Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Preço do salgadinho

Semanas atrás, ficou aqui a sugestão para o Corinthians fazer a tomada de preços de chope, em boa quantidade. Agora, com oito rodadas até o encerramento do Brasileiro, pode pedir cotação de salgadinhos para a festa do título. Nem precisa ser muito discreto, pois na toada em que vai, rodada mais, rodada menos, liquida esse desafio.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2015 | 03h00

A verdade é uma: o Corinthians não vacila, muito raramente desvia do roteiro para a taça, não dá moleza para quase ninguém. Sabe o que busca. Outra prova de consistência, autocontrole e eficiência foi dada no início da noite de ontem, com os 3 a 0 sobre o Goiás, no Itaquerão.

O rival verde não teve sequer como esboçar surpresa, como havia feito anteriormente com São Paulo, Santos e Palmeiras. Mal teve tempo para se espalhar em campo e já levava gol – de cabeça, marcado por Edu Dracena. O zagueiro foi o melhor em campo. Na hora em que imaginava se reagrupar, o time goiano levou o segundo, de Malcom. Pronto, acabou o gás, encolheu-se, tratou de evitar surra maior.

Além de sustentar 5 pontos à frente do Atlético-MG, o mérito do Corinthians foi o de não se desgastar. A rapaziada de Tite não desperdiça energia. Percebeu que o adversário tinha ido para o espaço, então tocou a bola, criou chances, fez o terceiro (Rodriguinho) e mostrou que não está para brincadeiras. Sorte deles, azar dos demais. Mais fácil o dólar voltar a R$ 2,50 do que o Corinthians ficar sem o hexa.

Vida tricolor 1. Se o presidente em exercício, Carlos Augusto de Barros e Silva, cumprir o que disse ontem, é possível que o São Paulo volte a ter transparência administrativa. O dirigente assumiu o comando na emergência, após renúncia de Carlos Miguel Aidar, e garantiu que não haverá complacência em relação a “atos lesivos” ao clube. Se não for discurso para apaziguar associados inquietos com o escândalo que levou à queda do ex-presidente, então se tratará de golaço tricolor.

O São Paulo não pode fechar os olhos para os fatos que se transformaram em furacão político. O ex-vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, alega ter gravação de conversa que comprometem Aidar. É obrigação do Conselho analisar o documento, assim como é direito – e dever – de Aidar e Guerreiro apresentarem justificativas, explicações, esclarecimentos. É questão de honra para todo mundo.

Vida tricolor 2. Houve críticas à atuação nos 2 a 0 para o Fluminense, no Maracanã. A estreia de Doriva, em substituição a Juan Carlos Osorio, não foi das melhores – e não se trata só de resultado. O São Paulo não jogou bem, não esteve distribuído em campo com eficiência e ordem. Enfim, sentiu o baque da mudança de estratégia e técnico.

O que se deve levar em conta, no momento, é que demanda tempo para que Doriva imponha a ideia dele de jogo. E, com 8 jogos pelo Brasileiro e mais dois (ou 4) na Copa do Brasil, desatino esperar milagres. Não é justo descer a ripa no moço, se as coisas não derem certo. Da mesma forma que não ficará com as glórias, se o São Paulo terminar em 4.º na Série A ou conquistar a Copa. Num caso e noutro, pesará a herança do colombiano.

Se o São Paulo aposta em Doriva deve conversar com ele desde já e garantir-lhe permanência de longo prazo. A temporada está quase no fim, não faz sentido falar em “ajustar o time”. Isso é absurdo.

Pausa pra quê? O Palmeiras ficou dez dias sem compromissos, assim como todos os outros times. Treinou até no domingo, como recordou Marcelo Oliveira, para mostrar como levou a sério a pausa. E daí? Na prática – entenda-se a partida com a Ponte –, não adiantou nada.

Na derrota por 1 a 0, em casa, os palestrinos criaram pouco, abusaram de ligação direta da defesa para o ataque, não souberam superar a retranca do adversário. Pior: acumulam 11 derrotas, quase o mesmo número de vitórias (13). Para isso contratou tanta gente em 2015?

Depois do chope, Corinthians pode fazer cotação do preço de quitutes para festa do título.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.