Phil Noble/Reuters
Phil Noble/Reuters

Premier League se oferece para 'recompensar' times que aumentarem vacinação contra a covid

Apenas sete dos 20 clubes do Campeonato Inglês têm mais da metade de seus jogadores totalmente imunizados; no fim de semana, o técnico alemão Klopp, do Liverpool, comentou sobre o tema

Tariq Panja, The New York Times

04 de outubro de 2021 | 15h00

Preocupada com o fato de que um número significativo de seus jogadores não se vacinou, a Premier League, entidade que organiza o Campeonato Inglês, está oferecendo uma "recompensa" não revelada aos 20 clubes caso consigam vacinar mais jogadores contra a covid-19

A proposta foi exposta em uma carta enviada aos times, que dizia que apenas sete dos 20 tinham mais da metade de seus jogadores totalmente vacinados. O número preocupou os dirigentes de uma liga que conta com atletas do mundo todo e que cruzam regularmente as fronteiras do país para disputar jogos.

"Está cada vez mais claro que a vacinação completa será o critério chave tanto para o governo como para as autoridades de saúde, em termos de viagens internacionais e possível certificação contra a covid-19 em eventos de grande escala", dizia a carta. Os esforços da Premier League, a liga nacional de futebol mais popular do mundo, para pressionar por uma maior aceitação da vacina refletem os desafios também enfrentados por outras ligas esportivas, incluindo a NBA nos Estados Unidos. O sindicato dos jogadores da NBA foi fortemente contrário à vacinação obrigatória, e os atletas não vacinados devem se submeter a testes diários.

A carta da Premier League não descreve que tipo de recompensa os clubes com altas taxas de vacinação podem esperar. Autoridades informadas sobre o assunto disseram que as recompensas provavelmente seriam um afrouxamento dos rígidos protocolos do coronavírus em vigor desde que os jogos da liga foram retomados no ano passado, após serem suspensos por causa da pandemia. "Nós estamos considerando se e como podemos 'recompensar' os times/jogadores que mais se vacinaram", disse a liga aos 20 clubes.

Muitos jogadores da Premier League também competem por suas seleções, cuja próxima rodada das Eliminatórias acontece entre os dias 7 e 14 de outubro. Desta vez os clubes aceitaram liberar atletas convocados por seleções da América do Sul.

Os times da Premier League são testados regularmente e casos de coronavírus continuam ocorrendo. O meio-campista N'Golo Kanté, estrela do Chelsea e da seleção francesa, testou positivo para o vírus na semana passada, o que o impediu de enfrentar a Juventus pela Liga dos Campeões, na última quarta-feira, bem como contra o Southampton, pelo Campeonato Inglês, no sábado, e em uma partida da seleção francesa na próxima semana.

O técnico do Chelsea, Thomas Tuchel, disse à imprensa que não sabia quantos jogadores de sua equipe estavam vacinados. "Somos um reflexo da sociedade, os jogadores são adultos e têm liberdade de escolha", afirmou, acrescentando: "Sei que a situação está longe de terminar. Isso torna você muito consciente de que não acabou."

ADENDO ESTADÃO

No fim de semana, o treinador do Liverpool, Jurgen Klopp, defendeu a vacinação contra a doença em entrevista. Em seu argumento, o técnico alemão comparou a não-vacinação com pessoas que dirigem e bebem, dizendo que a vacina serve para proteger aos demais.

"Talvez eu seja um pouco ingênuo, mas não entendo 100% por que não podemos dar conselhos (sobre a vacinação). Parece que se eu vier aqui e disser que estou vacinado, algumas pessoas vão questionar: 'Como você pode falar isso e dizer que eu deveria me vacinar?', disse Klopp. "A comparação que faço para mim mesmo é com beber e dirigir. Provavelmente todos nós já estivemos em situações em que tomamos uma ou duas cervejas e pensamos que tudo bem dirigir depois. Mas, por conta da lei, não é permitido dirigir, então não dirigimos. Mas a lei não está lá para me proteger ao dirigir depois de beber, ela existe para proteger todas as outras pessoas quando eu estou bêbado e com vontade de dirigir. Nós aceitamos isso como lei. Eu não tomo a vacina apenas para me proteger, como também para proteger todos ao meu redor. E eu não entendo como isso pode ser interpretado como limitação da liberdade. Se for assim, então não poder beber e dirigir também é."

/ TRADUÇÃO DE LÍVIA BUELONI GONÇALVES.

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