Marcos Brindicci / Reuters
Marcos Brindicci / Reuters

Presidente da AFA lamenta suspensão do clássico e rebate Anvisa: 'Cumprimos o protocolo'

Claudio Tapia discordou do órgão sanitário brasileiro e assegurou que o protocolo contra a Covid-19 foi respeitado pelos argentinos.

Ricardo Magatti, Estadão Conteúdo

05 de setembro de 2021 | 18h35

O presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Claudio Tapia, lamentou a suspensão do clássico com o Brasil neste domingo, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar, rebateu a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e afirmou que a seleção argentina tem cumprido os protocolos sanitários estabelecidos pelas autoridades sanitárias de cada país.

Houve uma discussão no gramado que envolveu alguns atletas argentinos e profissionais da Anvisa no gramado. Neymar e Messi tentaram intervir, mas o jogo foi paralisado e a  equipe treinada pelo técnico Lionel Scaloni se encaminhou para os vestiários.

"O que aconteceu hoje é lamentável para o futebol, é uma imagem muito ruim. Quatro pessoas entraram para interromper o jogo para fazer uma notificação e a Conmebol pediu aos jogadores que se dirigissem ao vestiário", disse Tapia.

Agentes da Anvisa e da Polícia Federal entraram em campo para parar o jogo em razão da presença de quatro atletas argentinos (três deles titulares) que não cumpriram as regras sanitárias em território brasileiro e, por isso, não poderiam jogar. Segundo o órgão sanitário brasileiro, eles deram informações falsas e ocultaram que estiveram no Reino Unido nos últimos 14 dias.

O time da Argentina enfrentou a Venezuela na última quarta-feira, na casa dos adversários, e desembarcou em Guarulhos na sexta-feira, para enfrentar o Brasil neste domingo, na Neo Química Arena. No aeroporto, os jogadores foram questionados se tiveram passagem por Reino Unido, África do Sul, Irlanda do Norte e Índia nos últimos 14 dias. Desde junho, passageiros que visitaram esses países no período de duas semanas são impedidos de entrar no Brasil, como precaução contra a disseminação da variante delta do coronavírus.

O presidente da AFA discorda da posição do órgão sanitário brasileiro e assegurou que o protocolo contra a covid-19 tem sido respeitado pelos argentinos.

"Aqui não se pode falar de mentira porque existe uma legislação sanitária que rege todos os torneios sul-americanos. As autoridades sanitárias de cada país aprovaram um protocolo que temos cumprido ao máximo", ressaltou Tapia.

Horas antes do jogo, a Anvisa emitiu um comunicado para alertar que quatro jogadores da seleção argentina haviam descumprido regras sanitárias para entrar no Brasil. De acordo com o comunicado, Emiliano Martinez, Emiliano Buendia, Giovani Lo Celso e Cristian Romero, deveriam ter sido colocados em quarentena e mandados de volta ao país de origem, pois mentiram na hora de desembarcar em território brasileiro. Três deles foram escalados entre os titulares pelo técnico Lionel Scaloni e Buendia ficou entre os suplentes.

A resposta dos atletas foi negativa, mas os quatro atuaram em partidas do Campeonato Inglês entre os dias 28 e 29 de agosto. Martinez e Buendía jogam pelo Aston Villa, enquanto Lo Celso e Romero integram o elenco do Tottenham. Por isso, a entrada deles no país foi considerada ilegal, e a Anvisa notificou a Polícia Federal orientando medidas que impeçam a circulação dos argentinos.

O Estadão apurou que a Polícia Federal já havia acompanhado a Anvisa até o hotel onde estava a seleção argentina, em São Paulo. A delegação já havia deixado o local. Os policiais federais e a agência foram, então, para o estádio. No local, os jogadores foram notificados por infração sanitária, como está previsto em lei.

A delegação argentina desembarcou em São Paulo na última sexta-feira e ficou hospedada em um hotel próximo a Guarulhos. O técnico Lionel Scaloni reclamou que a Anvisa atrapalhou o espetáculo e, se houve motivo para intervir, deveria, na sua avaliação, ter feito a autuação antes.

"Fico muito triste. Não procuro culpado. Se algo aconteceu ou não aconteceu, não era momento para intervir", reclamou o treinador. Segundo o técnico, ele e os atletas não receberam qualquer comunicado para avisar de os quatro atletas citados não estariam aptos a entrar em campo. "Em nenhum momento fomos avisados de que não poderiam jogar. Queríamos jogar, os jogadores brasileiros também", declarou.

"Deveria ter sido uma festa para todos, para desfrutar dos melhores jogadores do mundo. Gostaria que o povo argentino entendesse que, como treinador, tenho que defender meus jogadores", completou.

Depois da suspensão do clássico,  a Conmebol comunicou que o árbitro e o comissário do jogo enviarão um relatório ao Comitê Disciplinar da Fifa, que determinará as etapas a serem seguidas para a definição do confronto. 

"As Eliminatórias da Copa do Mundo são uma competição da Fifa. Todas as decisões relativas à sua organização e desenvolvimento são da competência exclusiva daquela instituição", disse a Conmebol.

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