Ingressos: https://www.futebolcard.com/information?event=6424

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