Marco Bertorello/AFP
Marco Bertorello/AFP

Prefeito de Verona nega que houve insultos racistas contra Balotelli

Novo caso de racismo na Itália reabre debate; torcedor diz que o centroavante não é um 'italiano de verdade'

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2019 | 09h38

Os supostos insultos racistas contra Mario Balotelli na última rodada do Campeonato Italiano ainda geram discussões no país. Depois do técnico do Hellas Verona, o croata Ivan Juric, afirmar que não ouviu nada de preconceituoso no Estádio Marcantonio Bentegodi, foi a vez do prefeito da cidade de Verona negar injúrias raciais contra o atacante durante a partida.

"Parece que uma sentença já foi escrita na pedra. Objetivamente, o que aconteceu com nossa cidade é inaceitável. Eu reitero: estava no estádio e todos ficaram atônitos quando Balotelli chutou a bola para fora. Ninguém pôde explicar aquilo. Portanto, pode-se presumir que não existiu (racismo), pois não havia cantos racistas no estádio. Uma torcida e uma cidade estão sendo expostos à vergonha", declarou Federico Sboarina à agência ANSA.

Quem também atacou Balotelli foi o líder dos ultras do Verona, parte mais violenta da torcida. Luca Castellini criticou o fato de o rival ter chutado a bola em direção às arquibancadas e ter ameaçado deixar o gramado. O torcedor ainda defendeu a atitude de parte dos espectadores e chegou a dizer que o polêmico atacante do Brescia não é um "italiano de verdade".

"Tem cidadania italiana, mas não é de todo italiano. Ouviu esses coros somente na cabeça dele. Temos uma cultura de identidade, somos uma torcida irreverente", tentou argumentar em entrevista ao programa Radio Cafè. "Zombamos do jogador careca, daqueles com cabelos grandes, os do Sul, e os de cor... Mas não fazemos isso com instinto político ou racista. Isso que o Balotelli fez é uma palhaçada."

Nesta terça-feira, o Verona divulgou nota em seu site oficial proibindo a entrada de Luca Castellini no Estádio Marcantonio Bentegodi até 2030. Segundo o clube, as declarações do torcedor são "gravemente contrárias aos princípios éticos" defendidos pela equipe. 

GANA

Filho de pais ganeses, Balotelli nasceu em Palermo, na Itália, e acabou adotado por uma família italiana aos três anos de idade. Ativista na luta contra o racismo, o jogador respondeu aos ataques em sua conta em uma rede social. "Chefe dos ultras do Verona... Cartellini. Aqui, meus amigos, não é mais sobre o futebol... Está insinuando sobre situações sociais e históricas maiores do que você. Você é muito baixo." 

O centroavante ainda lembrou que quando fazia gols pela seleção italiana ninguém questionava sua origem ou a cor de sua pele. "Acorde, ignorante. Você é a ruína. Mas quando Mario fazia e, garanto, fará ainda gol pela Itália, está bem, certo?"

Torcedores defendem o racismo

Este é o segundo grande debate sobre racismo na Itália desde o começo da temporada. Durante jogo da segunda rodada, o belga da Inter de Milão Romelu Lukaku foi vítima de gritos e gestos racistas no estádio do Cagliari. Na época, os próprios torcedores da equipe milanesa pediram para o jogador entender que essas manifestações 'fazem parte da cultura italiana'. O Estado fez uma reportagem anos atrás contrando como entidades e jogadores brasileiros observam esse tipo de comportamento racista nos estádios. A reportagem levou o nome O Avanço do Racismo e pode ser lida por aqui

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