Ruben Sprich/Reuters
Ruben Sprich/Reuters

Prêmio Nobel abandona acordo com a Fifa após escândalo de corrupção

Caso revela como os parceiros estão se afastando da entidade

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2015 | 15h33

Os organizadores do Prêmio Nobel decidem acabar com sua parceria com a Fifa. O fim do acordo é mais uma exemplo de uma série de parceiros e entidades que vem abandonando a Fifa diante dos escândalos de corrupção.

O Nobel Peace Center e a Fifa haviam fechado um acordo às vésperas da Copa do Mundo de 2014 para usar o futebol para promover a paz. Cada partida seria iniciada por um aperto de mãos entre os capitães das duas equipes, simbolizando um esforço pela paz e um projeto pessoal de Joseph Blatter, presidente da entidade. Em troca, a Fifa destinava US$ 1 milhão aos noruegueses.

No lançamento do projeto, no Maracanã, jornalistas questionaram o instituto com ligações com o Prêmio Nobel por se aliar à Fifa, apesar dos escândalos de corrupção. Naquele momento, a explicação dada pela entidade era de que tinha confiança de que reformas ocorreriam. 

No último dia 29, ao vencer as eleições para a Fifa, Blatter voltaria a insistir em seu projeto. "A Fifa renova seu apelo global por solidariedade e fair play por meio da campanha com o Nobel Peace Center", indicou. Segundo ele, "o aperto de mão pela paz" seria um "poderoso símbolo". 

Mas o presidente da instituição, Olav Njølstad, optou por sair do acordo. "O conselho acredita que o Aperto de Mão pela Paz é uma boa iniciativa. Não queremos acabar com ele. Mas é natural que o Centro queira agora sair da iniciativa e deixá-la com a Fifa", explicou o executivo à imprensa norueguesa. 

Antes de renunciar, Blatter confessava a seus aliados mais próximos que esperava um dia receber o Prêmio Nobel da Paz pelo papel do futebol em áreas de conflito pelo mundo. Além da aliança com os organizadores, ele criou prêmios para incentivar ações humanitárias pelo mundo e proliferou doações a regiões afetadas por terremotos, guerras ou outras catástrofes. 

A decisão do Nobel em abandonar a Fifa, agora, promete ter um impacto ainda maior que a opção da Interpol de romper com a entidade de futebol na semana passada. A agência policial havia fechado um acordo em 2011 para lutar contra o crime organizado no futebol em troca de 20 milhões de euros (R$ 70 milhões). 

Na semana passada, porém, foi a mesma Interpol que colocou em seu site alguns dos principais cartolas da Fifa entre as pessoas mais procuradas no mundo. Patrocinadores em todo o mundo estão também pressionando por mudanças, alertando que a crise começa a afetar suas próprias campanhas.

FICO

Nesta segunda-feira, um dos homens que liderou a campanha de Blatter na eleição do dia 29 de maio, Klaus Stoehlker, indicou que o suíço estaria considerando se lançar uma vez mais como candidato e ficar no poder, apesar de ter indicado que renunciaria diante do escândalo.

Segundo seu conselheiro, Blatter estaria inclinado a uma nova eleição caso ele não encontre uma pessoa com a mesma "experiência e contato" que ele para sucedê-lo. Sem um "candidato convincente", Blatter poderia voltar a ser presidente. 

No fim de semana, um jornal suíço indicou que o cartola teria recebido dezenas de apoios da África e Ásia para continuar no poder.

A Fifa reagiu alertando que o conselheiro não representa Blatter e que o suíço mantém o conteúdo de seu discurso do dia 2 de julho. Naquele momento, ele prometeu chamar novas eleições. Mas em nenhum momento usou a palavra "renúncia". 

 

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