Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Carl Recine / Reuters
Carl Recine / Reuters
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Presença do torcedor no futebol da Eurocopa dá esperança ao mundo

Torcida brasileira faz falta ao futebol, no gol, no abraço, nas canções e cobranças nos estádios

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2021 | 05h00

A pandemia fez com que os estádios trancassem seus portões e deixassem o torcedor do lado de fora. Por meses, e até ano, as arenas ficaram à míngua, com os clubes mandantes tentando suprir a ausência de gente com homens e mulheres de papel, bandeiras gigantescas e mosaicos saudando times e jogadores do passado, em muitos casos com som ambiente de um jogo de bola antes do seu esvaziamento.

Valorizo e reconheço todas essas iniciativas, mas nenhuma delas chega nem perto da presença do torcedor nas partidas, com sua alegria, caras e bocas, vestimentas e provocações. Com o seu barulho. A Eurocopa, disputada em 11 cidades do continente, tem nos levado de volta para um mundo que amamos, e que não sabíamos que sentiríamos tanta falta. Não me refiro aos Ultras ou briguentos.

Daí meu eterno reconhecimento ao torcedor comum de futebol. E também a essa Eurocopa, que nos traz de volta todas essas cenas. O torneio é jogado com a presença de público em todos os confrontos. Foi mapeada a condição da doença em cada cidade e, a partir disso, liberada uma quantidade de torcedores nas arenas, com máscaras e testes de PCR para a covid-19.

Futebol que se preze precisa ter a santíssima trindade em campo: bola, jogadores e arbitragem. Mas também gente nas arquibancadas. Precisa ter espectador. Isso é vida. Futebol sem gente aplaudindo ou vaiando, se emocionando ou se frustrando, não é futebol. Pode ser algo parecido. O futebol é o que se vê há anos. A Eurocopa nos mostra a retomada do torcedor, assim como as corridas de Fórmula 1.

A covid-19 nos levou para as trevas. Civilizações avançadas estão conseguindo superar as dificuldades impostas pela doença, com mais vacinas e menos mortes, diferentemente do que ocorre no Brasil, país que atingiu sábado a evitável marca dos 500 mil óbitos.

O que define um povo mais civilizado de um povo menos civilizado é como ele enfrenta seus problemas e consegue superá-los. Os países europeus representados na Eurocopa sofreram no início da pandemia, de modo a se valer da ciência e recomendações de especialistas da saúde, como fechamento total ou parcial das cidades, isolamento, uso de máscaras e aposta fervorosa, quase como uma religião, nas campanhas de vacinação, sempre orientados por líderes perspicazes, inteligentes e com uma visão clara do que estava acontecendo no mundo. Portanto, não é apenas o futebol da Eurocopa que nos faz inveja.

O Brasil poderia ter se saído melhor se tivesse aprendido com os europeus, sem mudar, claro, suas características de país continental. Mas andamos para trás tanto no combate à covid-19 quanto na qualidade do futebol.

Por causa disso, os estádios brasileiros ainda estão em silêncio. As manifestações nesse sentido são feitas sem qualquer coordenação da CBF, afeita a delegar decisões importantes para as federações estaduais, eximindo-se de responsabilidade. São iniciativas que pipocam de dirigentes de clubes, quase sempre individualizadas em suas bandeiras e sem qualquer embasamento científico.

Olhando para a Eurocopa, para seu jogos, sinto falta da torcida brasileira, não daquela que vai a jogos da seleção especificamente, mas dos torcedores de times, com seus gritos, alegria e sofrimento. Essa gente faz falta ao futebol. Essa gente nos representa no gol, no abraço, nas canções e cobranças nos estádios.

A pandemia dimensionou muitas coisas em nossas vidas e na vida do planeta. No futebol, paixão nacional, nossa hora ainda não chegou. Pagamos pela falta de civilidade e vivemos à espera de dias melhores.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.