Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Prefeitura ignora pedido da CBF e paulistas ficam sem o Pacaembu no Brasileirão

Estádio municipal teria de ter iluminação trocada, mas prefeito Bruno Covas alega que a obra atrapalharia o processo de concessão

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2019 | 04h30

O Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, segunda opção de estádio para partidas de mandos de Palmeiras, Santos e São Paulo, não poderá receber jogos do Campeonato Brasileiro neste ano. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pediu adaptações no sistema de iluminação do estádio, dentro de seu Programa de Licenciamento dos Clubes, que a Prefeitura informou que não serão feitas.

A Prefeitura teria de trocar as luminárias atuais, de 600 lux (medida que aponta quanto um sistema ilumina), por outras, de 800 lux, o padrão exigido nos estádios do País. Mas decidiu que não fará o serviço, pois isso poderia atrapalhar o projeto, em andamento, de conceder o estádio municipal à iniciativa privada. “O Pacaembu está em vias de concessão e a estrutura atual do equipamento não pode sofrer alterações”, informou ao Estado, por nota, a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB).

“No caso específico, o investimento da troca de iluminação demandaria um gasto que aumentaria o valor comercial da proposta e implicaria no cancelamento do processo”, explica o texto. Ou seja: se fizesse a troca, a Prefeitura teria de suspender um processo que já foi paralisados pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) e pela Justiça, que se arrasta desde março do ano passado, e entrou agora em sua etapa final. Então, o órgão optou por não se adaptar.

Segundo a assessoria de imprensa da CBF, a restrição vale também para os jogos da Copa América e partidas da seleção brasileira.

Dos três times que inscreveram o estádio como segunda opção de mando, o Santos era o maior interessado no Pacaembu. O time chegou a se associar com a Universidade do Brasil e disputou a concessão do complexo. O presidente da equipe, José Carlos Peres, chegou a ir na sessão de abertura dos envelopes. O consórcio apresentou proposta de R$ 88 milhões, a segunda melhor da corrida.

O consórcio Patrimônio SP, formado pela Progen, empresa de engenharia que gerenciou os complexos esportivos durante os Jogos Olímpicos do Rio, e um fundo de investimentos, ofereceu R$ 111 milhões pelo estádio, e promete investir R$ 400 milhões no local esportivo ao longo de 35 anos. Ao Estado, no dia da abertura das propostas, o presidente da Progen, Eduardo Barella, afirmou que, mesmo que os entraves burocráticos fossem solucionados a tempo e a empresa assumisse o estádio, também não mexerá na iluminação. “O prazo para início dos investimentos é de 28 meses” após a concessão”, diz.

O processo está suspenso por determinação da 13.ª Vara da Fazenda da capital, que analisa, entre outros pontos, se o local poderá ter shows. Não há prazo para liberação.

Licenciamento

Desde 2017, o Programa de Licenciamento de Clubes da CBF vem, gradualmente, fazendo requerimentos técnicos mínimos às equipes de futebol, que vão da qualidade do campo e da infraestrutura para a torcida a até a capacitação de jogadores. As exigências buscam um padrão para o futebol do País, de acordo com regras internacionais. As primeiras começaram a ser cobradas dos times da Série A no ano passado.

No Pacaembu, por exemplo, em 2018 o programa requereu alterações no gramado. Embora já existisse uma discussão sobre a concessão do estádio, o serviço foi feito. A Secretaria Municipal de Esportes tinha um contrato de manutenção vigente com uma empresa terceirizada, que executou as mudanças sem fazer novos gastos.

Segundo a CBF, embora sejam os três clubes que apontem o Pacaembu como opção para jogos, a confederação trata do assunto diretamente com a dona do complexo, a Prefeitura.

Barueri e outros Estados são opções

A ausência do Pacaembu no Campeonato Brasileiro será um problema para os clubes paulistas, principalmente Santos e Palmeiras, resolverem. O estádio municipal é a válvula de escape quando as equipes não podem atuar em seus domínios. Sem ele, o jeito será apostar em um plano C ou D.

A lógica é que a Arena Barueri apareça como uma nova opção. O estádio já foi utilizado no passado, mas foi deixado e hoje é usado esporadicamente. Uma outra possibilidade surgida é aproveitar a oportunidade para vender mando e faturar um dinheiro extra. Londrina, Cuiabá e Manaus, estes dois últimos com arenas que receberam jogos da Copa do Mundo em 2014, surgem como opções.

O Santos é quem mais sentiria a falta do Pacaembu. A diretoria usa o estádio municipal como uma forma de aproximar a equipe dos torcedores paulistanos. Tanto que a equipe praiana fez 12 jogos no Pacaembu no ano passado e mais três nesta temporada, mesmo como a Vila Belmiro disponível. Os quatro próximos jogos do Santos como mandante estão marcados para serem no Pacaembu. A maratona inicia nesta terça-feira, contra o River Plate-URU, depois encara Oeste (2 de março), América-RN (7 de março) e Novorizontino (15 de março).

Já o Palmeiras recorre ao Pacaembu quando o Allianz Parque está sendo utilizado para shows. Foram seis no ano passado e um nesta temporada. Até o São Paulo, que tem a situação bem definida no Morumbi, precisou jogar três jogos fora de casa enquanto o estádio passava por reformas. Vale lembrar que o Pacaembu também é palco da decisão da Copa São Paulo, que acontece no dia 25 de janeiro, todos os anos.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.