Marcos Brindicci / Reuters
Marcos Brindicci / Reuters

Presidente da AFA pede desculpas a Israel por cancelar amistoso da Argentina

Ministro da Defesa israelense diz que 'lamenta ver os argentinos cedendo à pressão de incitadores do ódio'

Estadão Conteúdo

06 Junho 2018 | 12h42

O presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Claudio Tapia, se desculpou nesta quarta-feira por cancelar o amistoso da seleção de seu país contra Israel. O duelo aconteceria no sábado, em Jerusalém, mas não será mais realizado por questões de segurança.

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"O que aconteceu nas últimas 72 horas, as ameaças que têm ocorrido, nos levaram a tomar a decisão de não viajar. Minha responsabilidade é cuidar da saúde, da integridade física e segurança de toda a delegação", disse.

A declaração foi feita em entrevista coletiva realizada em Barcelona, onde a seleção argentina se prepara para a Copa do Mundo. O dirigente também fez questão de ressaltar que o cancelamento, anunciado na terça-feira, nada tem a ver com o povo israelense.

A decisão de não levar a delegação para Jerusalém aconteceu devido aos inúmeros protestos dos palestinos. Um grupo de árabes foi ao treino da Argentino na terça-feira, em Barcelona, pedindo que não acontecesse a partida.

Na última semana, a Liga Árabe divulgou comunicado que dizia que Israel utiliza o futebol como fim político. Já a Associação de Futebol Palestina informou que faria campanha para impedir que a Argentina recebesse a Copa do Mundo de 2030 se o amistoso fosse realizado. "Gostaria que todos olhassem essa decisão como uma forma de buscar a paz mundial", disse o dirigentina argentino.

Mas parece que não é bem assim que judeus e palestinos têm encarado a não realização do amistoso. O chefe da Associação de Futebol Israelense, Ofer Eini, acusou os palestinos de "cruzar a linha vermelha" por pressionar a Argentina pelo cancelamento.

Ele também culpou Jibril Rajoub, presidente da Federação Palestina de Futebol, de "fazer todo o possível" para eliminar Israel do futebol internacional. Eini considerou os protestos dos palestinos legítimos, mas disse que o pedido de Rajoub para que os árabes e muçulmanos queimassem fotos e camisas do argentino Messi foram exagerados.

O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu ao presidente da Argentina, Mauricio Macri, para que interviesse na decisão, mas não teve êxito. Israel agora terá que lidar com outro problema, porque todos os ingressos para o amistoso já haviam sido vendidos.

"É triste ver que os jogadores argentinos não resistiram à pressão dos incitadores do ódio contra Israel, aqueles cujos únicos objetivos são acabar com nosso direito básico a autodefesa e provocar a destruição de Israel", disse o ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman. "Não vamos nos render diante de um grupo de partidários terroristas e antissemitas", prosseguiu.

Os palestinos pediam o cancelamento do amistoso por causa de toda a briga histórica que há entre árabes e judeus em relação a Jerusalém e que ganhou ainda mais impacto no final do ano passado, quando o presidente Donald Trump reconheceu a cidade como capital de Israel. Há alguns meses, o mandatário norte-americano também informou que transferirá a embaixada dos Estados Unidos de Telaviv para Jerusalém.

Além disso, os palestinos reclamam que o estádio onde será disputado o amistoso é de um dos clubes mais racistas do país. O Beitar Jerusalém não aceita jogadores árabes. A AFA ainda não informou se a seleção argentina fará outro amistoso antes da estreia na Copa do Mundo.

A Argentina está no Grupo D e estreará no Mundial contra a Islândia, no dia 16 de junho. Na sequência, enfrentará a Croácia no dia 21 e fecha a participação na primeira fase contra a Nigéria, dia 26.

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