Prejuízo do grupo ISMM pode dobrar

O furo deixado pela falência do grupo suíço ISMM-ISL poderá atingir US$ 877 milhões, quase o dobro do montante inicial, estimado dia 4 de julho em US$ 515 milhões. Isto porque até o dia 16 de julho outros credores apresentaram-se ao síndico da massa falida. Entre eles, o grupo japonês Dentsu (detentor de 10 % das ações da ISMM ) e a própria Fifa, sua principal parceira comercial. A entidade esportiva, inicialmente, havia admitido um prejuízo de US$ 44 milhões, mas agora revela um valor quatro vezes maior, US$ 170 milhões, uma fatura muito mais salgada do que se imaginava. Enquanto isso, os ativos declarados pela empresa suíça somam apenas US$ 8,5 milhões.A cada dia que passa, a falência do grupo se transforma no maior escândalo da história do marketing esportivo, pois envolve enormes interesses e somas astronômicas. A direção da Dentsu reconhece que a empresa é credora de "algumas centenas de milhões de dólares".A história do casamento entre a Fifa e ISL é antiga, data dos tempos em que a entidade era dirigida pelo brasileiro João Havelange, que, estranhamente, mantém-se calado sobre o assunto - o secretário geral na época é o atual presidente Joseph Blatter. Ambos conhecem muito bem o dossiê da ISMM e não podem alegar desconhecimento dos perigosos caminhos que levaram o parceiro à falência.Direitos de TV - Em junho, o presidente Blatter só reconhecia uma perda de US$ 7 milhões, grande parte dinheiro depositado pela TV Globo como pagamento de uma parcela dos direitos de transmissão da Copa do Mundo, numa misteriosa conta no Principado de Liechtenstein, conhecido paraíso fiscal. Hoje, a Fifa já reivindica ao síndico da massa falida um total muito mais elevado, de quase US$ 175 milhões, soma que engloba direitos de marketing, no valor de US$ 71 milhões, além de outros US$ 72 milhões que desapareceram, desviados pela empresa suíça, a exemplo do que ocorreu com a soma depositada pela Globo.Por enquanto, a direção da Fifa emprega sutilezas contábeis para fazer uma distinção entre as perdas efetivas e somas que "deveria receber se tudo corresse bem", o que não foi o caso. Diante desta situação, diversos bancos já estão reclamando a integração nos ativos da ISMM, dos direitos de televisão das duas próximas copas do mundo, a do Japão e Coréia do Sul e a da Alemanha. Esse seria o pior cenário para a direção da Fifa. Por enquanto, o síndico da massa falida ainda não tomou uma decisão definitiva sobre o problema, o que deverá fazer dentro em breve. A direção da Fifa encontra-se numa posição incômoda e defensiva, esperando encontrar meios para uma negociação com os credores, principalmente os bancos.

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